29.3.21

"Papillon" - Franklin J. Schaffner (EUA, 1973)

Sinopse:
 
Na década de 30, Papillon (Steve McQueen) foi acusado de assassinato e mandado para cumprir prisão perpétua na Guiana Francesa. As regras da prisão são claras: qualquer um que tentar fugir ganhará como punição dois anos de solitária. Isso não é o bastante para assustar Papillon, que vai tentar fugir de qualquer maneira com a ajuda de Louis Dega (Dustin Hoffman). Em uma das vezes ele quase consegue e vai parar incialmente em uma colônia de hansenianos e depois em uma tribo de índios caribenhos, até chegar na Ilha do Diabo.
Comentário: Trata-se de uma adaptação do livro "Papillon", escrito pelo ex-presidiário Henri Charrière em 1969, no qual ele conta a história de como foi sua fuga da colônia penal da Guiana Francesa. Segundo João Vitor Figueira do site Adoro Cinema, "na obra, Charrière narra sua história de vida e conta como foi injustamente condenado pela morte de um cafetão na França, um crime que alega ter sido armado para incriminá-lo. Sentenciado em 1931 a uma vida de trabalhos forçados na Guiana Francesa, Papillon (apelido de Henri, que significa "borboleta" em francês) passou 11 anos preso até conseguir escapar e recomeçar sua vida como um homem livre na Venezuela. Historiadores e jornalistas concordam que estes fatos são inegáveis sobre a vida do escritor. Outros, entretanto, tem sua credibilidade questionada desde o lançamento do livro. Há quem prefira considerar o livro de Charrière como um romance narrativo, não biográfico. O autor manteve até o final de sua vida que o livro era fiel à sua experiência, mas depois foi comprovado que alguns dos eventos ali relatados nunca ocorreram com o célebre prisioneiro francês. Muitas das histórias teriam sido inspiradas nas vidas e relatos de outros prisioneiros. O fato é que a colônia penal francesa na Guiana era palco de abusos de toda a sorte e isso foi muito bem representado no filme de 1973. O longa-metragem chocou o público por conta de uma cena em que o personagem de McQueen é obrigado a comer um inseto depois de ser submetido a uma alimentação insalubre. A prisão era um verdadeiro inferno nos trópicos. Quem tinha a sorte de conseguir escapar dos portões da cadeia e fugir pela mata geralmente era morto por animais selvagens, por mercenários ou de inanição. Pelo mar o risco eram os tubarões. Dentro da prisão havia uma série de abusos, doenças, privações e uma rotina de agressões e trabalho análogo à escravidão. Os franceses condenados a mais de oito anos de prisão não tinham permissão para voltar para sua pátria e eram obrigados a viver na colônia para sempre. Quem tentava fugir e matava alguém no caminho era condenado à guilhotina. Sem óbito, a punição eram dois anos na solitária (cinco para reincidentes, o que geralmente matava ou enlouquecia os detentos). Depois de duas tentativas de fuga, o preso era enviado para a temida Ilha do Diabo". Houve um remake deste filme em 2018, muito bem feito aliás pelo diretor Michael Noer, mas que não supera este de 1973, o que nos faz pensar se haveria mesmo a necessidade de uma refilmagem.