14.12.20

"Jogo Sujo" - Alfred Hitchcock (Reino Unido, 1931)

Sinopse:
 
Duas famílias - os Hillcrist e os Hornblower - que sentem um ódio profundo uma pela outra, não perdem a oportunidade para começar uma briga quando um terreno na região está à venda. No meio desse impasse encontra-se uma jovem casada (Phyllis Konstam) que possui um passado turbulento. Quando o outro lado descobre esse segredo as famílias começam uma grande luta de poder.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele 25 filmes, dentre eles as obras-primas "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960) e os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Pacto Sinistro" (1951), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e "Frenesi" (1972). Desta vez vou conferir "Jogo Sujo" (1931), baseado em uma peça de John Galsworthy.
O que eu achei: "Jogo Sujo" (1931) é um título que se destaca na filmografia de Alfred Hitchcock por explorar um terreno pouco habitual para o diretor: a questão social. Diferente do clima de suspense intenso que marcaria boa parte de sua carreira, aqui ele opta por uma abordagem mais contida, permitindo que as nuances morais da história ganhem protagonismo. Essa inversão constante entre culpado e inocente torna a experiência rica, pois desafia o público a reconsiderar seus julgamentos a cada nova revelação. Apesar de críticas direcionadas à direção e à montagem, há méritos inegáveis na forma como Hitchcock consegue imprimir ritmo e tensão mesmo sem recorrer aos truques mais característicos de seu estilo. O filme prova que o diretor, já nessa fase inicial, buscava experimentações narrativas e temáticas, o que o torna uma obra interessante dentro do contexto de sua carreira. Não chega a ser o melhor de sua carreira, mas certamente é um bom filme, revelando um lado diferente do cineasta e oferecendo ao público uma história envolvente e reflexiva.