17.7.20

"Os Incríveis 2" - Brad Bird (EUA, 2018)

Sinopse: A Mulher Elástica entra em ação para salvar o dia, enquanto o Sr. Incrível enfrenta seu maior desafio até agora: cuidar dos problemas de seus três filhos.
Comentário: Trata-se de uma sequência de "Os Incríveis" (2003). No primeiro, a família de super-heróis está aposentada. Devido a uma série de problemas que a sociedade vem enfrentando por causa da violência, eles acabam banidos da sociedade e são obrigados a se adaptar à normalidade da vida, quando Beto, o pai, é chamado para uma missão supersecreta na qual ele volta a se transformar no Sr. Incrível. Desta vez a protagonista será a esposa Helena que, por conta do chamado de um rico empresário que resolve restabelecer o respeito e o direito de agir dos super-heróis, a chama para resolver um problema enquanto o pai fica em casa para cuidar dos afazeres domésticos. 
Produzido pelo estúdio Pixar, o filme utiliza animação digital 3D e chegou aos cinemas quatorze anos após o lançamento do original, tornando-se uma das sequências mais aguardadas da história recente da animação.
Assim como o antecessor, o filme mistura aventura de super-heróis, comédia familiar e espionagem, com diversas referências aos quadrinhos e às séries de ação das décadas de 1960 e 1970. A animação também explora questões ligadas à dinâmica familiar, divisão de responsabilidades e reconhecimento profissional.
“Os Incríveis 2” foi um enorme sucesso comercial, tornando-se uma das animações de maior bilheteria de sua época. Também recebeu indicações a importantes premiações do setor, embora não tenha repetido o desempenho histórico do primeiro filme, que venceu o Oscar de Melhor Animação.
Uma das curiosidades mais comentadas envolve justamente o salto tecnológico entre os dois filmes. Como a Pixar evoluiu significativamente entre 2004 e 2018, os artistas puderam criar cenários muito mais detalhados, efeitos de iluminação mais sofisticados e uma quantidade muito maior de elementos visuais em cena. A personagem Helena, por exemplo, teve seus cabelos e roupas animados com um nível de realismo impossível na época do primeiro longa. 
Embora seja uma animação voltada para toda a família, “Os Incríveis 2” não se limita ao público infantil. O humor, as referências à cultura pop, a sátira aos meios de comunicação e as relações familiares fazem com que muitos adultos apreciem o filme tanto quanto as crianças. Além disso, o carismático Zezé acabou se tornando um dos grandes destaques da produção, graças às cenas que exploram seus múltiplos e imprevisíveis superpoderes.
O que eu achei: "Os Incríveis 2" (2018) tinha uma missão difícil: suceder um dos filmes de super-heróis mais queridos dos anos 2000 após uma espera de quatorze anos. Felizmente, Brad Bird demonstra compreender o que tornou o original tão especial e entrega uma continuação divertida, ágil e visualmente impressionante. Desta vez, a narrativa coloca a Mulher Elástica no centro da ação enquanto o Sr. Incrível assume as tarefas domésticas e os desafios da paternidade. A inversão de papéis funciona não apenas como fonte de humor, mas também como comentário sobre expectativas sociais e desigualdades de gênero. O filme faz isso sem perder o espírito de aventura que marcou o primeiro longa, equilibrando ação, comédia e dinâmica familiar. Tecnicamente, a evolução é evidente. A animação da Pixar alcança um nível de refinamento impressionante, especialmente nas sequências envolvendo os poderes elásticos de Helena. As cenas de ação são criativas, fluidas e mantêm um ritmo constante que raramente deixa a narrativa perder força. O ponto mais fraco talvez esteja justamente na comparação inevitável com o original. Embora eficiente, o roteiro apresenta um vilão menos memorável e uma trama que, em alguns momentos, parece mais interessada em reproduzir a fórmula do primeiro filme do que em expandi-la. Ainda assim, a obra compensa essa limitação com personagens extremamente carismáticos, especialmente o menino Zezé, que rouba diversas cenas com seus poderes imprevisíveis. O resultado é uma continuação que não alcança o mesmo impacto inovador de seu antecessor, mas que mantém intacta a capacidade da franquia de entreter diferentes gerações. Além de proporcionar excelentes momentos de diversão, o filme atualiza sua abordagem familiar para um público contemporâneo, mostrando uma heroína competente ocupando naturalmente o protagonismo da narrativa. O movimento feminista agradece.