13.5.19

"Os Fantasmas de Ismaël" - Arnaud Desplechin (França, 2017)

Sinopse: Ismaël (Mathieu Amalric) é um cineasta que, após um longo tempo, voltou a amar. Traumatizado devido ao súbito desaparecimento de sua esposa, Carlotta (Marion Cotillard), ocorrido há 21 anos, ele enfim consegue ter um relacionamento duradouro com a astrofísica Sylvia (Charlotte Gainsbourg), com quem está junto há dois anos. Entretanto, a reaparição de Carlotta abala não só o relacionamento, como a própria estabilidade alcançada por Ismaël.
Comentário: Arnaud Desplechin (1960) é um roteirista e cineasta francês. "Os Fantasmas de Ismael" (2017) é o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de um drama dirigido por Arnaud Desplechin e escrito pelo próprio diretor, com roteiro original que mistura romance, drama psicológico, mistério e elementos metalinguísticos, características bastante presentes na filmografia de Desplechin.
A história acompanha Ismaël Vuillard, um cineasta interpretado por Mathieu Amalric, que tenta concluir seu novo filme enquanto vive um relacionamento estável com Sylvia, personagem de Charlotte Gainsbourg. A situação muda radicalmente quando Carlotta, sua esposa desaparecida há mais de vinte anos e dada como morta, reaparece inesperadamente. Vivida por Marion Cotillard, Carlotta provoca uma crise emocional que embaralha passado e presente, realidade e imaginação.
O elenco reúne alguns dos nomes mais prestigiados do cinema francês contemporâneo. Além de Amalric, Gainsbourg e Cotillard, participam Louis Garrel, Alba Rohrwacher e László Szabó. São todos atores profissionais experientes, muitos deles colaboradores frequentes de diretores importantes do cinema europeu.
As filmagens ocorreram principalmente na França, incluindo locações em Paris e regiões litorâneas que desempenham papel importante na atmosfera do filme. A produção combina ambientes urbanos e paisagens costeiras para refletir os estados emocionais dos personagens.
“Os Fantasmas de Ismaël” foi escolhido como filme de abertura do Festival de Cannes 2017. Na ocasião, Desplechin apresentou duas versões diferentes da obra: uma versão exibida em Cannes e outra, mais longa, lançada posteriormente nos cinemas e em mídia doméstica. O próprio diretor comentou que considerava ambas versões válidas, algo relativamente incomum em produções contemporâneas.
Outro aspecto frequentemente mencionado sobre o filme é seu caráter autobiográfico indireto. Embora não seja baseado na vida de Desplechin, a figura de um cineasta atormentado por memórias, relações amorosas e pelo próprio processo criativo dialoga com temas recorrentes em sua obra. O resultado é um filme que transita entre o drama romântico e a reflexão sobre a criação artística, reunindo alguns dos principais talentos do cinema francês da década de 2010.
O que disse a crítica: Francisco Russo do site Adoro Cinema publicou: "Suspense, cômico a partir do absurdo, drama contemporâneo, mistério, melodrama e delírio criativo. Tudo isto de forma contínua, com trilha sonora e tons de diálogo variando entre cada situação, sem divisão explícita ou justificativa. Assim é 'Les Fantômes d'Ismaël', um filme ousado sob o aspecto da estrutura de roteiro mas que, na prática, soa como uma imensa bagunça devido ao vai-e-vem contínuo sem que haja qualquer tentativa de coesão, além da presença dos mesmos personagens".
O que eu achei: O filme parece convencido de sua própria profundidade, mas acaba se perdendo em um emaranhado de ideias mal organizadas, misturando drama psicológico, romance, metalinguagem e mistério, sem conseguir transformar essa mistura em algo realmente envolvente. A premissa até desperta curiosidade: um cineasta interpretado por Mathieu Amalric vê sua vida virar de cabeça para baixo quando a esposa desaparecida há décadas, vivida por Marion Cotillard, reaparece inesperadamente. O problema é que o filme parece não saber o que fazer com essa ideia. Em vez de desenvolver os conflitos de forma consistente, a narrativa se dispersa em subtramas, divagações e mudanças de tom que mais confundem do que enriquecem a experiência. Há momentos em que parece que Desplechin está interessado em falar sobre o processo criativo, em outros sobre trauma, loucura, amor ou identidade. Nenhum desses temas, porém, recebe a atenção necessária para ganhar força. O resultado é uma obra fragmentada, que constantemente dá a impressão de estar caminhando para algum lugar importante, mas nunca chega lá. Nem mesmo o elenco talentoso consegue salvar o conjunto. Amalric, Cotillard e Charlotte Gainsbourg fazem o que podem com personagens pouco definidos, cujas motivações frequentemente parecem arbitrárias. O mais frustrante é que o filme tem mais de duas horas de duração e, ao final, a sensação não é de ter acompanhado uma história complexa, mas de ter assistido a uma longa sucessão de ideias desconexas. O que deveria soar intrigante acaba se tornando cansativo. Não funciona nem como drama, nem como romance, nem como reflexão sobre a criação artística. Daquelas sessões que terminam com a incômoda sensação de que duas horas foram desperdiçadas esperando uma recompensa narrativa que nunca chega.