Sinopse: Em um acidente de trem, o engenheiro ferroviário Sisif (Séverin-Mars) salva a pequena Norma (Ivy Close) e a cria como sua filha. Com o passar do tempo, e Norma já crescida, ele acaba se apaixonando por ela, mas o problema é que seu filho Elie (Gabriel de Gravone) também nutre sentimentos pela menina. Ao perceber isso, Sisif casa Norma com um homem rico, mas ela está mesmo é apaixonada por Elie.
Comentário: Abel Gance (1989-1981) foi um cineasta, produtor, editor, escritor e ator francês. Gance era filho ilegítimo. Seus pais queriam que ele se tornasse um advogado, mas desde a infância Gance foi atraído pelo teatro. Ele fez sua primeira apresentação como ator em Bruxelas com a idade de 19 anos e atuou em seu primeiro filme em 1909 em "Molière". Ele continuou atuando e escrevendo roteiros antes de formar a sua própria companhia de produção em 1911. Seu primeiro filme chamava-se "La Digue" (1911), mas foi um fracasso. Sua nova produção, a peça teatral "Victoire de Samothrace" foi um projeto que não pôde ser filmado devido à Primeira Guerra Mundial. Devido à sua frágil saúde, Gance conseguiu não participar da maior parte da guerra e ele retornou a fazer filmes, agora com mais sucesso. Em 1919, ele obteve o reconhecimento internacional com seu filme épico de três horas "J’Accuse" (1919) , um filme contra a guerra que incluiu cenas de batalhas ao longo do fim da Primeira Guerra. Constam de sua filmografia em torno de 51 filmes. Assisti dele a obra-prima "Napoleão" (1927). Desta vez vou conferir um filme anterior chamado "A Roda" (1923).
Segundo o site Palavras de Cinema, "mesmo com as limitações do cinema mudo, Gance investe nos sentidos: seu filme dá vida à câmera, que ganha movimento, e aposta em uma montagem que faz do aparente borro – a retrospectiva da vida que flecha a mente do homem à beira do penhasco – o inegável golpe psicológico.
Segundo o site Palavras de Cinema, "mesmo com as limitações do cinema mudo, Gance investe nos sentidos: seu filme dá vida à câmera, que ganha movimento, e aposta em uma montagem que faz do aparente borro – a retrospectiva da vida que flecha a mente do homem à beira do penhasco – o inegável golpe psicológico.
Sua obra pode ser colocada entre as mais influentes da História do Cinema – pouco depois de Griffith e ainda antes dos soviéticos (que teriam estudado 'A Roda').
Gance nunca escondeu sua inclinação ao melodrama. Usaria a câmera de forma sábia para chegar a ele, com closes que podem rivalizar com os de Dreyer".
O que eu achei: “A Roda” (1923) é um daqueles filmes que despertam mais curiosidade histórica do que envolvimento emocional. É interessante observar como o diretor já demonstrava, aqui, o ímpeto experimental e a ambição formal que mais tarde levaria ao auge em "Napoleão" (1927). A montagem acelerada, o uso expressivo de closes e as tentativas de traduzir estados de espírito em imagens mostram um cineasta à frente de seu tempo, buscando expandir o que o cinema mudo podia expressar. Como narrativa, porém, o filme pode soar irregular e, por vezes, arrastado. A história de amor e obsessão entre o maquinista e a jovem órfã que ele cria mistura melodrama com momentos de lirismo visual, mas nem sempre mantém o mesmo interesse ao longo de sua extensa duração que é de, nada mais nada menos que 270 minutos, ou seja, 4h30m. Então prepare-se! É uma obra que exige disposição e paciência, mas que recompensa quem se interessa por acompanhar de perto a evolução da linguagem cinematográfica em seus primórdios.
