21.2.16

"Vinyl" - Martin Scorsese (EUA, 2016)

Sinopse: A história gira em torno de Richie Finestra (Bobby Cannavale), um executivo da gravadora American Century Records que não quer que a empresa seja vendida para um grupo alemão após deixar de ser a líder no mercado fonográfico. Além do envolvimento do empresário com os artistas, ao tentar salvar sua gravadora, Finestra tem que lidar com problemas pessoais, o vício em drogas e cuidar de sua família.
Comentário: Martin Scorsese (1942) é um diretor de cinema norte-americano. Assisti dele a obra prima "Os Bons Companheiros" (1990), os ótimos "Os Infiltrados" (2006) e "Ilha do Medo" (2009) e os bons "Alice Não Mora Mais Aqui" (1974), "O Aviador" (2004), "A Invenção de Hugo Cabret" (2011) e "O Lobo de Wall Street" (2013), além dos documentários "No Direction Home: Bob Dylan" (2005) e "Rolling Stones - Shine a Light" (2007). Desta vez vou conferir "Vinyl" (2016).
Trata-se do longa piloto que deu origem à série Vinyl. O filme é o resultado de um encontro entre dois grandes mestres da arte: Mick Jagger e Martin Scorsese. Os dois se juntaram a Terence Winter ("The Sopranos", "Boardwalk Empire") como produtores executivos dessa nova série de TV, que fala sobre a música dos anos 70 de um ponto de vista bastante particular.
O que eu achei: “Vinyl” (2016), é um filme de longa-metragem que serviu de piloto para um posetrior seriado de mesmo nome. O que se vê aqui é o colapso e a reinvenção de um homem dentro da indústria musical dos anos 1970. Acompanhamos Richie Finestra, vivido por Bobby Cannavale, um executivo de gravadora em crise criativa e pessoal, tentando sobreviver em um mercado que está mudando rapidamente. É importante dizer: Richie Finestra não existiu de verdade. O personagem é fictício, ainda que claramente inspirado em diversos nomes reais do mercado fonográfico da época, funcionando como um retrato condensado de uma geração de produtores e empresários. Como curiosidade, o filme é bastante interessante. Scorsese imprime energia e estilo desde a abertura, com uma direção pulsante que tenta traduzir o espírito caótico, excessivo e muitas vezes autodestrutivo daquele universo. A trilha sonora é um dos grandes destaques, recheada de clássicos que ajudam a situar o espectador naquele momento de transição entre o rock tradicional, o surgimento do punk e a ascensão da disco music. Por outro lado, há um certo exagero que, em alguns momentos, pesa. O filme parece mais interessado em capturar a sensação da época - drogas, sexo, música e descontrole - do que em aprofundar seus personagens de forma consistente. Isso não chega a comprometer totalmente a experiência, mas limita seu impacto dramático. No fim, funciona bem como um retrato estilizado daquele período, mais valioso como curiosidade sobre os bastidores da indústria musical do que como uma narrativa plenamente desenvolvida. Ainda assim, é instigante e possui a assinatura inconfundível de Scorsese.