9.11.15

"Número 17" - Alfred Hitchcock (Reino Unido, 1932)

Sinopse: Um homem (John Stuart) decide investigar o motivo de uma casa à venda estar com as luzes acesas. Lá, ele encontra Ben (Leon M. Lion), um maltrapilho bem-humorado, e um corpo. Ao tentar resolver esse mistério, ele se vê encurralado em uma reunião de ladrões, que estão prestes a deixar o país levando os frutos do seu mais recente roubo.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele as obras-primas: "Os Pássaros" (1936), "Festim Diabólico" (1948), "Janela Indiscreta" (1954), "Um Corpo Que Cai" (1958) e "Psicose" (1960);
- os ótimos: "O Inquilino" (1927), "Chantagem e Confissão" (1929), "Sabotagem" (1936), "Jovem e Inocente" (1937), "A Dama Oculta" (1938), "A Sombra de Uma Dúvida" (1943), "Interlúdio" (1946), "Pacto Sinistro" (1951), "Disque M para Matar" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e "Frenesi" (1972); os bons: "Os 39 Degraus" (1935), "O Agente Secreto" (1936), "A Estalagem Maldita" (1939), "Correspondente Estrangeiro" (1940), "Pavor nos Bastidores" (1950), "O Terceiro Tiro" (1955) e "Trama Macabra" (1976) e o não tão interessante: "O Homem Que Sabia Demais" (1934). Desta vez vou conferir "Número 17" (1932). 
Segundo Luiz Santiago do Plano Crítico, "confuso, abruto e truncado… essas seriam as palavras exatas com as quais eu definiria" este "filme odiado pelo próprio Alfred Hitchcock e por meio mundo de cinéfilos também. A película é a adaptação de um romance e de uma peça de Joseph Jefferson Farjeon, que também co-escreveu o roteiro do filme, e se passa em basicamente dois cenários; o primeiro numa casa sem moradores, e o segundo em externas, acompanhando uma perseguição aos bandidos que roubaram um valioso colar. Este último momento, a despeito de todas as suas falhas, é a melhor parte da obra, se é que podemos denominar assim. (...)
A montagem é o motor da confusão, mais uma vez. O responsável por ela é A.C. Hammond, que, orientado por Hitchcock, tentou criar um complexo jogo de ângulos-surpresa, principalmente quando 'o assassino e o assassinado' são peças do jogo de mistério, mas tudo o que vemos na tela é uma sequência atrapalhada de takes ligados por personagens assustados, sons de vento forte, portas batendo e planos de detalhe em coisas que não acrescentam absolutamente nada à história. Conforme os minutos avançam, esses planos diminuem e é nesse momento que passamos a aproveitar melhor o filme".
O que eu achei: "Número 17" (1932) é um dos raros deslizes na carreira de Alfred Hitchcock. Primeiro, o filme foi feito em uma fase muito inicial da carreira do diretor, quando ele ainda experimentava a transição do cinema mudo para o sonoro. O resultado foi uma narrativa um tanto confusa e com personagens pouco desenvolvidos, o que acaba dificultando o envolvimento emocional do espectador. Além disso, o roteiro é frágil e cheio de reviravoltas forçadas, sem o brilho ou a engenhosidade que Hitchcock alcançaria poucos anos depois em obras como "Os 39 Degraus" (1935). Tecnicamente, embora haja alguns momentos de criatividade, como a perseguição no trem, eles não compensam o ritmo irregular e o humor estranho que não funciona tão bem. É um longa para ser visto mais como uma curiosidade na filmografia de Hitchcock do que como um título relevante.