9.11.15

"Hotel Mekong" - Apichatpong Weerasethakul (Reino Unido/Tailândia, 2012)

Sinopse: Um relato experimental sobre o Mekong, um dos maiores rios do mundo, que percorre a fronteira entre a Tailândia e o Laos.
Comentário: Apichatpong Weerasethakul (1970) é um diretor tailandês que faz filmes pouco convencionais. Assisti dele o ótimo "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010). Desta vez vou assistir "Hotel Mekong" (2012).
Segundo Kênia Freitas do Cineplayers, "Como filmar um rio e as suas transformações? Como mostrar para além de sua materialidade caudalosa – ainda maior pelas recentes inundações que o afetam – os espíritos que o assombram e as variadas histórias que povoam ao longo dos séculos sua extensa margem? É esse exercício de filmar o que não caberia em imagens a que se propõe Apichatpong Weerasethakul em 'Hotel Mekong' (2012).
O filme nasce de um projeto quase documental: mostrar os processos de mudança do maior rio da Ásia, o Mekong, que devido ao crescente desmatamento da região e a construção de hidroelétricas, passa por desvio e inundações que afetam a população a sua margem. Mas, desconstruindo os elementos de constituição de sua obra anterior, Apichatpong dilui essa narrativa de maneira bastante experimental. Assim, se o rio Mekong é também uma presença física abundante que Apichatpong filma demoradamente no final do filme (cena em que barcos e jet skis navegam pelas águas), também interessa ao diretor o seu registro imaterial (espiritual? sobrenatural? transcendente?).
Para tanto, o Apichatpong instala os três atores de sua narrativa no hotel que dá título ao filme e margeia o rio. Em um exercício de experimentação variada, os três ensaiam, recitam e relembram o texto de 'Ecstasy Garden' (filme escrito anos antes, pelo diretor). (...)
Nesse exercício de fabulação do mitológico, o que nos lembra Apichatpong é que o tempo, no cinema e no rio, existe também como infinitude de presentes. Onde é possível que em uma cena o espírito Pob encarnado na mãe coma as entranhas da filha sobre a cama; que em outra a filha esteja feliz com seu amante e, na sequência seguinte, que os namorados se reencontrem como espíritos em outras encarnações. Sem bifurcações de linearidade cronológica, todos os presentes contraditórios são copossíveis e simultâneos. Um filme é imagem/som e mise en scène. Um rio é materialidade e sua fabulação ao redor".
O que eu achei: Assim como "Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas" (2010), o filme é lento, mas interessante. Trata-se mais de uma experiência sensorial do que um filme com começo, meio e fim. Veja disposto.