Sinopse: Ramón Sampedro (Javier Barden) tornou-se tetraplégico ainda jovem, ao mergulhar num braço de mar mais raso do que ele imaginava. A partir desse dia, sua vida se resumiu a ficar deitado numa cama na casa do seu irmão mais velho (Celso Bugallo), aos cuidados da cunhada (Mabel Rivera), do pai (Joan Dalmau) e do sobrinho (Tamar Novas). Após 26 anos nesta situação, Ramón tenta conseguir na justiça o direito à eutanásia. Como não consegue, ele se suicida com a ajuda de uma vizinha (Lola Dueñas) apaixonada por ele.
Comentário: Alejandro Amenábar (1972) é um cineasta chileno-espanhol nascido em Santiago do Chile. Ele dirigiu diversos filmes, além de ter atuado na produção de roteiros ou como produtor e compositor de músicas. "Mar Adentro" (2004) é o primeiro filme que vejo dele.
Baseado em história real, o filme ganhou o Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
Segundo Angélica Brito, filmes não devem necessariamente ter uma espécie de “moral da história”. Muito fácil produzir um longa que tente passar uma lição para o espectador; difícil é fazer com que ele realmente sinta algo depois da projeção. "Mar Adentro" é desses que em vez de passar alguma lição de vida, prefere deixar ao espectador a chance de concluir em relação às situações dramáticas que seu diretor nos apresenta. A grande questão - mais do que a legitimação do suicídio ou as condições de vida de um tetraplégico - é o direito sobre a vida. Você pode concordar com sua decisão, ou não.
O que eu achei: "Mar Adentro" (2004) é um filme sensível e bem conduzido que aborda um tema espinhoso - o direito de morrer - sem cair em sensacionalismo. Inspirado na história real de Ramón Sampedro, o longa opta por um tom sóbrio e humanista, interessado menos em provocar choque e mais em compreender as contradições morais, afetivas e legais em torno de sua decisão. É um filme que se apoia no diálogo, nos silêncios e nas pequenas variações emocionais, o que lhe confere dignidade e seriedade. Javier Bardem sustenta a obra com uma atuação contida e convincente, evitando qualquer traço melodramático fácil. Ao seu redor, os personagens funcionam como forças em tensão: a cunhada prática e resignada, o irmão mais duro e pragmático, a vizinha Rosa, que encarna a defesa apaixonada da vida. Amenábar constrói esse mosaico com equilíbrio, permitindo que diferentes pontos de vista coexistam sem que o filme imponha uma resposta definitiva ao espectador. Embora não seja uma obra arrebatadora ou inovadora em termos de linguagem, "Mar Adentro" cumpre muito bem sua proposta. É um filme correto, bem interpretado e emocionalmente honesto, que provoca reflexão e empatia, tratando com delicadeza um dos dilemas mais complexos da condição humana.
