29.8.10

"O Homem Que Sabia Demais" - Alfred Hitchcock (EUA, 1956)

Sinopse: Um médico americano (James Stewart), sua esposa (Doris Day) e filho (Christopher Olsen) estão em férias no Marrocos quando testemunham um assassinato. Antes de morrer, a vítima (Daniel Gélin) lhes revela um segredo: de que uma figura importante será assassinada em Londres durante um concerto no Albert Hall. Para garantir seu silêncio, terroristas sequestram o filho do casal. O casal terá então que tentar evitar a morte da personalidade e recuperar a criança.
Comentário: Alfred Hitchcock (1899-1980) foi um diretor e produtor cinematográfico britânico. Amplamente considerado um dos mais reverenciados e influentes cineastas de todos os tempos, Hitchcock foi eleito pelo The Telegraph o maior diretor da história da Grã-Bretanha e, pela Entertainment Weekly, o maior do cinema mundial. Conhecido como "Mestre do Suspense", dirigiu em torno de 53 longas-metragens ao longo de seis décadas de carreira, parte dela na Inglaterra, parte nos EUA. Tornou-se também famoso também por conta das frequentes aparições em seus filmes e pela apresentação do programa "Alfred Hitchcock Presents" (1955-1965). Assisti dele os ótimos "Sabotagem" (1936) e "A Sombra de Uma Dúvida" (1943) e os bons "Os 39 Degraus" (1935) e "O Agente Secreto" (1936). Desta vez vou conferir "O Homem Que Sabia Demais" (1956).
O filme americano de 1956 é uma refilmagem de um filme homônimo do próprio diretor, feito na Inglaterra em 1934. 
Em 1957 o filme recebeu o Oscar na categoria de Melhor Canção Original, por "Whatever Will Be, Will Be" (Que Será, Será).
O que eu achei: “O Homem Que Sabia Demais”, versão de 1956, é um exemplo brilhante de como o cineasta dominava a arte de transformar uma premissa simples em um thriller cheio de tensão e estilo. A trama acompanha um casal americano que, durante férias no Marrocos, se vê envolvido em uma conspiração internacional após o sequestro do filho. Hitchcock conduz a narrativa com um equilíbrio perfeito entre suspense e momentos mais íntimos, criando um filme envolvente e bem estruturado do começo ao fim. A presença de James Stewart e Doris Day dá ao longa uma força especial. Stewart traz sua habitual naturalidade para o papel de pai determinado, enquanto Doris Day surpreende não apenas na parte dramática, mas também em sua interpretação da canção “Que Sera, Sera”, que se encaixa organicamente na história e serve de elemento chave em uma das sequências mais tensas do filme. A química entre os dois protagonistas ajuda a dar credibilidade ao casal, tornando o público mais próximo de seus dilemas. Hitchcock brilha particularmente nas sequências de suspense, com destaque para a famosa cena no Albert Hall, onde o silêncio e a música conduzem a tensão a um nível impressionante. A fotografia, a trilha sonora de Bernard Herrmann e o ritmo preciso da direção contribuem para fazer de "O Homem Que Sabia Demais" uma obra que combina emoção, mistério e um refinamento técnico notável. Como se trata de uma refilmagem, agora bateu aquela vontade de ver o original do próprio diretor, feito na Inglaterra em 1934, mas dizem que este supera em muito o primeiro. A conferir.