Sinopse: Joe (Joaquin Phoenix), um veterano de guerra traumatizado, ganha a vida sendo matador de aluguel. Não um matador de aluguel convencional que aceita qualquer tipo de encomenda. A sua especialidade e foco de trabalho é rastrear e libertar jovens desaparecidas que foram sequestradas por redes de tráfico sexual. Quando um trabalho fica fora de controle, seus pesadelos o alcançam. Ao mesmo tempo, uma conspiração é descoberta, o levando a uma viagem que pode ser para a sua morte ou para seu despertar.
Comentário: Lynne Ramsay (1969) é uma cineasta e roteirista escocesa. Ela ganhou reconhecimento internacional com filmes como "O Lixo e o Sonho" (1999) e "O Romance de Morvern Callar" (2002). Sua obra explora temas complexos como trauma, violência e relações familiares. Assisti dela o excelente "Precisamos Falar Sobre Kevin" (2011). Desta vez vou conferir "Você Nunca Esteve Realmente Aqui" (2017).
Trata-se de um thriller psicológico dirigido por Lynne Ramsay, baseado na novela homônima "You Were Never Really Here", publicada em 2013. O roteiro foi adaptado pela própria Ramsay, que manteve a essência da obra original, mas imprimiu um estilo bastante pessoal, privilegiando a narrativa visual e o estado psicológico do protagonista.
Trata-se de um thriller psicológico dirigido por Lynne Ramsay, baseado na novela homônima "You Were Never Really Here", publicada em 2013. O roteiro foi adaptado pela própria Ramsay, que manteve a essência da obra original, mas imprimiu um estilo bastante pessoal, privilegiando a narrativa visual e o estado psicológico do protagonista.
A história acompanha Joe, um ex-soldado e ex-agente do FBI que trabalha resgatando meninas vítimas de exploração sexual. Marcado por traumas de guerra e da infância, ele aceita uma missão para encontrar a filha de um influente político, mas acaba envolvido em uma conspiração muito maior do que imaginava.
O protagonista é interpretado por Joaquin Phoenix, em uma atuação considerada uma das melhores de sua carreira. O elenco ainda conta com Judith Roberts, no papel da mãe de Joe, Ekaterina Samsonov e Alex Manette. Embora Phoenix concentre quase toda a atenção, o restante do elenco contribui para a atmosfera intimista e opressiva do filme.
As filmagens ocorreram principalmente na cidade de Nova York, aproveitando ruas, hotéis e bairros menos turísticos para construir um ambiente sombrio e realista. A fotografia de Thomas Townend utiliza sombras, reflexos e iluminação urbana para reforçar a sensação de isolamento do protagonista.
O longa estreou em competição no Festival de Cannes 2017, onde conquistou dois dos principais prêmios da mostra: Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Roteiro para Lynne Ramsay. Também recebeu diversas indicações de associações de críticos ao redor do mundo.
Uma curiosidade interessante é que Ramsay optou por eliminar grande parte da violência gráfica. Em vez de mostrar as agressões diretamente, ela frequentemente as apresenta por meio de câmeras de segurança, reflexos ou apenas por suas consequências. Essa escolha desloca o foco da ação para o impacto emocional e psicológico dos acontecimentos.
Outro aspecto bastante comentado foi a trilha sonora composta por Jonny Greenwood, guitarrista da banda Radiohead. Sua música alterna passagens minimalistas e explosões sonoras, tornando-se um elemento fundamental na construção da atmosfera angustiante que caracteriza o filme.
O que eu achei: Depois de realizar o sensacional “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), Ramsay parecia caminhar para consolidar uma filmografia impecável. Aqui, porém, ela entrega um filme que parece acreditar que omitir informações é sinônimo de profundidade. Nada é devidamente explicado e quase nada é desenvolvido. Os traumas do protagonista, a conspiração envolvendo a garota desaparecida e as motivações dos personagens permanecem superficiais, como se o espectador tivesse de preencher sozinho lacunas demais. É verdade que nem todo filme precisa responder a tudo. O problema é quando a falta de explicações impede qualquer envolvimento com a história. Em vez de despertar curiosidade, a narrativa acaba gerando distanciamento. Quando os créditos finais aparecem, fica a sensação de que muito ficou apenas esboçado. Quem realmente sustenta o longa é Joaquin Phoenix. Sua interpretação é excelente e consegue transmitir a dor, o trauma e a exaustão física e emocional de Joe com pouquíssimos diálogos. Mesmo quando o roteiro parece perdido, Phoenix permanece hipnotizante em cena, demonstrando mais uma vez por que é um dos grandes atores de sua geração. Tecnicamente, o filme também é competente. A fotografia, a montagem e a trilha sonora criam uma atmosfera opressiva e melancólica. Mas, no meu caso, isso não foi suficiente para compensar a fragilidade da narrativa. No fim, “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” me pareceu um filme muito mais interessado em cultivar um clima do que em contar uma história. Vale pela atuação de Joaquin Phoenix, que é extraordinária. Fora isso, sobra pouco. Foi uma experiência frustrante, especialmente por vir de uma diretora que já demonstrou ser capaz de fazer muito melhor.
O protagonista é interpretado por Joaquin Phoenix, em uma atuação considerada uma das melhores de sua carreira. O elenco ainda conta com Judith Roberts, no papel da mãe de Joe, Ekaterina Samsonov e Alex Manette. Embora Phoenix concentre quase toda a atenção, o restante do elenco contribui para a atmosfera intimista e opressiva do filme.
As filmagens ocorreram principalmente na cidade de Nova York, aproveitando ruas, hotéis e bairros menos turísticos para construir um ambiente sombrio e realista. A fotografia de Thomas Townend utiliza sombras, reflexos e iluminação urbana para reforçar a sensação de isolamento do protagonista.
O longa estreou em competição no Festival de Cannes 2017, onde conquistou dois dos principais prêmios da mostra: Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Roteiro para Lynne Ramsay. Também recebeu diversas indicações de associações de críticos ao redor do mundo.
Uma curiosidade interessante é que Ramsay optou por eliminar grande parte da violência gráfica. Em vez de mostrar as agressões diretamente, ela frequentemente as apresenta por meio de câmeras de segurança, reflexos ou apenas por suas consequências. Essa escolha desloca o foco da ação para o impacto emocional e psicológico dos acontecimentos.
Outro aspecto bastante comentado foi a trilha sonora composta por Jonny Greenwood, guitarrista da banda Radiohead. Sua música alterna passagens minimalistas e explosões sonoras, tornando-se um elemento fundamental na construção da atmosfera angustiante que caracteriza o filme.
O que eu achei: Depois de realizar o sensacional “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), Ramsay parecia caminhar para consolidar uma filmografia impecável. Aqui, porém, ela entrega um filme que parece acreditar que omitir informações é sinônimo de profundidade. Nada é devidamente explicado e quase nada é desenvolvido. Os traumas do protagonista, a conspiração envolvendo a garota desaparecida e as motivações dos personagens permanecem superficiais, como se o espectador tivesse de preencher sozinho lacunas demais. É verdade que nem todo filme precisa responder a tudo. O problema é quando a falta de explicações impede qualquer envolvimento com a história. Em vez de despertar curiosidade, a narrativa acaba gerando distanciamento. Quando os créditos finais aparecem, fica a sensação de que muito ficou apenas esboçado. Quem realmente sustenta o longa é Joaquin Phoenix. Sua interpretação é excelente e consegue transmitir a dor, o trauma e a exaustão física e emocional de Joe com pouquíssimos diálogos. Mesmo quando o roteiro parece perdido, Phoenix permanece hipnotizante em cena, demonstrando mais uma vez por que é um dos grandes atores de sua geração. Tecnicamente, o filme também é competente. A fotografia, a montagem e a trilha sonora criam uma atmosfera opressiva e melancólica. Mas, no meu caso, isso não foi suficiente para compensar a fragilidade da narrativa. No fim, “Você Nunca Esteve Realmente Aqui” me pareceu um filme muito mais interessado em cultivar um clima do que em contar uma história. Vale pela atuação de Joaquin Phoenix, que é extraordinária. Fora isso, sobra pouco. Foi uma experiência frustrante, especialmente por vir de uma diretora que já demonstrou ser capaz de fazer muito melhor.
