
Comentário: Ritter Fan do site Plano Crítico publicou: “Animação francesa produzida, dentre outros, por ninguém menos do que Natalie Portman, e que é a estreia do quadrinista Ugo Bienvenu na direção e também no roteiro que escreveu ao lado do compatriota Félix de Givry, ‘Arco’ é, como generosamente dizem por aí, uma aproximação do que sairia do Estúdio Ghibli se ele fosse europeu. As palavras-chave, porém, são ‘generosamente’ e ‘aproximação’, pois, apesar de ‘Arco’ realmente conseguir capturar a abordagem de um mundo distópico com mensagens ambientais e ecológicas a partir dos olhos de crianças, a obra não consegue chegar nem próximo do que de melhor o estúdio japonês produziu, ficando anos-luz de distância de qualquer coisa que Hayao Miyazaki tenha capitaneado, isso só para citar o mais celebrado dos cineastas de lá. Por outro lado, temos que lembrar que é um filme de estreia que Bievenu que, além disso, começou a construi-lo sem roteiro algum, só com ideias e desenhos e retirando um dos personagens – o robô Mikki – de sua graphic novel ‘Preferência do Sistema’, mas criando algo que não tem relação alguma com ela, só depois caminhando na direção de algo mais estruturado.
Essa forma de criar ‘Arco’, aliás, fica muito evidente ao longo da projeção. A premissa da animação é, no fundo, muito simples: Arco Dorell (voz no original francês de Oscar Tresanini), um menino do futuro distante que vive em um casa no céu, furta a capa e um diamante de sua irmã mais velha para voar como um ‘arco-íris’ e viajar no tempo para algum momento também no futuro da Terra, mas mais próximo de nós, em que as pessoas ainda vivem no solo, mas com casas protegidas da cada vez mais furiosa natureza por escudos de força e com os humanos servidos por robôs variados, de professores a bombeiros e, claro, babás, com é o caso do citado Mikki (o próprio Bienvenu), que cuida de Íris (Margot Ringard Oldra) e de seu irmão ainda bebê, já que seus pais trabalham fora durante a semana e só se comunicam via hologramas. Como ‘Arco’ é inexperiente, sua viagem no tempo é descontrolada, fazendo-o cair e perder o diamante que permite o voo e que é achado por quase literais Três Patetas que há 20 anos caçam esse fenômeno de arco-íris gerados por humanos que um dia viram, mas que ninguém acredita neles. Não há muito nessa premissa, sendo bem sincero, com Bienevenu muito mais preocupado em desfilar suas ideias de dois futuros pessimistas para o mundo, como degraus em uma escada autodestrutiva.
A abordagem das consequências da interferência humana no planeta é pessimista, de aviso de um vindouro e bem real cataclismo ambiental, mas, ao mesmo tempo, não de tentativa de reversão dos efeitos, mas sim de adaptação a eles, o que passa uma estranha mensagem de ‘vamos deixar acontecer, pois somos capazes de lidar com o que vem por aí’, mas que talvez tenha conexão com a ideia de que já é tarde demais para fazermos algo”.
Essa forma de criar ‘Arco’, aliás, fica muito evidente ao longo da projeção. A premissa da animação é, no fundo, muito simples: Arco Dorell (voz no original francês de Oscar Tresanini), um menino do futuro distante que vive em um casa no céu, furta a capa e um diamante de sua irmã mais velha para voar como um ‘arco-íris’ e viajar no tempo para algum momento também no futuro da Terra, mas mais próximo de nós, em que as pessoas ainda vivem no solo, mas com casas protegidas da cada vez mais furiosa natureza por escudos de força e com os humanos servidos por robôs variados, de professores a bombeiros e, claro, babás, com é o caso do citado Mikki (o próprio Bienvenu), que cuida de Íris (Margot Ringard Oldra) e de seu irmão ainda bebê, já que seus pais trabalham fora durante a semana e só se comunicam via hologramas. Como ‘Arco’ é inexperiente, sua viagem no tempo é descontrolada, fazendo-o cair e perder o diamante que permite o voo e que é achado por quase literais Três Patetas que há 20 anos caçam esse fenômeno de arco-íris gerados por humanos que um dia viram, mas que ninguém acredita neles. Não há muito nessa premissa, sendo bem sincero, com Bienevenu muito mais preocupado em desfilar suas ideias de dois futuros pessimistas para o mundo, como degraus em uma escada autodestrutiva.
A abordagem das consequências da interferência humana no planeta é pessimista, de aviso de um vindouro e bem real cataclismo ambiental, mas, ao mesmo tempo, não de tentativa de reversão dos efeitos, mas sim de adaptação a eles, o que passa uma estranha mensagem de ‘vamos deixar acontecer, pois somos capazes de lidar com o que vem por aí’, mas que talvez tenha conexão com a ideia de que já é tarde demais para fazermos algo”.
“Arco” foi vencedor do prêmio de Melhor Filme do Festival de Annecy, o mais prestigioso festival dedicado a animações. Também foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme de Animação.
O que disse a crítica 1: Ritter Fan do site Plano Crítico avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “’Arco’ é sem dúvida visualmente bonito assim de longe, mas, quando mergulhamos nos detalhes, o que fica mesmo é o didatismo da mensagem ambiental e pouca expressividade dos personagens humanos em um filme que é menos do que a soma de suas partes e que sofre por parecer uma obra corrida, feita contra o tempo, apesar de, ironicamente, ter a viagem no tempo como um de seus expedientes narrativos. É, sem dúvida alguma, um primeiro esforço válido por parte de Ugo Bienvenu, pelo que fica a esperança que seu próximo projeto tenha mais tempo de maturação, pois, se seu objetivo é realmente merecer a honra de ter sua criação legitimamente mencionada na mesma frase que ‘Estúdio Ghibli’, então ele tem um longo caminho pela frente”.
O que disse a crítica 2: Pedro Henrique Ribeiro do site Omelete avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Do início ao fim, a animação de Ugo Bienvenu funciona como um verdadeiro arco-íris: simples e natural, mas extremamente impressionante. Uma obra de arte que merece ser vista pela incerteza da repetição. Apostando na força da amizade e na infinitude do amor, ‘Arco’ apresenta uma história guiada pela pureza e determinação, e nos ensina que é nos grandes saltos que aprendemos a voar”.
O que eu achei: "Arco" (2025), a aclamada ficção científica dirigida pelo ilustrador francês Ugo Bienvenu que concorreu ao Oscar, é uma experiência visual que merece ser vista. O filme se consolida como uma interessante adição ao cinema de animação contemporâneo, apostando na nostalgia técnica e em conceitos filosóficos intrigantes. Na trama, estamos no ano de 2075. A Terra vive um período de crise climática e forte dependência de androides para o cuidado cotidiano. A vida da jovem Iris, de 10 anos, muda completamente quando ela testemunha a queda literal do céu de um garoto misterioso usando um traje tecnológico que o permite voar. Trata-se de Arco, um menino vindo de 2932, que viajou acidentalmente no tempo. Ao lado de Iris e de seu leal robô tutor Mikki, Arco precisa encontrar uma forma de retornar à sua era, onde estão seus pais e irmã. Em uma era dominada pela computação gráfica tridimensional, Bienvenu resgata com maestria a animação tradicional em 2D desenhada à mão. O traço evoca fortes inspirações nas HQs franco-belgas e nos animes clássicos. Chama a atenção o magnífico trabalho de colorização. A paleta de cores é vibrante e poética - especialmente na representação da mata e dos rastros de arco-íris deixados pelas viagens temporais. O longa aborda conceitos de ecologia, memória e conexões familiares frágeis com pais trabalhando fora e androides cuidando das crianças, optando por caminhos não tão complexos e que, portanto, atendem perfeitamente ao público infantil. Tem uma ou outra derrapada no ritmo, mas que não anulam as suas virtudes, entregando uma fábula otimista, sensível e uma direção de arte que compensa qualquer fragilidade do roteiro. Vale a jornada, especialmente para os amantes do gênero.
O que disse a crítica 1: Ritter Fan do site Plano Crítico avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “’Arco’ é sem dúvida visualmente bonito assim de longe, mas, quando mergulhamos nos detalhes, o que fica mesmo é o didatismo da mensagem ambiental e pouca expressividade dos personagens humanos em um filme que é menos do que a soma de suas partes e que sofre por parecer uma obra corrida, feita contra o tempo, apesar de, ironicamente, ter a viagem no tempo como um de seus expedientes narrativos. É, sem dúvida alguma, um primeiro esforço válido por parte de Ugo Bienvenu, pelo que fica a esperança que seu próximo projeto tenha mais tempo de maturação, pois, se seu objetivo é realmente merecer a honra de ter sua criação legitimamente mencionada na mesma frase que ‘Estúdio Ghibli’, então ele tem um longo caminho pela frente”.
O que disse a crítica 2: Pedro Henrique Ribeiro do site Omelete avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Do início ao fim, a animação de Ugo Bienvenu funciona como um verdadeiro arco-íris: simples e natural, mas extremamente impressionante. Uma obra de arte que merece ser vista pela incerteza da repetição. Apostando na força da amizade e na infinitude do amor, ‘Arco’ apresenta uma história guiada pela pureza e determinação, e nos ensina que é nos grandes saltos que aprendemos a voar”.
O que eu achei: "Arco" (2025), a aclamada ficção científica dirigida pelo ilustrador francês Ugo Bienvenu que concorreu ao Oscar, é uma experiência visual que merece ser vista. O filme se consolida como uma interessante adição ao cinema de animação contemporâneo, apostando na nostalgia técnica e em conceitos filosóficos intrigantes. Na trama, estamos no ano de 2075. A Terra vive um período de crise climática e forte dependência de androides para o cuidado cotidiano. A vida da jovem Iris, de 10 anos, muda completamente quando ela testemunha a queda literal do céu de um garoto misterioso usando um traje tecnológico que o permite voar. Trata-se de Arco, um menino vindo de 2932, que viajou acidentalmente no tempo. Ao lado de Iris e de seu leal robô tutor Mikki, Arco precisa encontrar uma forma de retornar à sua era, onde estão seus pais e irmã. Em uma era dominada pela computação gráfica tridimensional, Bienvenu resgata com maestria a animação tradicional em 2D desenhada à mão. O traço evoca fortes inspirações nas HQs franco-belgas e nos animes clássicos. Chama a atenção o magnífico trabalho de colorização. A paleta de cores é vibrante e poética - especialmente na representação da mata e dos rastros de arco-íris deixados pelas viagens temporais. O longa aborda conceitos de ecologia, memória e conexões familiares frágeis com pais trabalhando fora e androides cuidando das crianças, optando por caminhos não tão complexos e que, portanto, atendem perfeitamente ao público infantil. Tem uma ou outra derrapada no ritmo, mas que não anulam as suas virtudes, entregando uma fábula otimista, sensível e uma direção de arte que compensa qualquer fragilidade do roteiro. Vale a jornada, especialmente para os amantes do gênero.