
Comentário: Tim Mielants (1979) é um diretor de cinema belga. Ele é conhecido por suas colaborações com o ator Cillian Murphy, tendo dirigido a terceira temporada de "Peaky Blinders" da BBC, bem como os filmes "Patrick" (2019) e "Wil" (2023), dentre outros. Assisti dele o bom "Pequenas Coisas Como Estas" (2024). Desta vez vou conferir “Steve” (2025).
Trata-se de uma adaptação do best-seller “Shy”, publicado em 2023 pelo escritor Max Porter. O livro retrata algumas horas da noite em que um jovem problemático de 16 anos foge de um reformatório na Inglaterra de 1995. Carregando uma mochila cheia de pedras e fones de ouvido, o protagonista enfrenta memórias de violência, culpa e profunda angústia juvenil.
O protagonista é Shy, um adolescente com histórico de mau comportamento, reprovações e passagens por atos de vandalismo e agressão. O reformatório onde ele está alojado é uma instituição para jovens severamente perturbados e infratores. A narrativa funciona como um monólogo interior fragmentado, misturando prosa e poesia. Na cabeça de Shy ecoam vozes de professores, lembranças da mãe e o volume máximo de músicas eletrônicas que ele usa para tentar abafar a própria dor. Os temas centrais do livro são compaixão, crueldade, depressão na adolescência, masculinidade tóxica e o peso do isolamento emocional.
O próprio escritor Max Porter adaptou o roteiro. Enquanto o livro é focado quase inteiramente na mente do jovem Shy, o filme expande a narrativa e foca em Steve, o diretor do reformatório. É Cillian Murphy que faz o papel de diretor. Na trama, ele luta para salvar a escola do fechamento iminente e manter o controle dos alunos enquanto enfrenta a deterioração de sua própria saúde mental. Jay Lycurgo é quem assume o papel de Shy, o adolescente problemático e autodestrutivo. O filme conta também com grandes nomes britânicos como Emily Watson e a rapper/atriz Simbi Ajikawo (conhecida como Little Simz).
O longa foi capitaneado pelo diretor belga Tim Mielants. Ele já havia trabalhado com Cillian Murphy no drama histórico “Pequenas Coisas como Estas” (2024) e na série Peaky Blinders. Para traduzir a escrita poética e fragmentada do livro, o filme utiliza um estilo visual cru, diálogos sobrepostos, câmeras na mão e monólogos diretos para a tela. A atmosfera recria com fidelidade a estética e a energia da Inglaterra de meados dos anos 1990.
Trata-se de uma adaptação do best-seller “Shy”, publicado em 2023 pelo escritor Max Porter. O livro retrata algumas horas da noite em que um jovem problemático de 16 anos foge de um reformatório na Inglaterra de 1995. Carregando uma mochila cheia de pedras e fones de ouvido, o protagonista enfrenta memórias de violência, culpa e profunda angústia juvenil.
O protagonista é Shy, um adolescente com histórico de mau comportamento, reprovações e passagens por atos de vandalismo e agressão. O reformatório onde ele está alojado é uma instituição para jovens severamente perturbados e infratores. A narrativa funciona como um monólogo interior fragmentado, misturando prosa e poesia. Na cabeça de Shy ecoam vozes de professores, lembranças da mãe e o volume máximo de músicas eletrônicas que ele usa para tentar abafar a própria dor. Os temas centrais do livro são compaixão, crueldade, depressão na adolescência, masculinidade tóxica e o peso do isolamento emocional.
O próprio escritor Max Porter adaptou o roteiro. Enquanto o livro é focado quase inteiramente na mente do jovem Shy, o filme expande a narrativa e foca em Steve, o diretor do reformatório. É Cillian Murphy que faz o papel de diretor. Na trama, ele luta para salvar a escola do fechamento iminente e manter o controle dos alunos enquanto enfrenta a deterioração de sua própria saúde mental. Jay Lycurgo é quem assume o papel de Shy, o adolescente problemático e autodestrutivo. O filme conta também com grandes nomes britânicos como Emily Watson e a rapper/atriz Simbi Ajikawo (conhecida como Little Simz).
O longa foi capitaneado pelo diretor belga Tim Mielants. Ele já havia trabalhado com Cillian Murphy no drama histórico “Pequenas Coisas como Estas” (2024) e na série Peaky Blinders. Para traduzir a escrita poética e fragmentada do livro, o filme utiliza um estilo visual cru, diálogos sobrepostos, câmeras na mão e monólogos diretos para a tela. A atmosfera recria com fidelidade a estética e a energia da Inglaterra de meados dos anos 1990.
Cillian Murphy é um fã confesso do escritor. Ele já havia protagonizado a versão teatral do primeiro livro de Porter, “Grief Is the Thing With Feathers” (O Luto é Aquela Coisa Com Penas), e produziu este filme por meio de sua própria produtora, a Big Things Films.
O que disse a crítica 1: Kevin Rick do Plano Crítico avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “No balanço final, ‘Steve’ não se estabelece como conforto autoral. É imperfeito, por vezes desorientado, ambicioso a ponto de se perder, mas sustenta-se pela atuação de Murphy e do elenco coadjuvante juvenil. Se a narrativa falha em abraçar todos os jovens que acena ou em entregar uma história menos gritante, ela ao menos revela o peso de um homem que tentou ser ponte em um abismo, em todas as crises e estresses que o perseguem ao longo de um dia infernal”.
O que disse a crítica 2: Vitor Polessi do Cine Set avaliou com 3 estrelas, seja, bom. Escreveu: “A escolha de um final mais aberto deixa ‘Steve’ mais ambíguo e sujeito a reflexões. O problema é que ele escorrega em um melodrama exagerado e desnecessário, que só tem a intenção de terminar o filme de forma bonitinha e acolhedora, porém, essa escolha acaba tirando a força da conclusão. A obra não atinge a excelência que poderia por não ousar em desenvolver mais a sua temática e seguir muito saídas fáceis de um drama convencional. Ainda assim é um drama bem conciso, muito bem dirigido e com Cillian Murphy contribuindo para conceder mais qualidade ao projeto”.
O que eu achei: O que me motivou a ver esse filme foi que eu já havia gostado da parceria do diretor Tim Mielants com o ator Cillian Murphy no longa "Pequenas Coisas Como Estas" (2024) e “Steve” (2025) seria uma outra oportunidade de vê-los trabalhando juntos. O filme é um drama psicológico ambientado nos anos 1990 na Inglaterra, com a história se passando inteiramente ao longo de um único dia dentro de um reformatório/internato para ‘jovens problemáticos’ que estão prestes a ser abandonados pela sociedade. O roteiro foi escrito por Max Porter, adaptando seu próprio livro “Shy” (2023), que é o nome de um dos meninos que estão no internato. Ele é um adolescente profundamente fragilizado que lida com traumas do passado e oscila constantemente entre impulsos de violência, autodestruição e o medo do futuro após ter os laços cortados por seus pais que não querem mais ter contato com ele. O filme optou pelo título “Steve” que é o nome do diretor que luta desesperadamente para salvar a instituição do fechamento iminente e manter os alunos na linha. Ao mesmo tempo, ele enfrenta o esgotamento extremo, o vício e a deterioração de sua própria saúde mental. Tanto a escola quanto os personagens do filme são obras de ficção com o local servindo como um reflexo alegórico dos internatos e programas de intervenção social progressistas britânicos comuns na década de 1990. Ao transformar o livro em filme, Porter realizou mudanças estruturais profundas. Enquanto o livro é inteiramente focado na mente caótica e perturbada do adolescente Shy, no filme, o foco muda para o diretor Steve. Acompanhamos o esgotamento físico e mental dele. No livro, o drama de Shy é íntimo e psicológico. No filme, Porter adicionou uma equipe de documentaristas e repórteres gravando dentro do reformatório e uma visita inesperada de um deputado. Isso eleva a pressão sobre Steve, já que a mídia questiona publicamente se o local é um gasto de dinheiro público desnecessário ou não. Além disso, enquanto o livro foca em como a comunidade ajuda o jovem a não se sentir sozinho, o filme foca no peso hercúleo, na solidão e na exaustão que os educadores enfrentam para manter esses jovens seguros. Em entrevistas Max Porter revelou que a ideia de recontar a própria história sob a ótica do professor surgiu após as conversas que teve com leitores e educadores reais durante o lançamento do livro e a importância de vê-los retratados nas telas. Eu particularmente gostei. O ator Cillian Murphy entrega uma performance magnética e sutil que consegue transmitir o esgotamento extremo do diretor apenas através dos olhos, de seus silêncios e de pequenos detalhes físicos, como o hábito angustiante de escrever lembretes nas próprias mãos. Outra qualidade é que o roteiro foge daquele estereótipo batido do ‘professor milagreiro’ que salva os alunos com discursos inspiradores, retratando de forma honesta o sistema de ensino falho, os recursos escassos e os problemas sociais que não se resolvem em um passe de mágica. Os atores que interpretam os adolescentes problemáticos não são atores profissionais, apenas Shy interpretado por Jay Lycurgo é um ator britânico em ascensão: achei que esse mix funcionou perfeitamente para gerar a energia caótica, agressiva e dolorosamente autêntica do reformatório. Gostei também da câmera nervosa que cria uma atmosfera íntima, documental e claustrofóbica, como se tudo estivesse prestes a desmoronar. Outro ponto de destaque é a trilha sonora. Shy ouve em seu fone músicas eletrônicas do gênero drum’n bass dos anos 1990, cujo ritmo acelerado traduz com perfeição a mente barulhenta dos personagens. Em termos de defeitos citaria apenas duas passagens: uma cena que me pareceu óbvia demais e uma outra um tanto açucarada, mas creio que a lição de empatia que o filme traz supera esses pequenos problemas. Há também a questão do final que fica em aberto: que fim afinal tiveram Shy e Steve? Isso você vai ter que tirar suas próprias conclusões.
O que disse a crítica 1: Kevin Rick do Plano Crítico avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, regular. Disse: “No balanço final, ‘Steve’ não se estabelece como conforto autoral. É imperfeito, por vezes desorientado, ambicioso a ponto de se perder, mas sustenta-se pela atuação de Murphy e do elenco coadjuvante juvenil. Se a narrativa falha em abraçar todos os jovens que acena ou em entregar uma história menos gritante, ela ao menos revela o peso de um homem que tentou ser ponte em um abismo, em todas as crises e estresses que o perseguem ao longo de um dia infernal”.
O que disse a crítica 2: Vitor Polessi do Cine Set avaliou com 3 estrelas, seja, bom. Escreveu: “A escolha de um final mais aberto deixa ‘Steve’ mais ambíguo e sujeito a reflexões. O problema é que ele escorrega em um melodrama exagerado e desnecessário, que só tem a intenção de terminar o filme de forma bonitinha e acolhedora, porém, essa escolha acaba tirando a força da conclusão. A obra não atinge a excelência que poderia por não ousar em desenvolver mais a sua temática e seguir muito saídas fáceis de um drama convencional. Ainda assim é um drama bem conciso, muito bem dirigido e com Cillian Murphy contribuindo para conceder mais qualidade ao projeto”.
O que eu achei: O que me motivou a ver esse filme foi que eu já havia gostado da parceria do diretor Tim Mielants com o ator Cillian Murphy no longa "Pequenas Coisas Como Estas" (2024) e “Steve” (2025) seria uma outra oportunidade de vê-los trabalhando juntos. O filme é um drama psicológico ambientado nos anos 1990 na Inglaterra, com a história se passando inteiramente ao longo de um único dia dentro de um reformatório/internato para ‘jovens problemáticos’ que estão prestes a ser abandonados pela sociedade. O roteiro foi escrito por Max Porter, adaptando seu próprio livro “Shy” (2023), que é o nome de um dos meninos que estão no internato. Ele é um adolescente profundamente fragilizado que lida com traumas do passado e oscila constantemente entre impulsos de violência, autodestruição e o medo do futuro após ter os laços cortados por seus pais que não querem mais ter contato com ele. O filme optou pelo título “Steve” que é o nome do diretor que luta desesperadamente para salvar a instituição do fechamento iminente e manter os alunos na linha. Ao mesmo tempo, ele enfrenta o esgotamento extremo, o vício e a deterioração de sua própria saúde mental. Tanto a escola quanto os personagens do filme são obras de ficção com o local servindo como um reflexo alegórico dos internatos e programas de intervenção social progressistas britânicos comuns na década de 1990. Ao transformar o livro em filme, Porter realizou mudanças estruturais profundas. Enquanto o livro é inteiramente focado na mente caótica e perturbada do adolescente Shy, no filme, o foco muda para o diretor Steve. Acompanhamos o esgotamento físico e mental dele. No livro, o drama de Shy é íntimo e psicológico. No filme, Porter adicionou uma equipe de documentaristas e repórteres gravando dentro do reformatório e uma visita inesperada de um deputado. Isso eleva a pressão sobre Steve, já que a mídia questiona publicamente se o local é um gasto de dinheiro público desnecessário ou não. Além disso, enquanto o livro foca em como a comunidade ajuda o jovem a não se sentir sozinho, o filme foca no peso hercúleo, na solidão e na exaustão que os educadores enfrentam para manter esses jovens seguros. Em entrevistas Max Porter revelou que a ideia de recontar a própria história sob a ótica do professor surgiu após as conversas que teve com leitores e educadores reais durante o lançamento do livro e a importância de vê-los retratados nas telas. Eu particularmente gostei. O ator Cillian Murphy entrega uma performance magnética e sutil que consegue transmitir o esgotamento extremo do diretor apenas através dos olhos, de seus silêncios e de pequenos detalhes físicos, como o hábito angustiante de escrever lembretes nas próprias mãos. Outra qualidade é que o roteiro foge daquele estereótipo batido do ‘professor milagreiro’ que salva os alunos com discursos inspiradores, retratando de forma honesta o sistema de ensino falho, os recursos escassos e os problemas sociais que não se resolvem em um passe de mágica. Os atores que interpretam os adolescentes problemáticos não são atores profissionais, apenas Shy interpretado por Jay Lycurgo é um ator britânico em ascensão: achei que esse mix funcionou perfeitamente para gerar a energia caótica, agressiva e dolorosamente autêntica do reformatório. Gostei também da câmera nervosa que cria uma atmosfera íntima, documental e claustrofóbica, como se tudo estivesse prestes a desmoronar. Outro ponto de destaque é a trilha sonora. Shy ouve em seu fone músicas eletrônicas do gênero drum’n bass dos anos 1990, cujo ritmo acelerado traduz com perfeição a mente barulhenta dos personagens. Em termos de defeitos citaria apenas duas passagens: uma cena que me pareceu óbvia demais e uma outra um tanto açucarada, mas creio que a lição de empatia que o filme traz supera esses pequenos problemas. Há também a questão do final que fica em aberto: que fim afinal tiveram Shy e Steve? Isso você vai ter que tirar suas próprias conclusões.