13.6.26

“Elio” – Adrian Molina, Madeline Sharafian & Domee Shi (EUA, 2025)

Sinopse:
Elio é um menino extremamente sonhador, artístico e criativo. Sua dificuldade em se encaixar o torna um garoto solitário, mas muito imaginativo. Sua fascinação pelo espaço e sua obsessão por aliens e vida fora da Terra acabam o levando por engano para Comuniverso, um reino onde opera uma organização interplanetária que abriga representantes de múltiplas e diferentes galáxias. A aventura dos sonhos de Elio começa e rapidamente ele é confundido pelas criaturas como o embaixador e líder da Terra. A partir daí, o menino precisa superar confusões e crises intergalácticas, formar laços com vidas alienígenas e descobrir quem ele realmente é e qual é o seu verdadeiro destino.
Comentário: Jaume Figa Vaello da Aceprensa publicou na Gazeta do Povo: “Elio tem onze anos, uma imaginação sem limites e uma certeza inabalável: não estamos sozinhos no universo. Incompreendido pelo ambiente que o cerca, seu maior desejo é um dia ser abduzido por alienígenas, pois acredita que nada o fará mais feliz. (...)
A Pixar mais uma vez faz o que sabe fazer de melhor: abordar temas profundos com naturalidade e uma abordagem aparentemente direta, mas que, na verdade, é avassaladora. Elio gira em torno de identidade e pertencimento, do desejo de ser reconhecido e aceito, e também aborda – com toques cativantes – a importância da família, da amizade e do papel insubstituível dos pais. Basta pensar em uma cena-chave do filme em que a reação de um pai malvado diante do filho tem impacto devastador.
O projeto foi iniciado por Adrián Molina (um dos roteiristas de ‘Viva – A Vida É uma Festa’, ao lado de Lee Unkrick), mas acabou nas mãos de Madeline Sharafian (do curta-metragem ‘Burrow’) e Domee Shi (diretora de ‘Red: Crescer É uma Fera’ e do curta-metragem vencedor do Oscar ‘Bao’), que codirigem com o próprio Molina. O resultado, como costuma acontecer com filmes que trocam de diretor no meio da produção, é um quebra-cabeça um tanto desconexo.
A estrutura narrativa lembra ‘Up: Altas Aventuras’ e ‘WALL-E’, com personagens principais bem desenvolvidos. No entanto, os personagens secundários são um tanto confusos, e a história geral não consegue atingir a emoção ou a profundidade das animações já citadas. Visualmente, ‘Elio’ herda a espetacularidade técnica de ‘Lightyear’, e o enredo ecoa a profundidade de ‘Interestelar’. Não faltam referências cinematográficas a filmes dos anos 1980, de ‘Contatos Imediatos do Terceiro Grau’ à série de filmes de terror ‘Alien’, sempre temperadas com um humor terno e envolvente”.
O que disse a crítica 1: Iuri Biagioni Rodrigues do site Desenhando Recordatórios avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Disse: “Quando a narrativa parece avançar para algo mais interessante e complexo, acaba tropeçando e seguindo o caminho fácil. Assim, surgem situações mais óbvias, como os líderes do Comuniverso descobrindo as mentiras de Elio, Olga percebendo que tem um clone de seu sobrinho e decidindo procurar o verdadeiro sobrinho, Grigon aceitando o desejo de seu filho muito facilmente e Elio fazendo as pazes com sua tia. Faltou coragem e ousadia para os diretores e roteiristas irem além do esperado, entregando um filme mais emotivo e sério. (...) Em síntese, ‘Elio’ é um filme divertido que conta uma história bacana sobre amizade, amadurecimento e aceitação, mas não tem a mesma magia e profundidade dos filmes da Pixar de outrora”.
O que disse a crítica 2: Diego Souza Carlos do site Adoro Cinema avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Em determinado trecho do filme, um personagem fala ‘Eu talvez não te entenda, mas eu te amo’, e talvez essa cena seja o suficiente para condensar o poder narrativo da Pixar em ‘Elio’. A grandiosidade visual é, sim, estonteante, mas nada seria impactante se não fosse possível conectar o que vemos ao que sentimos. Por sorte, essa aventura consegue fazer essas pontas se conectarem a partir de um personagem imperfeito, adorável e identificável, pois todos nós já sentimos um vazio insuportável a ponto de procurar respostas nos lugares mais improváveis”.
O que eu achei: Com “Elio” (2025), a Pixar volta a apostar na ficção científica para contar uma história sobre pertencimento, solidão e amizade. A premissa é promissora: um garoto fascinado pelo espaço consegue ser abduzido por alienígenas, mas acaba sendo confundido por uma assembleia interplanetária como representante oficial da Terra. O ponto de partida tem o tipo de imaginação que marcou alguns dos melhores momentos do estúdio, mas o resultado final está longe de atingir o mesmo nível. Visualmente, o filme é impecável. Os cenários alienígenas, as criaturas extraterrestres e a riqueza de cores demonstram mais uma vez o extraordinário domínio técnico da Pixar. Há sequências de grande beleza visual e alguns personagens secundários bastante carismáticos, especialmente entre os habitantes do universo cósmico apresentado pela narrativa. O problema está na construção da história. Como costuma acontecer com produções que passam por mudanças significativas durante o desenvolvimento, “Elio” transmite a sensação de ser um quebra-cabeça montado a partir de peças concebidas em momentos diferentes. O filme teve troca de diretores durante a produção, e isso parece refletir em um roteiro que oscila de tom, introduz ideias interessantes que nem sempre são aprofundadas e apresenta conflitos que por vezes parecem desconectados entre si. A sensação é de que existem vários filmes tentando coexistir dentro de um só: uma aventura espacial, um drama familiar, uma história sobre amadurecimento e uma comédia. Individualmente, muitos desses elementos funcionam; juntos, nem sempre encontram harmonia. Isso não significa que a animação seja completamente ruim. Há emoção, humor e mensagens positivas capazes de envolver o público mais jovem. No entanto, falta aquela magia especial que transformou produções como “Up - Altas Aventuras”, “Divertida Mente” ou “Soul” em experiências memoráveis. Simpática e visualmente encantadora, “Elio” é uma animação irregular que, entre os bons momentos e as oportunidades desperdiçadas, deixa a impressão de um filme agradável, porém distante do que a Pixar já foi capaz de entregar.