
Comentário: Tim Mielants (1979) é um diretor de cinema belga. Ele é conhecido por suas colaborações com o ator Cillian Murphy, tendo dirigido a terceira temporada de "Peaky Blinders" da BBC, bem como os filmes "Patrick" (2019), "Wil" (2023), "Pequenas Coisas Como Estas" (2024) e "Steve" (2025). "Pequenas Coisas Como Estas" (2024) é o primeiro filme que vejo dele.
Trata-se de uma adaptação do livro homônimo da escritora irlandesa Claire Keegan, que venceu o Orwell Prize e foi finalista do Booker Prize 2022 e do Rathbones Folio, além de ter entrado para a lista de 100 Melhores Livros do Século XXI do The New York Times.
João Paulo Barreto do site Scream & Yell escreveu: "'Sou um homem irlandês com orgulho aqui essa noite'. Com essa frase, na cerimônia do Oscar 2024, quando agraciado com a estatueta dourada por sua performance no papel de Julius Robert Oppenheimer, Cillian Murphy encerrou o seu discurso de agradecimento reafirmando suas origens e o modo como esse orgulho em relação ao seu país lhe é evidente. Assim, vê-lo assumir como projeto seguinte à epopeia dirigida por Christopher Nolan, um filme que tem em sua essência uma urgente denúncia e toca em feridas sociais tão marcantes para a Irlanda, é algo que torna 'Pequenas Coisas Como Estas' (Small Things Like These) uma obra muito apropriada para seu protagonismo.
E se sua atuação na pele do homem que criou a bomba atômica tinha sua fluidez calcada na verborragia de sua construção (...), neste seu primeiro trabalho após a superexposição trazida pelo longa de Nolan, a percepção palpável é a de uma proposital desaceleração somada a um estado de contemplação de seu personagem.
Tal compasso narrativo se encontra tanto nos silêncios e olhares da atuação de Murphy quanto no modo como o diretor Tim Mielants cria o ritmo de seu filme denúncia, captado pelo testemunho de Bill Furlong, o humilde carvoeiro interpretado por Cillian, que não se entrega à omissão diante de monstruosidades cometidas pelas freiras de uma instituição católica local. Ao mesmo tempo, o agora adulto e pai de família luta contra o turbilhão emocional trazido pelos traumas de sua infância, que acaba por transformar suas cicatrizes em novas feridas.
Conhecidas como 'As Lavanderias de Madalena', as instituições católicas que operavam na Europa, principalmente na Irlanda, entre o século XVII e o final do século XX, supostamente davam abrigo a jovens mulheres abandonadas por seus familiares por serem julgadas como pessoas perdidas devido ao que consideravam comportamentos imorais. Porém, o que se passava publicamente como sendo um local de caridade e acolhimento administrado por freiras para dar suporte a adolescentes, tratava-se de um lugar onde as mulheres trabalhavam em regime de escravidão, passando fome e sofrendo maus tratos.
Em 'Pequenas Coisas Como Estas', é pelo olhar do trabalhador Furlong, cuja própria mãe foi obrigada a entregá-lo para adoção e teve seu destino limado pelo abuso da igreja, que conhecemos a agonia de tais pessoas por trás do muro daquele convento. Enquanto tenta superar seu passado e ligação traumática com sua progenitora, Bill leva sua rotina trabalhadora e humilde, na qual retorna diariamente para seu ritual de lavar as mãos sujas de carvão na pia que fica na entrada de casa antes de reencontrar sua família grande e afetuosa para o tradicional jantar diário em conjunto.
Neste encontro diário com suas meninas, algumas delas já se tornando jovens adultas, o carvoeiro enxerga as dores das adolescentes que passam por aquela clausura de sofrimento dentro de um dogma religioso abusivo e carrasco. Na figura de Emily Watson no papel da madre superiora, o filme entrega seu perfil denunciatório de maneira mais evidente, colocando-a como um retrato de como a religião funciona como uma máfia em uma realidade exploradora da fé. Esse choque de perceber que o símbolo de sua crença pode ser algo a causar o mal entrega a outra luta do personagem que vale ser destacada aqui. Aquela contra seu próprio credo, uma vez que a sua presença familiar na igreja e o modo como, claramente, a quantidade de filhas que trouxe ao mundo denota exatamente a ideia de como a procriação foi algo cuja influência da igreja se fez em sua vida.
O roteiro de Enda Walsh (...) cria para o espectador esses pequenos momentos da rotina de seu protagonista de maneira a nos fazer perceber como aquela vida sem mudanças, calcada justamente no dia a dia do suor do trabalho naquela fria cidade irlandesa, traz o conforto necessário para Furlong escapar de seus tormentos mentais atrelados ao passado. Sua vida em família é algo a se almejar. O desejo por um par de sapatos femininos como presente de Natal ou o modo como eles representam para aquelas jovens algo saudável a construir suas vidas adultas a partir de uma infância feliz e afetuosa, são símbolos disso. Assim, ao observar o gradual crescer de suas filhas, a parceria constante e amorosa de sua esposa, e a maneira como o homem se entrega àquelas horas de trabalho árduo a compor o seu dia, a ideia da busca pela felicidade em coisas simples e pequenas se torna um fator primordial para o filme.
No entanto, em uma das entregas de carvão que precisa fazer no convento, um pedido de socorro lhe faz querer sair da inércia. Servindo como um catalisador emocional, o pedido de uma das jovens que Furlong encontra escondida justamente no local de entrega do carvão, lhe faz reviver os próprios traumas diante do sofrimento pelo qual passou sua mãe. É neste ponto que 'Pequenas Coisas Como Estas' encontra sua virada. Mas ao invés de partir para um modo explosivo de busca por justiça através de seu protagonista, acertadamente a obra mantém seu ritmo cadenciado. Nós o vemos lutar internamente contra seus próprios traumas e contra a citada inércia para buscar agir em prol das vítimas dos abusos do clero feminino.
E se apenas uma pessoa puder ser salva, isso já significará uma redenção para o atormentado Bill Furlong. Seu momento final, quando ao ato de lavar as mãos sujas de carvão no lavabo do hall de entrada de sua casa se acresce um novo elemento, torna-se uma representação precisa da generosidade que compõe seu caráter".
O que disse a crítica 1: Bruno Carmelo do site Meio Amargo avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, fraco. Disse: "A quem interessam os filmes políticos que não investigam causas nem consequências; que evitam apontar os dedos ou nomear responsáveis? Os filmes políticos que não incomodam de fato nenhuma parcela da população ou dos espectadores podem realmente ser considerados políticos? Há conexões possíveis entre os abusos de ontem e o tratamento das mulheres hoje? Entre as cúpulas da igreja antigamente, e seus representantes atuais? O diretor perde a oportunidade (e foge à responsabilidade) de, efetivamente, discutir esta tragédia social para além da perplexidade do pobre mineiro gentil". Ele também critica o fato do filme "se focar no olhar masculino, a partir de uma série de crimes cometidos por mulheres, contra mulheres".
O que disse a crítica 2: Guilherme Jacobs do site Omelete avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Disse: Quando o filme chega ao final, "chegamos a um ponto em que, por mais previsível que seja essa conclusão, ela oferece uma mudança de circunstâncias e emoção. Em especial pela sequência do clímax que começa colocando Bill (Cillian Murphy) e Sarah (Zara Devlin) literalmente no coração da cidade e termina com uma bela rima poética usando as mãos sujas do homem de carvão, Mielants evoca imagens que adicionam substância aos acontecimentos. É tarde demais para fazer um grande filme, mas como Bill e New Ross (a pacata vila irlandesa onde a história se passa), o despertar eventualmente chega".
O que disse a crítica 3: Celso Sabadin do site Planeta Terra gostou demais. Escreveu: "O belga Tim Mielants desenvolve um excelente trabalho de direção no ótimo roteiro. Trabalha com uma maravilhosamente angustiante fotografia escurecida assinada por Frank van den Eeden (premiado por 'Close'), uma direção de arte primorosa, e brinda seu protagonista com generosos closes através dos quais o espectador é praticamente convidado a partilhar de seus pensamentos silenciosos. O ritmo cadenciado da montagem, potencializando os momentos de suspense, também é notável".
O que eu achei: Trata-se de um filme denúncia que aborda o caso das Lavanderias de Madalena, instituições administradas por ordens católicas da Irlanda, que funcionaram de 1922 até 1998, para abrigar as chamadas ‘mulheres caídas’, título dado à mulheres que engravidaram fora do casamento. A ideia era funcionar como uma prisão onde essas grávidas lavavam roupa com a finalidade de obter regeneração espiritual e arrependimento, gerando renda para as ordens religiosas. Em outras palavras, era trabalho escravo travestido de penitência. O roteiro foi baseado no livro da irlandesa Claire Keegan e desenvolvido a partir de casos reais. O fio condutor da narrativa é Bill Furlong (Cillian Muprhy), um conhecido vendedor local de madeira e carvão que inadvertidamente descobre as atrocidades e entra numa forte crise de consciência, sem saber como denunciar os crimes. A trama intercala o momento presente com o passado já que o próprio Bill cresceu como filho de mãe solteira, então a situação vai tocar em feridas antigas e valores internos, provocando uma dolorosa revisão de seus princípios. Não espere um filme agitado, nem cheio de reviravoltas. Essa Irlanda sombria é mostrada através da fotografia assinada por Frank van den Eeden, magnificamente bem-feita, escura, nublada, com tudo sendo mostrado de modo lento, sutil e melancólico. O resultado é um convite à empatia. Um retrato do que acontece quando vemos no outro nossa própria dor e nos sentimos impelidos a agir. Atenção à atuação do ator irlandês Cillian Murphy, oscarizado pelo seu recente trabalho como Oppenheimer, ele encarna aqui um papel bem mais intimista e delicado transformando-se no maior trunfo do filme.
Trata-se de uma adaptação do livro homônimo da escritora irlandesa Claire Keegan, que venceu o Orwell Prize e foi finalista do Booker Prize 2022 e do Rathbones Folio, além de ter entrado para a lista de 100 Melhores Livros do Século XXI do The New York Times.
João Paulo Barreto do site Scream & Yell escreveu: "'Sou um homem irlandês com orgulho aqui essa noite'. Com essa frase, na cerimônia do Oscar 2024, quando agraciado com a estatueta dourada por sua performance no papel de Julius Robert Oppenheimer, Cillian Murphy encerrou o seu discurso de agradecimento reafirmando suas origens e o modo como esse orgulho em relação ao seu país lhe é evidente. Assim, vê-lo assumir como projeto seguinte à epopeia dirigida por Christopher Nolan, um filme que tem em sua essência uma urgente denúncia e toca em feridas sociais tão marcantes para a Irlanda, é algo que torna 'Pequenas Coisas Como Estas' (Small Things Like These) uma obra muito apropriada para seu protagonismo.
E se sua atuação na pele do homem que criou a bomba atômica tinha sua fluidez calcada na verborragia de sua construção (...), neste seu primeiro trabalho após a superexposição trazida pelo longa de Nolan, a percepção palpável é a de uma proposital desaceleração somada a um estado de contemplação de seu personagem.
Tal compasso narrativo se encontra tanto nos silêncios e olhares da atuação de Murphy quanto no modo como o diretor Tim Mielants cria o ritmo de seu filme denúncia, captado pelo testemunho de Bill Furlong, o humilde carvoeiro interpretado por Cillian, que não se entrega à omissão diante de monstruosidades cometidas pelas freiras de uma instituição católica local. Ao mesmo tempo, o agora adulto e pai de família luta contra o turbilhão emocional trazido pelos traumas de sua infância, que acaba por transformar suas cicatrizes em novas feridas.
Conhecidas como 'As Lavanderias de Madalena', as instituições católicas que operavam na Europa, principalmente na Irlanda, entre o século XVII e o final do século XX, supostamente davam abrigo a jovens mulheres abandonadas por seus familiares por serem julgadas como pessoas perdidas devido ao que consideravam comportamentos imorais. Porém, o que se passava publicamente como sendo um local de caridade e acolhimento administrado por freiras para dar suporte a adolescentes, tratava-se de um lugar onde as mulheres trabalhavam em regime de escravidão, passando fome e sofrendo maus tratos.
Em 'Pequenas Coisas Como Estas', é pelo olhar do trabalhador Furlong, cuja própria mãe foi obrigada a entregá-lo para adoção e teve seu destino limado pelo abuso da igreja, que conhecemos a agonia de tais pessoas por trás do muro daquele convento. Enquanto tenta superar seu passado e ligação traumática com sua progenitora, Bill leva sua rotina trabalhadora e humilde, na qual retorna diariamente para seu ritual de lavar as mãos sujas de carvão na pia que fica na entrada de casa antes de reencontrar sua família grande e afetuosa para o tradicional jantar diário em conjunto.
Neste encontro diário com suas meninas, algumas delas já se tornando jovens adultas, o carvoeiro enxerga as dores das adolescentes que passam por aquela clausura de sofrimento dentro de um dogma religioso abusivo e carrasco. Na figura de Emily Watson no papel da madre superiora, o filme entrega seu perfil denunciatório de maneira mais evidente, colocando-a como um retrato de como a religião funciona como uma máfia em uma realidade exploradora da fé. Esse choque de perceber que o símbolo de sua crença pode ser algo a causar o mal entrega a outra luta do personagem que vale ser destacada aqui. Aquela contra seu próprio credo, uma vez que a sua presença familiar na igreja e o modo como, claramente, a quantidade de filhas que trouxe ao mundo denota exatamente a ideia de como a procriação foi algo cuja influência da igreja se fez em sua vida.
O roteiro de Enda Walsh (...) cria para o espectador esses pequenos momentos da rotina de seu protagonista de maneira a nos fazer perceber como aquela vida sem mudanças, calcada justamente no dia a dia do suor do trabalho naquela fria cidade irlandesa, traz o conforto necessário para Furlong escapar de seus tormentos mentais atrelados ao passado. Sua vida em família é algo a se almejar. O desejo por um par de sapatos femininos como presente de Natal ou o modo como eles representam para aquelas jovens algo saudável a construir suas vidas adultas a partir de uma infância feliz e afetuosa, são símbolos disso. Assim, ao observar o gradual crescer de suas filhas, a parceria constante e amorosa de sua esposa, e a maneira como o homem se entrega àquelas horas de trabalho árduo a compor o seu dia, a ideia da busca pela felicidade em coisas simples e pequenas se torna um fator primordial para o filme.
No entanto, em uma das entregas de carvão que precisa fazer no convento, um pedido de socorro lhe faz querer sair da inércia. Servindo como um catalisador emocional, o pedido de uma das jovens que Furlong encontra escondida justamente no local de entrega do carvão, lhe faz reviver os próprios traumas diante do sofrimento pelo qual passou sua mãe. É neste ponto que 'Pequenas Coisas Como Estas' encontra sua virada. Mas ao invés de partir para um modo explosivo de busca por justiça através de seu protagonista, acertadamente a obra mantém seu ritmo cadenciado. Nós o vemos lutar internamente contra seus próprios traumas e contra a citada inércia para buscar agir em prol das vítimas dos abusos do clero feminino.
E se apenas uma pessoa puder ser salva, isso já significará uma redenção para o atormentado Bill Furlong. Seu momento final, quando ao ato de lavar as mãos sujas de carvão no lavabo do hall de entrada de sua casa se acresce um novo elemento, torna-se uma representação precisa da generosidade que compõe seu caráter".
O que disse a crítica 1: Bruno Carmelo do site Meio Amargo avaliou com 2,5 estrelas, ou seja, fraco. Disse: "A quem interessam os filmes políticos que não investigam causas nem consequências; que evitam apontar os dedos ou nomear responsáveis? Os filmes políticos que não incomodam de fato nenhuma parcela da população ou dos espectadores podem realmente ser considerados políticos? Há conexões possíveis entre os abusos de ontem e o tratamento das mulheres hoje? Entre as cúpulas da igreja antigamente, e seus representantes atuais? O diretor perde a oportunidade (e foge à responsabilidade) de, efetivamente, discutir esta tragédia social para além da perplexidade do pobre mineiro gentil". Ele também critica o fato do filme "se focar no olhar masculino, a partir de uma série de crimes cometidos por mulheres, contra mulheres".
O que disse a crítica 2: Guilherme Jacobs do site Omelete avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Disse: Quando o filme chega ao final, "chegamos a um ponto em que, por mais previsível que seja essa conclusão, ela oferece uma mudança de circunstâncias e emoção. Em especial pela sequência do clímax que começa colocando Bill (Cillian Murphy) e Sarah (Zara Devlin) literalmente no coração da cidade e termina com uma bela rima poética usando as mãos sujas do homem de carvão, Mielants evoca imagens que adicionam substância aos acontecimentos. É tarde demais para fazer um grande filme, mas como Bill e New Ross (a pacata vila irlandesa onde a história se passa), o despertar eventualmente chega".
O que disse a crítica 3: Celso Sabadin do site Planeta Terra gostou demais. Escreveu: "O belga Tim Mielants desenvolve um excelente trabalho de direção no ótimo roteiro. Trabalha com uma maravilhosamente angustiante fotografia escurecida assinada por Frank van den Eeden (premiado por 'Close'), uma direção de arte primorosa, e brinda seu protagonista com generosos closes através dos quais o espectador é praticamente convidado a partilhar de seus pensamentos silenciosos. O ritmo cadenciado da montagem, potencializando os momentos de suspense, também é notável".
O que eu achei: Trata-se de um filme denúncia que aborda o caso das Lavanderias de Madalena, instituições administradas por ordens católicas da Irlanda, que funcionaram de 1922 até 1998, para abrigar as chamadas ‘mulheres caídas’, título dado à mulheres que engravidaram fora do casamento. A ideia era funcionar como uma prisão onde essas grávidas lavavam roupa com a finalidade de obter regeneração espiritual e arrependimento, gerando renda para as ordens religiosas. Em outras palavras, era trabalho escravo travestido de penitência. O roteiro foi baseado no livro da irlandesa Claire Keegan e desenvolvido a partir de casos reais. O fio condutor da narrativa é Bill Furlong (Cillian Muprhy), um conhecido vendedor local de madeira e carvão que inadvertidamente descobre as atrocidades e entra numa forte crise de consciência, sem saber como denunciar os crimes. A trama intercala o momento presente com o passado já que o próprio Bill cresceu como filho de mãe solteira, então a situação vai tocar em feridas antigas e valores internos, provocando uma dolorosa revisão de seus princípios. Não espere um filme agitado, nem cheio de reviravoltas. Essa Irlanda sombria é mostrada através da fotografia assinada por Frank van den Eeden, magnificamente bem-feita, escura, nublada, com tudo sendo mostrado de modo lento, sutil e melancólico. O resultado é um convite à empatia. Um retrato do que acontece quando vemos no outro nossa própria dor e nos sentimos impelidos a agir. Atenção à atuação do ator irlandês Cillian Murphy, oscarizado pelo seu recente trabalho como Oppenheimer, ele encarna aqui um papel bem mais intimista e delicado transformando-se no maior trunfo do filme.