
Comentário: Agnès Varda (1928-2019) foi uma fotógrafa e cineasta belga que se radicou na França. É considerada uma das precursoras da Nouvelle Vague. Seus filmes se notabilizam pela produção caseira e pela pesquisa de uma linguagem extremamente pessoal. Assisti dela o bom “Cléo das 5 às 7” (1962) e os documentários “Daguerreótipos” (1975), "Ulysse" (1982), "Os Catadores e Eu" (2000), "As Praias de Agnès" (2008) e "Visages, Villages" (2016) em parceria com o fotógrafo JR. Desta vez vou conferir o documentário “Jane B. por Agnès V.” (1988).
Bárbara Janicas do site À Pala de Walsh publicou: “A mais fotogênica das vozes, ‘a mais francesa das inglesas’, Jane Birkin (1946-2023), tinha apenas vinte anos quando obteve o seu primeiro papel de figurante em ‘A Bossa da Conquista’ (1965) de Richard Lester, um dos filmes emblemáticos da Swinging London, logo seguido de uma aparição – escandalosamente nua’ – em ‘Blow-up – Depois Daquele Beijo’ (1966) de Michelangelo Antonioni. O arranque da sua carreira de atriz na França foi impulsionado pelo mítico encontro com Serge Gainsbourg, durante as filmagens de ‘Slogan’ (1968) de Pierre Grimblat, e o resto é história: rapidamente, Jane Birkin tornou-se a musa e companheira do cantor e compositor, que lhe prestou homenagem em ‘História de Melody Nelson’ (1971) e a dirigiu na sua primeira realização, o polêmico ‘Paixão Selvagem’ (1976).
O que são cinco décadas de cinema na vida de uma mulher? Figura icônica na paisagem cultural francesa da segunda metade do século XX, Jane Birkin desdobra-se em campanhas de moda, tournées musicais e papéis ecléticos na grande e na pequena tela, atravessando simultaneamente o cinema popular (ao lado de Pierre Richard em várias comédias de Claude Zidi) e o cinema de autor pós-Nouvelle Vague - tendo sido várias vezes dirigida por Jacques Doillon, com quem foi casada - ‘A Filha Pródiga’ (1980), ‘A Pirata’ (1984), ‘Comédie!’ (1987) - e por Jacques Rivette – ‘O Amor Por Terra’ (1983); ‘A Bela Intrigante’ (1991), ‘36 Vistas do Monte Saint-Loup’ (2009). Mesmo após uma vida de excessos, o diagnóstico de uma leucemia, no final dos anos 90, e a tragédia da morte da sua filha mais velha, a fotógrafa Kate Barry, em 2013, a aura sedutora e irreverente da it-girl manteve-se intocável ao longo dos anos.
Obviamente, Jane Birkin não é imune à passagem do tempo, e sabe-o bem. A questão do envelhecimento, e do modo como este a afeta, ocupa um lugar central em dois documentários singulares que lhe foram consagrados, com trinta anos de intervalo. O primeiro, ‘Jane B. por Agnès V.’ (1988), trata-se de um retrato cinematográfico, assim o define Agnès Varda, realizado por ocasião do 40° aniversário de Birkin, data particularmente receada pela própria; o segundo, ‘Jane por Charlotte’ (2021), constitui uma espécie de testamento invertido de uma filha (a atriz Charlotte Gainsbourg) para a sua mãe, então com cerca de setenta anos, e cuja saúde começa a dar os primeiros sinais de alerta.
Estes dois filmes constituem um excelente double bill para assinalar a nossa impossível despedida a Jane Birkin, falecida, aos 76 anos (...): o retrato caleidoscópico ‘Jane B. por Agnès V.’ celebra o paradoxo da mulher-atriz que sempre admitiu gostar de posar para as câmaras, mas que ao mesmo tempo desejava ser uma ‘anônima célebre’; já o dueto intimista ‘Jane por Charlotte’ celebra menos o ícone Birkin dos palcos e das capas de revista, do que a plenitude de Jane enquanto mãe imperfeita e mulher madura.
Exceções na carreira de uma artista, musa e modelo, tantas vezes fetichizada pelos homens que a dirigiram, filmaram, amaram e idolatraram, os filmes realizados por Agnès e Charlotte são provavelmente os únicos em que Jane – autorizo-me a tratá-las pelo nome próprio –, não sem pudor e humildade, concebe despir-se da imagem de sex symbol que se lhe colou à pele durante várias décadas e, alma enfim posta a nu diante das objetivas carinhosas da amiga e da filha, se revela infinita e inigualavelmente outra(s).
Com efeito, em ‘Jane B. por Agnès V.’, Varda pretende menos capturar a essência de Birkin tal como ela foi cristalizada pelo male gaze dominante, do que estilhaçar a sua persona através de uma miríade de retratos cinematográficos que sublinham a sua natureza inefável e camaleônica: nas palavras certeiras da cineasta, Birkin oscila entre um androgyne tonic e uma Eva de plasticina; e o poder da câmara é precisamente o de moldar, através da luz, a presença irradiante da atriz na tela, mesmo que isso implique deformar ou refratar a sua imagem. Diante da objetiva de Varda, Birkin encarna assim, sucessivamente, Joana d’Arc, Calamity Jane, Jane/Mogli ao lado de Tarzan (e de Serge), Laurel ao lado de Hardy, Marilyn Monroe rodeada por espelhos a cantar a sua devoção ao seu pai (My Heart Belongs to Daddy), uma mãe rodeada pelas filhas (Kate, Charlotte e Lou) e por retratos de família, Ariane no labirinto perseguida por um monstro (a câmara), femme fatale num filme noir a cores, odalisca, serva ou ninfa numa pintura flamenga ou renascentista… ou simplesmente uma mulher banal em confidências com uma amiga, numa qualquer esplanada parisiense.
Entre as várias microficções que parasitam ‘Jane B. por Agnès V.’, é a dada altura mencionada a história de uma mulher apaixonada por um adolescente, uma ideia da autoria de Jane Birkin, que Agnès Varda se apressa a realizar: o resultado é ‘Kung-Fu Master’ (1988), um longa-metragem de ficção, menos autobiográfico do que proustiano, na medida em que, para Birkin, a intriga amorosa não passa de um pretexto para evocar a sua infância na Inglaterra. De certo modo, ‘Jane B. por Agnès V.’ documenta igualmente a gênese de ‘Kung-Fu Master’, que por sua vez assume contornos de um filme de família, já que Birkin contracena não só com Mathieu Demy, o filho de Agnès Varda e Jacques Demy, como com as suas próprias filhas, Charlotte e Lou. O mesmo desejo de regressar a um passado familiar envolto por uma aura de nostalgia estará na origem do único filme realizado por Jane Birkin, ‘Boxes’ (2007), com Geraldine Chaplin e Michel Piccoli nos papéis dos pais fictícios da protagonista, interpretada pela própria”.
O que disse a crítica 1: Mayukh Sem do site Reverse Shot achou bom. Disse: “Os detratores de ‘Jane B. por Agnès V.’ reclamam que o filme é pesado e divagante, e aqueles que não consideram Birkin uma personagem tão fascinante podem concordar. Reimagine o filme, então, como um em que Varda pede a ajuda de Birkin para criar um autorretrato, observando incessantemente essa outra mulher para dar sentido aos seus próprios desejos incipientes como cineasta. Aqui, emerge um retrato nítido de Varda: como uma diretora generosa e altruísta, como uma artista que não se desculpa por levar suas obsessões para o cinema, como uma mulher atenta às inseguranças que outras mulheres enfrentam porque as conhece muito bem. Varda observa Birkin atentamente para revelar algo que outros cineastas lutaram para desenterrar. Mas o espelho também está sempre lá”.
O que disse a crítica 2: Jake Cole do site Slant avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “O filme leva o conceito de vitrine para um ator a extremos pós-modernos e vanguardistas, dispensando a narrativa em favor de confissões e performances espontâneas. A abertura estabelece o tom descontraído, colocando Birkin em um quadro vivo de uma pintura do século XVI, antes de quebrar o clima clássico ao mostrar a atriz falando sobre ter vomitado no set de filmagem em seu aniversário de 30 anos”.
O que eu achei: Difícil classificar esse filme. No MUBI aparece como ‘documentário, fantasia’, termos aparentemente antagônicos. Eu diria que está mais para fantasia do que para documentário, ou seja, é menos um retrato da atriz, cantora e modelo inglesa Jane Birkin (1946-2023) e mais um filme experimental e bastante fantasioso da cineasta belga Agnès Varda. Em comparação com o longa posterior “Jane por Charlotte” (2021) – feito pela filha Charlotte Gainsbourg quando a mãe estava com 70 anos -, o de Varda é bem menos informativo. Nesse aspecto o de Charlotte é melhor. O de Varda foi feito quando a atriz estava completando 40 anos. Birkin havia confidenciado a Varda seu medo de completar 40. Foi aí que o filme nasceu. Ele até mostra um pouco de sua biografia: alguns filmes de que ela participou, seus pais e irmão, sua casa na infância, marido e filhas, desconstruindo em parte a imagem da femme fatale volúvel e distraída que a marcou. Mas esses aspectos são poucos e mostrados de maneira fugaz. A maior parte do filme é sobre a onipresente Varda e suas divagações, mostrando Birkin como Joana d'Arc, Calamity Jane (a famosa heroína do oeste americano), Jane de Tarzan, o Magro da dupla o Gordo e o Magro, Ariadne da mitologia grega, como uma musa clássica ou em retratos renascentistas. É como se Varda tivesse pedido a ajuda de Birkin para criar um autorretrato, observando incessantemente essa outra mulher para dar sentido aos seus próprios desejos como cineasta. Poderia se chamar: “Agnès V. por Jane B.”. Fantasioso sim, documentário jamais.
Bárbara Janicas do site À Pala de Walsh publicou: “A mais fotogênica das vozes, ‘a mais francesa das inglesas’, Jane Birkin (1946-2023), tinha apenas vinte anos quando obteve o seu primeiro papel de figurante em ‘A Bossa da Conquista’ (1965) de Richard Lester, um dos filmes emblemáticos da Swinging London, logo seguido de uma aparição – escandalosamente nua’ – em ‘Blow-up – Depois Daquele Beijo’ (1966) de Michelangelo Antonioni. O arranque da sua carreira de atriz na França foi impulsionado pelo mítico encontro com Serge Gainsbourg, durante as filmagens de ‘Slogan’ (1968) de Pierre Grimblat, e o resto é história: rapidamente, Jane Birkin tornou-se a musa e companheira do cantor e compositor, que lhe prestou homenagem em ‘História de Melody Nelson’ (1971) e a dirigiu na sua primeira realização, o polêmico ‘Paixão Selvagem’ (1976).
O que são cinco décadas de cinema na vida de uma mulher? Figura icônica na paisagem cultural francesa da segunda metade do século XX, Jane Birkin desdobra-se em campanhas de moda, tournées musicais e papéis ecléticos na grande e na pequena tela, atravessando simultaneamente o cinema popular (ao lado de Pierre Richard em várias comédias de Claude Zidi) e o cinema de autor pós-Nouvelle Vague - tendo sido várias vezes dirigida por Jacques Doillon, com quem foi casada - ‘A Filha Pródiga’ (1980), ‘A Pirata’ (1984), ‘Comédie!’ (1987) - e por Jacques Rivette – ‘O Amor Por Terra’ (1983); ‘A Bela Intrigante’ (1991), ‘36 Vistas do Monte Saint-Loup’ (2009). Mesmo após uma vida de excessos, o diagnóstico de uma leucemia, no final dos anos 90, e a tragédia da morte da sua filha mais velha, a fotógrafa Kate Barry, em 2013, a aura sedutora e irreverente da it-girl manteve-se intocável ao longo dos anos.
Obviamente, Jane Birkin não é imune à passagem do tempo, e sabe-o bem. A questão do envelhecimento, e do modo como este a afeta, ocupa um lugar central em dois documentários singulares que lhe foram consagrados, com trinta anos de intervalo. O primeiro, ‘Jane B. por Agnès V.’ (1988), trata-se de um retrato cinematográfico, assim o define Agnès Varda, realizado por ocasião do 40° aniversário de Birkin, data particularmente receada pela própria; o segundo, ‘Jane por Charlotte’ (2021), constitui uma espécie de testamento invertido de uma filha (a atriz Charlotte Gainsbourg) para a sua mãe, então com cerca de setenta anos, e cuja saúde começa a dar os primeiros sinais de alerta.
Estes dois filmes constituem um excelente double bill para assinalar a nossa impossível despedida a Jane Birkin, falecida, aos 76 anos (...): o retrato caleidoscópico ‘Jane B. por Agnès V.’ celebra o paradoxo da mulher-atriz que sempre admitiu gostar de posar para as câmaras, mas que ao mesmo tempo desejava ser uma ‘anônima célebre’; já o dueto intimista ‘Jane por Charlotte’ celebra menos o ícone Birkin dos palcos e das capas de revista, do que a plenitude de Jane enquanto mãe imperfeita e mulher madura.
Exceções na carreira de uma artista, musa e modelo, tantas vezes fetichizada pelos homens que a dirigiram, filmaram, amaram e idolatraram, os filmes realizados por Agnès e Charlotte são provavelmente os únicos em que Jane – autorizo-me a tratá-las pelo nome próprio –, não sem pudor e humildade, concebe despir-se da imagem de sex symbol que se lhe colou à pele durante várias décadas e, alma enfim posta a nu diante das objetivas carinhosas da amiga e da filha, se revela infinita e inigualavelmente outra(s).
Com efeito, em ‘Jane B. por Agnès V.’, Varda pretende menos capturar a essência de Birkin tal como ela foi cristalizada pelo male gaze dominante, do que estilhaçar a sua persona através de uma miríade de retratos cinematográficos que sublinham a sua natureza inefável e camaleônica: nas palavras certeiras da cineasta, Birkin oscila entre um androgyne tonic e uma Eva de plasticina; e o poder da câmara é precisamente o de moldar, através da luz, a presença irradiante da atriz na tela, mesmo que isso implique deformar ou refratar a sua imagem. Diante da objetiva de Varda, Birkin encarna assim, sucessivamente, Joana d’Arc, Calamity Jane, Jane/Mogli ao lado de Tarzan (e de Serge), Laurel ao lado de Hardy, Marilyn Monroe rodeada por espelhos a cantar a sua devoção ao seu pai (My Heart Belongs to Daddy), uma mãe rodeada pelas filhas (Kate, Charlotte e Lou) e por retratos de família, Ariane no labirinto perseguida por um monstro (a câmara), femme fatale num filme noir a cores, odalisca, serva ou ninfa numa pintura flamenga ou renascentista… ou simplesmente uma mulher banal em confidências com uma amiga, numa qualquer esplanada parisiense.
Entre as várias microficções que parasitam ‘Jane B. por Agnès V.’, é a dada altura mencionada a história de uma mulher apaixonada por um adolescente, uma ideia da autoria de Jane Birkin, que Agnès Varda se apressa a realizar: o resultado é ‘Kung-Fu Master’ (1988), um longa-metragem de ficção, menos autobiográfico do que proustiano, na medida em que, para Birkin, a intriga amorosa não passa de um pretexto para evocar a sua infância na Inglaterra. De certo modo, ‘Jane B. por Agnès V.’ documenta igualmente a gênese de ‘Kung-Fu Master’, que por sua vez assume contornos de um filme de família, já que Birkin contracena não só com Mathieu Demy, o filho de Agnès Varda e Jacques Demy, como com as suas próprias filhas, Charlotte e Lou. O mesmo desejo de regressar a um passado familiar envolto por uma aura de nostalgia estará na origem do único filme realizado por Jane Birkin, ‘Boxes’ (2007), com Geraldine Chaplin e Michel Piccoli nos papéis dos pais fictícios da protagonista, interpretada pela própria”.
O que disse a crítica 1: Mayukh Sem do site Reverse Shot achou bom. Disse: “Os detratores de ‘Jane B. por Agnès V.’ reclamam que o filme é pesado e divagante, e aqueles que não consideram Birkin uma personagem tão fascinante podem concordar. Reimagine o filme, então, como um em que Varda pede a ajuda de Birkin para criar um autorretrato, observando incessantemente essa outra mulher para dar sentido aos seus próprios desejos incipientes como cineasta. Aqui, emerge um retrato nítido de Varda: como uma diretora generosa e altruísta, como uma artista que não se desculpa por levar suas obsessões para o cinema, como uma mulher atenta às inseguranças que outras mulheres enfrentam porque as conhece muito bem. Varda observa Birkin atentamente para revelar algo que outros cineastas lutaram para desenterrar. Mas o espelho também está sempre lá”.
O que disse a crítica 2: Jake Cole do site Slant avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Escreveu: “O filme leva o conceito de vitrine para um ator a extremos pós-modernos e vanguardistas, dispensando a narrativa em favor de confissões e performances espontâneas. A abertura estabelece o tom descontraído, colocando Birkin em um quadro vivo de uma pintura do século XVI, antes de quebrar o clima clássico ao mostrar a atriz falando sobre ter vomitado no set de filmagem em seu aniversário de 30 anos”.
O que eu achei: Difícil classificar esse filme. No MUBI aparece como ‘documentário, fantasia’, termos aparentemente antagônicos. Eu diria que está mais para fantasia do que para documentário, ou seja, é menos um retrato da atriz, cantora e modelo inglesa Jane Birkin (1946-2023) e mais um filme experimental e bastante fantasioso da cineasta belga Agnès Varda. Em comparação com o longa posterior “Jane por Charlotte” (2021) – feito pela filha Charlotte Gainsbourg quando a mãe estava com 70 anos -, o de Varda é bem menos informativo. Nesse aspecto o de Charlotte é melhor. O de Varda foi feito quando a atriz estava completando 40 anos. Birkin havia confidenciado a Varda seu medo de completar 40. Foi aí que o filme nasceu. Ele até mostra um pouco de sua biografia: alguns filmes de que ela participou, seus pais e irmão, sua casa na infância, marido e filhas, desconstruindo em parte a imagem da femme fatale volúvel e distraída que a marcou. Mas esses aspectos são poucos e mostrados de maneira fugaz. A maior parte do filme é sobre a onipresente Varda e suas divagações, mostrando Birkin como Joana d'Arc, Calamity Jane (a famosa heroína do oeste americano), Jane de Tarzan, o Magro da dupla o Gordo e o Magro, Ariadne da mitologia grega, como uma musa clássica ou em retratos renascentistas. É como se Varda tivesse pedido a ajuda de Birkin para criar um autorretrato, observando incessantemente essa outra mulher para dar sentido aos seus próprios desejos como cineasta. Poderia se chamar: “Agnès V. por Jane B.”. Fantasioso sim, documentário jamais.