29.11.25

“Kung Fu Panda 3” – Jennifer Yuh Nelson & Alessandro Carloni (EUA/China, 2016)

Sinopse:
Po se reencontra com seu pai biológico e descobre a existência de uma Vila Panda secreta, mas logo deve aprender a dominar o Chi e preparar os pandas para lutar contra o General Kai, um guerreiro espiritual que tem a intenção de destruir o legado do Mestre Oogway.
Comentário: A saga “Kung Fu Panda” gira em torno do atrapalhado Po Ping, um urso panda filho adotivo de um ganso, apaixonado por artes marciais, mais especificamente pelo kung fu. Ele quer criar um estilo de luta próprio, mas não parece levar lá muito jeito já que como todo panda ele é gorducho e preguiçoso.
Em “Kung Fu Panda 1” (2008), a primeira animação da série, estamos na China da antiguidade. Po trabalha na loja de macarrão da sua família e sonha em transformar-se em um mestre de kung fu. Seu sonho se torna realidade quando, inesperadamente, deve cumprir uma profecia antiga e estudar a arte marcial com seus ídolos, os Cinco Furiosos: um grupo de mestres composto pelos sábios Macaco, Louva-A-Deus, Víbora, Garça e Tigresa. Po precisa de toda a sabedoria, força e habilidade que conseguir reunir para proteger seu povo de um Leopardo da Neve malvado.
Na sequência veio “Kung Fu Panda 2” (2011). Po, que já se tornou um Dragão Guerreiro e é um habilidoso lutador de artes marciais, enfrenta um antigo inimigo, agora ainda mais mortal: um pavão misterioso chamado Lorde Shen, que acredita numa profecia que afirma que sua derrocada virá das mãos daquele que combina o preto com o branco, o claro com o escuro. Do lado do panda, além dos quatro furiosos, vão se juntar o Crocodilo, Rino Trovão e Boi Toró. É neste longa que ficamos sabendo que Po é adotado e o que, de fato, aconteceu com seus pais biológicos.
Desta vez vou conferir "Kung Fu Panda 3" (2016) que vai mostrar Po se reencontrando com seu pai biológico chamado Li Shan e descobrindo um paraíso secreto de pandas. Logo essa alegria do reencontro vai se transformar em trabalho, pois ele vai precisar treinar esses pandas para lutar contra o poderoso vilão Kai, um guerreiro sobrenatural que fugiu do Reino dos Espíritos e que rouba a energia vital (chi) de mestres de kung fu para se tornar invencível e dominar o mundo.
O filme explora então a jornada de Po de autodescoberta, o reconhecimento de sua identidade como panda e Dragão Guerreiro, e o desafio de dominar seu próprio chi para deter Kai enquanto treina a desajeitada vila de pandas para se tornarem guerreiros.
No elenco de dubladores estão: Jack Black, Angelina Jolie, Dustin Hoffman, J. K. Simmons, Jackie Chan, Lucy Liu, Seth Rogen, David Cross, Bryan Cranston, Kate Hudson, James Hong, Jean-Claude Van Damme e Randall Duk Kim.
O filme é dedicado à memória de Nancy Bernstein , que atuou como Chefe de Produção na DreamWorks Animation e morreu em 18 de setembro de 2015.
O que disse a crítica 1: Davi Lima do site Plano Crítico avaliou com 2 estrelas, ou seja, ruim. Escreveu: "Po não cresce, nenhum conflito seu confronta seu orgulho proporcionalmente ao seu humor ou poder (...). Tudo se torna racional demais, tudo se acomoda até mesmo na diferenciação, assim como Po em sua compreensão do Kung Fu (...). Ele não transcende, ele volta para si mais uma vez, valoriza a pose de herói e volta para o sonho de ser um super-herói com todos sendo super".
O que disse a crítica 2: Tiago Siqueira do site Cinema com Rapadura avaliou com 3,5 estrelas, ou seja, muito bom. Disse: "O que sustenta o texto é o carisma dos personagens, bem como as interações entre filho, pai e pai adotivo, além do fato de que a história exigir que Po amadureça e compreenda que sua função no mundo é mais do que bater nos bandidos que invadem o vale".
O que eu achei: “Kung Fu Panda 3” (2016) mantém o charme visual e o humor afetuoso que tornaram a franquia tão popular. No entanto, apesar de eu até ter gostado do filme, ele - assim como o segundo longa - não chega aos pés do primeiro. A sensação é de que a série, embora ainda divertida, já não atinge o mesmo frescor narrativo e emocional que fez do filme inaugural algo especial. Um dos pontos fortes de Kung Fu Panda 3 é o esmero visual: o uso de cores, texturas e movimentos é impressionante, especialmente nas sequências que exploram o reino espiritual, onde a animação ganha um nível extra de estilização e fluidez. A dinâmica entre Po e seu pai biológico também funciona bem; há ternura, humor e um bom equilíbrio entre o drama familiar e a aventura. O vilão Kai traz algumas boas cenas de ação e uma ameaça palpável ao mundo dos mestres de kung fu. Além disso, o filme acerta ao desenvolver Po como alguém que ainda está descobrindo quem ele é e qual seu lugar no mundo, agora não apenas como guerreiro, mas como mestre. Por outro lado, os pontos fracos ficam mais evidentes quando comparamos o filme ao primeiro da franquia. "Kung Fu Panda 3" não tem o mesmo impacto emocional, nem o mesmo rigor narrativo. A história segue caminhos previsíveis e, em alguns momentos, parece depender demais de fórmulas já estabelecidas pelo próprio universo da série. O humor, embora constante, é menos inspirado, e o conflito principal se resolve de forma acelerada e um tanto conveniente. Os personagens secundários, especialmente os Cinco Furiosos, acabam ficando apagados, com pouco espaço para participação significativa. O resultado é uma boa animação, visualmente belíssima e com boas intenções temáticas, mas que não desperta o mesmo entusiasmo do primeiro filme. Até dá pra ver pela experiência divertida, afetiva e bem acabada que vai agradar especialmente as crianças, mas não espere o mesmo brilho que marcou a estreia da saga.