
Comentário: Pedro Almodóvar (1949) é um cineasta espanhol de quem já assisti 13 filmes, dentre eles os ótimos "A Lei do Desejo" (1986), “Kika” (1993), "A Flor do Meu Segredo" (1995), “Abraços Partidos" (2009), "A Pele que Habito" (2011), "Os Amantes Passageiros" (2013), "Julieta" (2016), o curta “A Voz Humana” (2020) e “Madres Paralelas” (2021).
Silvana Arantes da Folha SP nos conta que “Pedro Almodóvar tinha 16 anos de idade quando saiu da região de La Mancha, onde nasceu. ‘Eu queria fugir daquele lugar e não voltar nunca mais’, declarou o espanhol, hoje uma grife do cinema, aos 57 anos. Almodóvar descortinou as memórias de sua infância e juventude durante o Festival de Cannes, em maio passado, quando falava sobre ‘Volver’ - o filme que o levou de volta a La Mancha; ao mundo (cinematográfico) das mulheres, após o parêntese masculino de ‘Má Educação’; e ao reencontro com a atriz Carmen Maura, depois do rompimento pós-sucesso de ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’ (1988). (...) Embora o retorno de Carmen Maura seja um acontecimento no universo almodovariano, ‘Volver’ é um filme feito na medida para Penélope Cruz brilhar. Ela é a mulher simples que se vê às voltas com uma tragédia envolvendo a filha adolescente e o padrasto da garota. Sexo, desejo e culpa, como é comum na filmografia do espanhol, são vistos por uma perspectiva distinta do habitual. Sinal de que Almodóvar voltou a La Mancha, mas para reafirmar o afastamento de um lugar ‘austero demais’ para ele. ‘As mulheres se vestiam de negro. Por isso eu amo a cor. Tudo girava em torno da religião. A sensualidade, o prazer da carne eram banidos’, descreveu, à revista ‘Studio’. Na Espanha, ‘Volver’ significou também a reconciliação de Almodóvar com público e crítica (ao mesmo tempo). (...) Em Cannes, Almodóvar viu a Palma de Ouro escapar pela segunda vez. Com ‘Tudo Sobre Minha Mãe’, ele levou o título de melhor diretor. Desta vez, Cannes premiou-o pelo roteiro e deu às atrizes do filme um troféu conjunto de interpretação. ‘O prêmio das atrizes é o que significa mais para mim’, disse Almodóvar. ‘Elas são a alma do filme. Sem se dar conta, escreveram a metade do roteiro, só com sua presença. Falo não como o diretor, mas como a mãe de cada uma dessas meninas’, disse, brincando novamente com o tema da maternidade, que define a trama de ‘Volver’. Além das memórias familiares (há muitas frases no filme que saíram de diálogos de Almodóvar com sua mãe), ‘Volver’ é também uma coletânea dos amores cinéfilos do diretor. Penélope Cruz declarou que a aparência de Raimunda é inspirada na maquiagem de Sophia Loren em início de carreira, no penteado de Claudia Cardinale em ‘A Moça com a Valise’ (Valerio Zurlini) e no figurino de Anna Magnani em ‘Belíssima’ (Luchino Visconti). Ela usa enchimento para avolumar os quadris. Durante meses, a atriz se preparou para a cena em que Raimunda canta [dubla] a música-título do filme. ‘Era uma sequência importante para Pedro. Ensaiei a maneira de mover as mãos, de me sentar, essas coisas que as cantoras de flamenco nascem sabendo’”. O título “Volver” significa voltar, retornar.
O que disse a crítica: Rodrigo de Oliveira do site Papo de Cinema deu 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Por conseguir surpreender com o desenrolar de sua trama e conduzir uma merecida atuação indicada ao Oscar por Penélope Cruz, Pedro Almodóvar merece elogios. Poderia ter economizado e entregado um filme um pouco mais curto do que os 121 minutos que nos foram apresentados, mas é um pequeno porém em uma história com personagens bastante humanos e que buscam desesperadamente uma segunda chance, um perdão. ‘Volver’ é mais uma obra madura de um cineasta com muito o que dizer”.
Marcelo Sobrinho do site Plano Crítico deu 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Disse: “O filme de Pedro Almodóvar contém vários dos maneirismos que consagraram seu estilo. Há cenas visualmente belíssimas, como aquela em que o sangue encharca a toalha no chão, em um plano detalhe cheio de expressividade. O vermelho-sangue do diretor espanhol se espalha por toda a tela, ideia que reaparecerá no vermelho pulsante da abertura de (...) ‘Julieta’. Outro momento realmente memorável traz o tango Volver, de Carlos Gardel, em uma vigorosa interpretação da personagem Raimunda, mas aqui com as cores do flamenco. Engana-se quem pensa que o longa-metragem apenas repete antigas fórmulas. Ele é mais pesado em sua carga dramática e mais sério em sua temática, sem deixar de recorrer à comicidade quando lhe parece adequado. ‘Volver’ não é um Almodóvar requentado. Tem vida própria. É Almodóvar em boa forma e fazendo o que dele se espera”.
O que eu achei: Sensacional é o mínimo que se pode dizer desse filme. Visualmente ele tem tudo o que já se espera de um filme do Almodóvar: as cores quentes, o universo kitsh, mulheres fortes e situações surreais. Porém, além disso, há a história cativante que vai te prendendo a atenção de tal forma que você não vê o tempo passar. Achei interessante saber que o filme representa a volta de Almodóvar à sua terra natal, La Mancha, o que faz do título “Volver” (Voltar) algo ainda mais significativo. Um dos melhores filmes que já vi do diretor. Imperdível.
Silvana Arantes da Folha SP nos conta que “Pedro Almodóvar tinha 16 anos de idade quando saiu da região de La Mancha, onde nasceu. ‘Eu queria fugir daquele lugar e não voltar nunca mais’, declarou o espanhol, hoje uma grife do cinema, aos 57 anos. Almodóvar descortinou as memórias de sua infância e juventude durante o Festival de Cannes, em maio passado, quando falava sobre ‘Volver’ - o filme que o levou de volta a La Mancha; ao mundo (cinematográfico) das mulheres, após o parêntese masculino de ‘Má Educação’; e ao reencontro com a atriz Carmen Maura, depois do rompimento pós-sucesso de ‘Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos’ (1988). (...) Embora o retorno de Carmen Maura seja um acontecimento no universo almodovariano, ‘Volver’ é um filme feito na medida para Penélope Cruz brilhar. Ela é a mulher simples que se vê às voltas com uma tragédia envolvendo a filha adolescente e o padrasto da garota. Sexo, desejo e culpa, como é comum na filmografia do espanhol, são vistos por uma perspectiva distinta do habitual. Sinal de que Almodóvar voltou a La Mancha, mas para reafirmar o afastamento de um lugar ‘austero demais’ para ele. ‘As mulheres se vestiam de negro. Por isso eu amo a cor. Tudo girava em torno da religião. A sensualidade, o prazer da carne eram banidos’, descreveu, à revista ‘Studio’. Na Espanha, ‘Volver’ significou também a reconciliação de Almodóvar com público e crítica (ao mesmo tempo). (...) Em Cannes, Almodóvar viu a Palma de Ouro escapar pela segunda vez. Com ‘Tudo Sobre Minha Mãe’, ele levou o título de melhor diretor. Desta vez, Cannes premiou-o pelo roteiro e deu às atrizes do filme um troféu conjunto de interpretação. ‘O prêmio das atrizes é o que significa mais para mim’, disse Almodóvar. ‘Elas são a alma do filme. Sem se dar conta, escreveram a metade do roteiro, só com sua presença. Falo não como o diretor, mas como a mãe de cada uma dessas meninas’, disse, brincando novamente com o tema da maternidade, que define a trama de ‘Volver’. Além das memórias familiares (há muitas frases no filme que saíram de diálogos de Almodóvar com sua mãe), ‘Volver’ é também uma coletânea dos amores cinéfilos do diretor. Penélope Cruz declarou que a aparência de Raimunda é inspirada na maquiagem de Sophia Loren em início de carreira, no penteado de Claudia Cardinale em ‘A Moça com a Valise’ (Valerio Zurlini) e no figurino de Anna Magnani em ‘Belíssima’ (Luchino Visconti). Ela usa enchimento para avolumar os quadris. Durante meses, a atriz se preparou para a cena em que Raimunda canta [dubla] a música-título do filme. ‘Era uma sequência importante para Pedro. Ensaiei a maneira de mover as mãos, de me sentar, essas coisas que as cantoras de flamenco nascem sabendo’”. O título “Volver” significa voltar, retornar.
O que disse a crítica: Rodrigo de Oliveira do site Papo de Cinema deu 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “Por conseguir surpreender com o desenrolar de sua trama e conduzir uma merecida atuação indicada ao Oscar por Penélope Cruz, Pedro Almodóvar merece elogios. Poderia ter economizado e entregado um filme um pouco mais curto do que os 121 minutos que nos foram apresentados, mas é um pequeno porém em uma história com personagens bastante humanos e que buscam desesperadamente uma segunda chance, um perdão. ‘Volver’ é mais uma obra madura de um cineasta com muito o que dizer”.
Marcelo Sobrinho do site Plano Crítico deu 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Disse: “O filme de Pedro Almodóvar contém vários dos maneirismos que consagraram seu estilo. Há cenas visualmente belíssimas, como aquela em que o sangue encharca a toalha no chão, em um plano detalhe cheio de expressividade. O vermelho-sangue do diretor espanhol se espalha por toda a tela, ideia que reaparecerá no vermelho pulsante da abertura de (...) ‘Julieta’. Outro momento realmente memorável traz o tango Volver, de Carlos Gardel, em uma vigorosa interpretação da personagem Raimunda, mas aqui com as cores do flamenco. Engana-se quem pensa que o longa-metragem apenas repete antigas fórmulas. Ele é mais pesado em sua carga dramática e mais sério em sua temática, sem deixar de recorrer à comicidade quando lhe parece adequado. ‘Volver’ não é um Almodóvar requentado. Tem vida própria. É Almodóvar em boa forma e fazendo o que dele se espera”.
O que eu achei: Sensacional é o mínimo que se pode dizer desse filme. Visualmente ele tem tudo o que já se espera de um filme do Almodóvar: as cores quentes, o universo kitsh, mulheres fortes e situações surreais. Porém, além disso, há a história cativante que vai te prendendo a atenção de tal forma que você não vê o tempo passar. Achei interessante saber que o filme representa a volta de Almodóvar à sua terra natal, La Mancha, o que faz do título “Volver” (Voltar) algo ainda mais significativo. Um dos melhores filmes que já vi do diretor. Imperdível.