4.2.24

“Os Rejeitados” - Alexander Payne (EUA, 2023)

Sinopse:
Um professor mal-humorado (Paul Giamatti) de uma prestigiada escola americana é forçado a permanecer no campus para cuidar de um grupo de alunos que não tem para onde ir durante as férias de Natal. Ele acaba criando um vínculo improvável com um deles – um encrenqueiro magoado e muito inteligente (Dominic Sessa) – e com a cozinheira-chefe da escola (Da’Vine Joy Randolph), que acaba de perder um filho no Vietnã.
Comentário: Alexander Payne (1961) é um cineasta e roteirista americano de ascendência grega. Assisti dele o excelente “Nebraska” (2013) e o bom “Os Descendentes” (2011).
Tamires Rodrigues do Jornal de Brasília nos conta que “Personagens com camadas que são descascadas ao longo do filme, personalidades mal-humoradas, uma trama que carrega uma atmosfera de tragédias pessoais e o ar nostálgico dos anos 1970. Tudo isso é encontrado no novo filme de Alexander Payne, ‘Os Rejeitados’ (...) O cineasta a partir do roteiro de David Hemingson e ao lado do seu elenco estelar, Paul Giamatti que vive um professor de história com uma moral rígida e sem paciência, Da’Vine Joy Randolph que interpreta uma mãe enlutada pela perda do filho e um estudante que não tem para onde ir nos feriados de final de ano interpretado pelo novato Dominic Sess. Juntos eles criam uma comédia dramática simples e delicada. (...) Nem sempre feriados mais familiares como o natal são felizes para todos por vários motivos: perda, brigas ou apenas por realmente não ter com quem passar. O diretor Alexander Payne entende o teor em volta dessa tristeza e explora em cada um do seu trio de protagonistas. Um filme tão humano que fica impossível não pensar no que está sendo transmitido na tela. Por ser ambientado nos anos 1970, a produção conta com um visual vintage. Payne é um verdadeiro entusiasta da restauração cinematográfica, a estética de modo geral o uso do ângulo das câmeras que lembra sem sombra de dúvidas os filmes indies da época. Outro fator que corrobora com o tom nostálgico da produção é sua trilha sonora composta por Mark Orton e músicas de outros artistas e bandas como: The Chambers Brothers, Shocking Blue e The Temptations”.
O filme vem recebendo indicações à diversos prêmios tendo obtido até o momento três vitórias e um segundo lugar. Ele conseguiu uma vaga para concorrer ao Oscar onde está indicado a Melhor Filme, Melhor Ator (Paul Giamatti), Melhor Atriz Coadjuvante (Da’Vine Joy Randolph), Melhor Roteiro Original (David Hemingson) e Melhor Edição.
O que disse a crítica 1: Raissa Ferreira do site Singular avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Escreveu: “É quase como se ‘Os Rejeitados’ dissesse que para se tornar humano de verdade, é preciso vivenciar o contato com o outro, já que o metódico professor Hunham é quase tido como um robô e vai adquirindo sentimentos enquanto deixa Angus o tocar emocionalmente, da mesma forma que o menino revoltado aprende a ser mais aberto ao compreender seu professor. É esse aprendizado bonito que faz o longa não apenas um filme simpático de natal, mas uma obra tocante que tira algo muito genuíno de seus dois personagens centrais por meio dos recursos mais simples do cinema”.
O que disse a crítica 2: Ross Bonaime do site Collider gostou ainda mais, avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, excelente. Disse: “’Os Rejeitados’ é uma verdadeira delícia, com Payne e Giamatti no auge, Randolph mais uma vez provando que é sempre uma artista emocionante de assistir e a apresentação de Sessa, de quem certamente veremos mais no futuro. É um dos filmes mais maravilhosos de 2023. (...) Payne (...) expandiu seu estilo para algo mais animador e charmoso do que parecia ser capaz de criar. ‘Os Rejeitados’ é uma revelação maravilhosa de um excelente diretor que prova que ainda é capaz de nos pegar de surpresa”.
O que eu achei: “Os Rejeitados” (2023) é um filme bem leve, que vai contar a história de um professor - Paul Giamatti - que vai precisar permanecer na escola onde leciona em plena época de natal para cuidar de um aluno cuja mãe refez sua vida e não vai poder recepcioná-lo em casa neste momento. Junto deles estará também a cozinheira da escola, interpretada pela ótima Da’Vine Joy Randolph, que tem altas chances de levar o Oscar de Melhor Coadjuvante. Os três personagens são bastante carismáticos, junte a isso uma história que não exige nenhum esforço por parte do espectador, uma pitada de humor engajado aqui e ali, e uma lição de moral com final edificante, e o que você tem é um daqueles filmes de natal que fatalmente virarão o hit de dezembro, seja na Sessão da Tarde, seja no Supercine da Globo ou algo que o valha. Se o filme é ruim? Não. É um filme daqueles gostosinhos de ver num dia que você não queira pensar muito nem sentir fortes emoções, se bem que quase escorreu uma lágrima pelo canto do olho. Ótimo para quem gosta de uma sessão em família. Atenção à trilha sonora ambientada nos anos 60/70 com músicas como “Venus” com Shocking Blue e “Time Has Come Today” com The Chambers Brothers, dentre outras.