
Comentário: Sharunas Bartas (1964) é um cineasta lituano. Assisti dele o curioso “A Casa” (1997) e o mediano “Sete Homens Invisíveis” (2005). “Ao Entardecer” é o terceiro longa que assisto do diretor.
Para entendermos melhor o contexto, o filme se passa na Lituânia, no ano de 1948. Vale lembrar que a II Guerra Mundial ocorreu de 1939 a 1945. Logo no segundo ano de Guerra, ou seja, em 1940, a Lituânia foi anexada pela União Soviética por conta de um pacto secreto germano-soviético assinado pelos ministros dos negócios estrangeiros dos dois países: Ribbentropf e Molotov. Essa ocupação soviética no país durou até 1990, quando a Lituânia finalmente consegue sua independência. Ou seja, em 1948 a II Guerra já havia terminado mas o país ainda era uma das 15 repúblicas que formavam a URSS.
Robledo Milani do site Papo de Cinema nos conta que “Sharunas Bartas, que além da direção assina também o roteiro de ‘Ao Entardecer’, não é nenhum novato. Dono de uma carreira cujo início data dos anos 1980, já atuou como ator, compositor, fotógrafo e produtor. Porém, aqui, restringe-se à ação verificada nos bastidores, conduzindo uma história repleta de ressentimentos há muito entalados e angústias que esperam silenciosamente pelo momento de poderem, enfim, se fazerem ouvir. Unté, interpretado com uma aparente apatia – que esconde, na verdade, uma dissimulação à espreita por mudança - pelo novato Marius Povilas Elijas Martynenko, é o retrato da nação, um país que não sabe se fica ou se vai, se acorda ou segue dormindo, se assume seus erros ou finge que nada aconteceu. Ele surge quieto, com uma ou outra pergunta pontual, apenas na espera para agir. Precisa falar, mas tem medo das reações que pode causar. Sabe que ficar parado não é mais uma opção, mas também é incerto quanto ao impacto que pode ou não gerar”. Segundo ele, o filme “reflete os desatinos de uma Lituânia perdida em aceitar sua posição como moeda de troca entre vizinhos muito mais fortes ou lutar pela própria condição de estado independente. As ameaças estão por todos os lados. Mais eficientes, no entanto, são aquelas que tem como origem as entranhas daqueles que deveriam ser os primeiros a combatê-las”.
O que disse a crítica: Milani achou bom. Avaliou com 3,5 estrelas. Disse: “Se nem sempre [o filme] consegue resolver com eficácia os enigmas sobre os quais se debruça e por outras vezes alguns dos seus desfechos acabam por soar apressados demais – a sequência do julgamento na floresta é particularmente perturbadora, como uma moeda que insistisse em cair sempre com a mesma face para cima – ao menos ‘Ao Entardecer’ entrega o prometido ao não poupar nenhum dos tipos que termina por expor, sejam os que acreditam em melhores possibilidades, como também os que se veem sem terem para onde ir. Há um limite para todos, seja dentro de casa, ou nas fronteiras de uma nação. E essa parece ser a maior reflexão proposta por um filme que, no meio de tantos signos, se esforça em mostrar-se à altura das responsabilidades que abraça durante o seu caminho”.
Guilherme Rodrigues do site Plano Crítico achou ótimo. Avaliou com 4 estrelas. Disse: “há espaço para surpresas em ‘Ao Entardecer’, quando o diretor conhecido pela lentidão apresenta uma cena de ação, e eficaz até, se utilizando do distanciamento típico do seu estilo para dar o tom a brutalidade impessoal da cena. Os algozes estão distantes, não há exatamente uma luta. A II Guerra mundial pode até ter sido uma ‘guerra justa’, mas como Bartas faz questão de lembrar, mesmo as coisas justas podem ter um preço bem alto”.
O que eu achei: Os filmes que assisti anteriormente do diretor – “A Casa” (1997) e “Sete Homens Invisíveis” (2005) - eram mais experimentais e menos acessíveis do que este “Ao Entardecer” (2020), que apresenta uma narrativa mais tradicional. Trata-se de um filme mais maduro, mas que mantém a característica de lentidão típica do diretor. Apesar da fotografia belíssima assinada por Eitvydas Doskus, o clima pesado da trama prevalece. Afinal, estamos na Lituânia de 1948, a II Guerra Mundial já havia terminado, mas o país havia sido anexado à União Soviética que fazia presente seu exército levando aos cidadãos uma opressão econômica, política e social. Os diversos personagens que aparecem em cena desfilam pela tela com seus olhares cansados e perdidos, carregados de melancolia. A população, em seu movimento de resistência, tenta lutar da forma que pode, carregando um misto de assombro e cansaço. Não espere portanto um filme fácil. Há cenas de tortura e de execução que nos dão aquela chacoalhada e nos fazem refletir acerca do que o homem é capaz de fazer pelo poder.
Para entendermos melhor o contexto, o filme se passa na Lituânia, no ano de 1948. Vale lembrar que a II Guerra Mundial ocorreu de 1939 a 1945. Logo no segundo ano de Guerra, ou seja, em 1940, a Lituânia foi anexada pela União Soviética por conta de um pacto secreto germano-soviético assinado pelos ministros dos negócios estrangeiros dos dois países: Ribbentropf e Molotov. Essa ocupação soviética no país durou até 1990, quando a Lituânia finalmente consegue sua independência. Ou seja, em 1948 a II Guerra já havia terminado mas o país ainda era uma das 15 repúblicas que formavam a URSS.
Robledo Milani do site Papo de Cinema nos conta que “Sharunas Bartas, que além da direção assina também o roteiro de ‘Ao Entardecer’, não é nenhum novato. Dono de uma carreira cujo início data dos anos 1980, já atuou como ator, compositor, fotógrafo e produtor. Porém, aqui, restringe-se à ação verificada nos bastidores, conduzindo uma história repleta de ressentimentos há muito entalados e angústias que esperam silenciosamente pelo momento de poderem, enfim, se fazerem ouvir. Unté, interpretado com uma aparente apatia – que esconde, na verdade, uma dissimulação à espreita por mudança - pelo novato Marius Povilas Elijas Martynenko, é o retrato da nação, um país que não sabe se fica ou se vai, se acorda ou segue dormindo, se assume seus erros ou finge que nada aconteceu. Ele surge quieto, com uma ou outra pergunta pontual, apenas na espera para agir. Precisa falar, mas tem medo das reações que pode causar. Sabe que ficar parado não é mais uma opção, mas também é incerto quanto ao impacto que pode ou não gerar”. Segundo ele, o filme “reflete os desatinos de uma Lituânia perdida em aceitar sua posição como moeda de troca entre vizinhos muito mais fortes ou lutar pela própria condição de estado independente. As ameaças estão por todos os lados. Mais eficientes, no entanto, são aquelas que tem como origem as entranhas daqueles que deveriam ser os primeiros a combatê-las”.
O que disse a crítica: Milani achou bom. Avaliou com 3,5 estrelas. Disse: “Se nem sempre [o filme] consegue resolver com eficácia os enigmas sobre os quais se debruça e por outras vezes alguns dos seus desfechos acabam por soar apressados demais – a sequência do julgamento na floresta é particularmente perturbadora, como uma moeda que insistisse em cair sempre com a mesma face para cima – ao menos ‘Ao Entardecer’ entrega o prometido ao não poupar nenhum dos tipos que termina por expor, sejam os que acreditam em melhores possibilidades, como também os que se veem sem terem para onde ir. Há um limite para todos, seja dentro de casa, ou nas fronteiras de uma nação. E essa parece ser a maior reflexão proposta por um filme que, no meio de tantos signos, se esforça em mostrar-se à altura das responsabilidades que abraça durante o seu caminho”.
Guilherme Rodrigues do site Plano Crítico achou ótimo. Avaliou com 4 estrelas. Disse: “há espaço para surpresas em ‘Ao Entardecer’, quando o diretor conhecido pela lentidão apresenta uma cena de ação, e eficaz até, se utilizando do distanciamento típico do seu estilo para dar o tom a brutalidade impessoal da cena. Os algozes estão distantes, não há exatamente uma luta. A II Guerra mundial pode até ter sido uma ‘guerra justa’, mas como Bartas faz questão de lembrar, mesmo as coisas justas podem ter um preço bem alto”.
O que eu achei: Os filmes que assisti anteriormente do diretor – “A Casa” (1997) e “Sete Homens Invisíveis” (2005) - eram mais experimentais e menos acessíveis do que este “Ao Entardecer” (2020), que apresenta uma narrativa mais tradicional. Trata-se de um filme mais maduro, mas que mantém a característica de lentidão típica do diretor. Apesar da fotografia belíssima assinada por Eitvydas Doskus, o clima pesado da trama prevalece. Afinal, estamos na Lituânia de 1948, a II Guerra Mundial já havia terminado, mas o país havia sido anexado à União Soviética que fazia presente seu exército levando aos cidadãos uma opressão econômica, política e social. Os diversos personagens que aparecem em cena desfilam pela tela com seus olhares cansados e perdidos, carregados de melancolia. A população, em seu movimento de resistência, tenta lutar da forma que pode, carregando um misto de assombro e cansaço. Não espere portanto um filme fácil. Há cenas de tortura e de execução que nos dão aquela chacoalhada e nos fazem refletir acerca do que o homem é capaz de fazer pelo poder.