23.1.24

“Viver” – Akira Kurosawa (Japão, 1952)

Sinopse:
Kanji Watanabe (Takashi Shimura) é um funcionário público que trabalha no mesmo departamento há 30 anos. Sua vida é muito chata e monótona, embora ele já tenha tido paixão e energia. Um dia, ele descobre que tem câncer e pode morrer em menos de um ano. Após a depressão inicial, ele começa a viver intensamente de novo.
Comentário: Akira Kurosawa (1910-1998) foi um dos cineastas mais importantes do Japão e seus filmes influenciam até hoje uma grande geração de diretores. Com uma carreira de cinquenta anos, Kurosawa dirigiu em torno de 30 filmes. Assisti dele “Os Sete Samurais” (1954), "Yojimbo: O Guarda-Costas" (1961), "Céu e Inferno" (1963), "Sonhos" (1990), "Madadayo" (1993) e a obra-prima "Ran" (1985). Desta vez vou conferir “Viver” (1952).
“Viver” foi inspirado na obra "A Morte de Ivan Ilyich", do escritor russo Leon Tolstoi. 
Rubens Ewald Filho do site UOL nos conta que o filme “é uma tocante meditação sobre o valor da vida e a súbita percepção desse valor frente à morte iminente. O velho burocrata (vivido com grande sensibilidade por um dos atores prediletos do diretor, Takashi Shimura) é obrigado a encarar a mediocridade e a falta de razão de ser de uma vida passada atrás de uma mesa carimbando papéis inúteis, e a partir daí embarca em uma jornada, obviamente amarga, para recuperar em poucos meses a humanidade desperdiçada durante toda uma vida. Kurosawa nos mostra, com delicadeza e compaixão, as tentativas do pobre velho de reaprender a desfrutar dos prazeres da vida, a amar uma moça, sua ânsia de retomar o vínculo perdido com o filho único. Mas tudo está desconectado do seu momento certo e só resta a ele (...) lutar para dar um último respiro de vitalidade e existência através de um gesto de imenso simbolismo. Como pano de fundo desse drama humano há ainda uma dura crítica ao poder público do Japão da época, ineficaz e indiferente ao sofrimento popular (e que não deixa nada a dever ao que acontece no Brasil)”.
Dizem que este seria um dos filmes favoritos do Steven Spielberg e do Martin Scorsese.
O que disse a crítica 1: Luiz Santiago do site Plano Crítico classificou como obra-prima. Escreveu: “’Viver’ consegue articular uma visão crítica sobre o mundo, sobre a humanidade e sobre o sentido da vida, e o faz de maneira poética e política, uma dupla que raramente consegue se apresentar no cinema, mas quando acontece, o resultado é daqueles que marcam para sempre o espectador”.
O que disse a crítica 2: Eduardo Kaneco do site Leitura Fílmica também classificou como obra-prima. Disse: “A interpretação de Takashi Shimura possui uma intensidade difícil de se obter em um personagem que quase não fala, e quando o faz, apenas balbucia as palavras. O ator utiliza seu corpo para demonstrar como se sente, exibindo o corpo curvado e os ombros caídos após saber de sua doença. No bordel, quando ele canta, em tom muito baixo, uma triste canção cuja letra poética retrata o que o angustia, e lágrimas correm de seus olhos, é impossível resistir ao melodrama”.
O que eu achei: A temática é bem interessante: trata do desperdício de nossas vidas, em especial, daqueles que trabalham no serviço público japonês da década de 50, que batem muitos carimbos o dia inteiro e pouco resolvem dos problemas dos habitantes. O personagem principal, Kanji Watanabe, vive assim há 30 anos. Não amou, não dançou, não aproveitou nada do que a vida poderia lhe oferecer até que ele recebe a notícia de que está com câncer e tem pouco tempo de vida e assim resolve “correr atrás do prejuízo”. Entretanto, apesar da boa premissa e da ótima atuação do protagonista interpretado por Takashi Shimura, o resultado prático do filme são 2h30 de diálogos que me despertaram pouco interesse. Apesar de ser um Kurosawa, achei que está distante de outras obras magníficas do diretor como "Ran" (1985) ou “Dersu Uzala” (1975).