
Comentário: Christopher Nolan (1970) é um diretor de cinema, roteirista e produtor britânico. Assisti dele os ótimos "Amnésia" (2000), "A Origem" (2009) e “Dunkirk” (2017) e os péssimos "Interestelar" (2014) e "Tenet" (2020).
Para quem ainda não sabe, o título “Oppenheimer” se refere ao sobrenome de Julius Robert Oppenheimer (1904-1967), um físico teórico americano que foi diretor do Laboratório Nacional Los Alamos durante a Segunda Guerra Mundial. Geralmente, ele é creditado como “o pai da bomba atômica” por seu papel no Projeto Manhattan, o empreendimento de pesquisa e desenvolvimento que criou as primeiras armas nucleares.
Roberto Sadovski, colunista do UOL, nos diz que para contar sua história o diretor Christopher Nolan se baseou no livro "Oppenheimer: O Triunfo e a Tragédia do Prometeu Americano", lançado por Kai Bird e Martin J. Sherwin em 2005, depois de um quarto de século de pesquisa. Segundo ele, Nolan “fragmentou seu roteiro em três momentos da vida do físico, intercalados ao longo de pouco mais de 3 horas de filme”. Seu retrato mostra “um gênio imperfeito”, que “encontra respaldo em sua inteligência superlativa para exercitar seu ego, compensando as fissuras em sua vida pessoal. O desafio de bater os nazistas, aliado a uma flexibilidade moral que o momento histórico tornou indispensável, resultam em uma vida assolada pela culpa da vasta destruição atômica”.
O filme procura ser o mais fiel possível à biografia do cientista mas, ao final dos créditos, há um aviso dizendo que apesar do filme ter sido baseado numa história real, alguns acontecimentos foram ficcionalizados. Essas liberdades que o diretor tomou podem ser lidas no site Omelete na matéria “O que é real e o que é ficção em Oppenheimer? As 5 maiores mentiras do filme”. Mas é melhor ler após assistir ao filme.
“Oppenheimer” já abocanhou inúmeros prêmios importantes e segue agora em direção ao Oscar.
O que disse a crítica: Inácio Araujo da Folha SP avaliou com 2 estrelas, ou seja, sofrível. Escreveu: “O filme é, em poucas palavras, uma história a desenrolar, levada por Christopher Nolan, que parece ter certo prazer em enrolar as coisas. Prazer? Ao obscurecer a trajetória do físico, ao deixar em segundo plano a angústia moral e mesmo o arrependimento por ter criado uma arma capaz de destruir a humanidade, o diretor obscurece a grande questão de atualidade de seu filme - a retomada da corrida armamentista entre Rússia e Estados Unidos, o aprofundamento do espírito bélico americano nos últimos anos - em suma, o perigo mesmo de destruição da humanidade como decorrência de uma guerra nuclear”. Ele achou os diálogos bem escritos, os bons atores bem dirigidos, mas acredita ter sido “uma pena que [o filme] tenha se transformado num mastodonte de três horas que navega pesadamente da Depressão à caça às bruxas para desembocar num filme de tribunal apenas enfadonho”.
Aline Pereira do site Adoro Cinema, por outro lado, avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, ótimo. Ela disse: “Se em ‘Tenet’, senti falta da forma trabalhando a favor da história, em ‘Oppenheimer’, há uma combinação harmônica entre narrativa e estética, passando por um grande trabalho de som”. E conclui dizendo que “durante suas três horas de duração e uma avalanche de diálogos nem sempre fáceis de entender, a produção também nos leva a uma questão crucial: quem é o responsável pela tragédia? Quem dá uma resposta (cheia de margem para questionamentos) é o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman (Gary Oldman) em cena com o cientista: ‘ninguém se importa com quem criou a bomba, só com quem mandou jogar’. O sangue está nas mãos de quem? Talvez seja este o legado de ‘Oppenheimer’ - do homem e do filme”.
O que eu achei: O filme tem qualidades e defeitos. De bom temos o elenco composto por Cillian Murphy (que está muito bem no papel principal), Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr. (que está excelente e tem altas chances de ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), Florence Pugh, Rami Malek, Kenneth Branagh e Gary Oldman, dentre outros. Outro ponto positivo é a fidelidade da história contada que sofreu poucas alterações na transposição do livro para o cinema. Porém, apesar do filme estar abocanhando inúmeros prêmios, há defeitos. O primeiro deles seria a duração: 3hs nada leves, recheadas de inúmeros diálogos - muitos deles de difícil compreensão - numa velocidade tão vertiginosa que ou você lê as legendas ou vê o filme. Outra questão é que o filme é contado em três tempos distintos intercalados, então não espere nada muito didático na narrativa. No fiel da balança, "Oppenheimer" é um bom filme, não mais que isso. Traz em si uma ótima oportunidade de conhecer melhor esse momento histórico e de levantar uma reflexão importante sobre a questão atômica. Terminei a sessão me perguntando se esse filme levará o Oscar, já que na temporada de prêmios o filme, até o momento, teve 10 vitórias e pegou 5 vezes o segundo lugar, mas confesso que tenho dúvidas se ele terá fôlego para chegar lá. De qualquer forma já vimos muitos filmes excelentes perderem e muitos, não tão interessantes, ganharem. Então nada mais me surpreende no Oscar.
Para quem ainda não sabe, o título “Oppenheimer” se refere ao sobrenome de Julius Robert Oppenheimer (1904-1967), um físico teórico americano que foi diretor do Laboratório Nacional Los Alamos durante a Segunda Guerra Mundial. Geralmente, ele é creditado como “o pai da bomba atômica” por seu papel no Projeto Manhattan, o empreendimento de pesquisa e desenvolvimento que criou as primeiras armas nucleares.
Roberto Sadovski, colunista do UOL, nos diz que para contar sua história o diretor Christopher Nolan se baseou no livro "Oppenheimer: O Triunfo e a Tragédia do Prometeu Americano", lançado por Kai Bird e Martin J. Sherwin em 2005, depois de um quarto de século de pesquisa. Segundo ele, Nolan “fragmentou seu roteiro em três momentos da vida do físico, intercalados ao longo de pouco mais de 3 horas de filme”. Seu retrato mostra “um gênio imperfeito”, que “encontra respaldo em sua inteligência superlativa para exercitar seu ego, compensando as fissuras em sua vida pessoal. O desafio de bater os nazistas, aliado a uma flexibilidade moral que o momento histórico tornou indispensável, resultam em uma vida assolada pela culpa da vasta destruição atômica”.
O filme procura ser o mais fiel possível à biografia do cientista mas, ao final dos créditos, há um aviso dizendo que apesar do filme ter sido baseado numa história real, alguns acontecimentos foram ficcionalizados. Essas liberdades que o diretor tomou podem ser lidas no site Omelete na matéria “O que é real e o que é ficção em Oppenheimer? As 5 maiores mentiras do filme”. Mas é melhor ler após assistir ao filme.
“Oppenheimer” já abocanhou inúmeros prêmios importantes e segue agora em direção ao Oscar.
O que disse a crítica: Inácio Araujo da Folha SP avaliou com 2 estrelas, ou seja, sofrível. Escreveu: “O filme é, em poucas palavras, uma história a desenrolar, levada por Christopher Nolan, que parece ter certo prazer em enrolar as coisas. Prazer? Ao obscurecer a trajetória do físico, ao deixar em segundo plano a angústia moral e mesmo o arrependimento por ter criado uma arma capaz de destruir a humanidade, o diretor obscurece a grande questão de atualidade de seu filme - a retomada da corrida armamentista entre Rússia e Estados Unidos, o aprofundamento do espírito bélico americano nos últimos anos - em suma, o perigo mesmo de destruição da humanidade como decorrência de uma guerra nuclear”. Ele achou os diálogos bem escritos, os bons atores bem dirigidos, mas acredita ter sido “uma pena que [o filme] tenha se transformado num mastodonte de três horas que navega pesadamente da Depressão à caça às bruxas para desembocar num filme de tribunal apenas enfadonho”.
Aline Pereira do site Adoro Cinema, por outro lado, avaliou com 4,5 estrelas, ou seja, ótimo. Ela disse: “Se em ‘Tenet’, senti falta da forma trabalhando a favor da história, em ‘Oppenheimer’, há uma combinação harmônica entre narrativa e estética, passando por um grande trabalho de som”. E conclui dizendo que “durante suas três horas de duração e uma avalanche de diálogos nem sempre fáceis de entender, a produção também nos leva a uma questão crucial: quem é o responsável pela tragédia? Quem dá uma resposta (cheia de margem para questionamentos) é o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman (Gary Oldman) em cena com o cientista: ‘ninguém se importa com quem criou a bomba, só com quem mandou jogar’. O sangue está nas mãos de quem? Talvez seja este o legado de ‘Oppenheimer’ - do homem e do filme”.
O que eu achei: O filme tem qualidades e defeitos. De bom temos o elenco composto por Cillian Murphy (que está muito bem no papel principal), Emily Blunt, Matt Damon, Robert Downey Jr. (que está excelente e tem altas chances de ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), Florence Pugh, Rami Malek, Kenneth Branagh e Gary Oldman, dentre outros. Outro ponto positivo é a fidelidade da história contada que sofreu poucas alterações na transposição do livro para o cinema. Porém, apesar do filme estar abocanhando inúmeros prêmios, há defeitos. O primeiro deles seria a duração: 3hs nada leves, recheadas de inúmeros diálogos - muitos deles de difícil compreensão - numa velocidade tão vertiginosa que ou você lê as legendas ou vê o filme. Outra questão é que o filme é contado em três tempos distintos intercalados, então não espere nada muito didático na narrativa. No fiel da balança, "Oppenheimer" é um bom filme, não mais que isso. Traz em si uma ótima oportunidade de conhecer melhor esse momento histórico e de levantar uma reflexão importante sobre a questão atômica. Terminei a sessão me perguntando se esse filme levará o Oscar, já que na temporada de prêmios o filme, até o momento, teve 10 vitórias e pegou 5 vezes o segundo lugar, mas confesso que tenho dúvidas se ele terá fôlego para chegar lá. De qualquer forma já vimos muitos filmes excelentes perderem e muitos, não tão interessantes, ganharem. Então nada mais me surpreende no Oscar.