
Comentário: Martin Scorsese (1942) é um diretor de cinema norte-americano. Assisti dele diversos filmes, dentre eles a obra prima "Os Bons Companheiros" (1990), os ótimos “Taxi Driver” (1976), “Touro Indomável” (1980), “Cabo do Medo” (1991), “Gangues de Nova York” (2002), "Os Infiltrados" (2006) e "Ilha do Medo" (2009) e os documentários "No Direction Home: Bob Dylan" (2005) e "Rolling Stones - Shine a Light" (2007). Desta vez vou conferir “Assassinos da Lua das Flores” (2023).
Segundo o site Wikipédia, “Assassinos da Lua das Flores” teve seu roteiro escrito por Martin Scorsese em parceria com Eric Roth, tendo como base a obra literária de não ficção homônima de David Grann, lançada em 2017, acerca dos assassinatos de Oklahoma na década de 1920 contra a tribo indígena Osage, após a descoberta de petróleo em terras tribais. Leonardo DiCaprio, também produtor do filme junto com Scorsese, estrela ao lado de Robert De Niro, Lily Gladstone, Jesse Plemons, Brendan Fraser e John Lithgow. O projeto marca a sexta colaboração entre Scorsese e DiCaprio, bem como a décima entre Scorsese e De Niro.
Natalie Rosa do site Tecmundo nos conta que “A tribo Osage já foi um dos povos mais ricos do mundo, mas na década de 1920 tudo começou a ruir. É a partir deste ponto que o novo filme de Martin Scorsese mostra o que aconteceu 100 anos atrás. Para se ter noção do quão ricos eram os osages, a fortuna chegava ao valor de, na cotação atual, R$ 2 bilhões.
Se hoje os indígenas norte-americanos sofrem preconceito dentro das terras que eles mesmos ajudaram a construir, há um século a situação era muito pior. A riqueza e abundância de petróleo obtida pelos indígenas incomodavam os homens brancos, que logo começaram a traçar planos para roubar o que eles tinham. Os crimes eram motivados pela circulação de notícias sobre suas conquistas. Houve quem alegava que os indígenas não eram capazes de administrar o próprio dinheiro, e que precisavam de pessoas brancas envolvidas nas transações.
Com a ausência de fiscalização, a exploração só aumentava. Então, começou um massacre conhecido como ‘Reinado do Terror’. Cerca de 60 pessoas foram mortas ou registradas como desaparecidas, entre indígenas, testemunhas e até investigadores particulares. Tudo isso aconteceu em um período de cinco anos, entre 1921 e 1926. Os homicídios começaram a ficar tão preocupantes que o FBI precisou se envolver no caso, e graças a esses esforços os crimes foram parcialmente solucionados.
O filme (...) explora todo o terror vivido pelos osages até a intervenção do governo. O longa também aborda a crueldade e frieza dos criminosos e seu plano milimetricamente calculado para tomar a riqueza dos indígenas, acontecendo em uma época em que os povos nativos não tinham direito ao básico de humanidade”.
E o que seria essa tal “Lua das Flores” que aparece no título? Matheus Rocha da Silva do site Terra nos explica que essa expressão “se refere ao ‘Old Farmer's Almanac’ (Almanaque do Velho Fazendeiro), um manual que continha diversas informações sobre eventos ambientais importantes e fenômenos da natureza, como eclipses, maré baixa ou cheia e fases da lua. Cada mês era representado por um nome diferente, de acordo com a lua cheia. A lua cheia de janeiro, por exemplo, era chamada de Lua do Lobo. Neste caso, a Lua das Flores seria a lua cheia de março, quando os primeiros assassinatos do Reino do Terror começaram”.
“Assassinos da Lua das Flores”, com 3h26m de duração, está concorrendo aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Direção (Martin Scorsese), Melhor Atriz (Lily Gladstone, a primeira indígena a concorrer à categoria), Melhor Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Trilha Sonora (Robbie Robertson), Melhor Canção Original (Wahzhazhe, A Song for My People), Melhor Design de Produção (Jack Fisk), Melhor Fotografia (Rodrigo Prieto), Melhor Figurino (Jacqueline West) e Melhor Edição (Thelma Schoonmaker).
O que disse a crítica 1: Marcelo Hessel do site Omelete avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Escreveu: “O fato de o cineasta aparecer pessoalmente e em primeiro plano no filme, na cena metalinguística do rádio-teatro, já denota que Scorsese tem plena consciência de que jamais poderia recontar a história dos osages desconsiderando seu lugar de homem branco e ‘herdeiro’ da opressão. Numa época em que se entende que os lugares de fala são a primeira e principal autoridade num processo de criação artística, Scorsese contorna o politicamente correto e defende, a seu modo, o direito de contar a história dos osages: assumindo seu personalismo e examinando-o sem condescendência”. Para Hessel o filme tem boas atuações mas “não honra a memória dos osages”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Ele elogiou os figurinos, a música, as interpretações e a fotografia e concluiu dizendo que “’Assassinos da Lua das Flores’ é um drama muito maduro no que entrega, mas que não aproveitou por completo aquilo que tinha para aproveitar, culminando numa sensação de falta (no bloco do relacionamento de Mollie e Ernest), e num final com duas rupturas de continuidade que podem ter inúmeros significados interessantes, mas que trazem efeitos problemáticos de unidade fílmica. Em nenhum desses momentos, porém, derruba-se a imponência do épico trágico do diretor, que mesmo não precisando provar nada para ninguém, ensina a todo mundo, mais uma vez, o que é um bom Cinema”.
O que eu achei: O filme é muito bom. Apesar da temática pesada que gira em torno dos assassinatos dos índios Osage nos EUA dos anos 1920, o filme em si flui leve e as 3h26m até passam sem grande cansaço. De qualquer forma acredito que o filme poderia ser mais curto. Todas as indicações ao Oscar que o filme recebeu - para Filme, Direção, Atriz (Lily Gladstone), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Trilha Sonora, Canção, Design de Produção, Fotografia, Figurino e Edição (poderia ser mais curto como disse anteriormente) - têm seu merecimento. Colocaria na lista também a atuação do Leonardo Di Caprio que está incrível no papel de um homem fraco, quase abobalhado, e por isso mesmo extremamente perigoso por ser facilmente manipulado. Porém conhecer essa história, mesmo que contada por um branco que não tem lugar de fala, é o ponto forte. Uma verdadeira aula de história.
E o que seria essa tal “Lua das Flores” que aparece no título? Matheus Rocha da Silva do site Terra nos explica que essa expressão “se refere ao ‘Old Farmer's Almanac’ (Almanaque do Velho Fazendeiro), um manual que continha diversas informações sobre eventos ambientais importantes e fenômenos da natureza, como eclipses, maré baixa ou cheia e fases da lua. Cada mês era representado por um nome diferente, de acordo com a lua cheia. A lua cheia de janeiro, por exemplo, era chamada de Lua do Lobo. Neste caso, a Lua das Flores seria a lua cheia de março, quando os primeiros assassinatos do Reino do Terror começaram”.
“Assassinos da Lua das Flores”, com 3h26m de duração, está concorrendo aos Oscars de Melhor Filme, Melhor Direção (Martin Scorsese), Melhor Atriz (Lily Gladstone, a primeira indígena a concorrer à categoria), Melhor Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Melhor Trilha Sonora (Robbie Robertson), Melhor Canção Original (Wahzhazhe, A Song for My People), Melhor Design de Produção (Jack Fisk), Melhor Fotografia (Rodrigo Prieto), Melhor Figurino (Jacqueline West) e Melhor Edição (Thelma Schoonmaker).
O que disse a crítica 1: Marcelo Hessel do site Omelete avaliou com 3 estrelas, ou seja, bom. Escreveu: “O fato de o cineasta aparecer pessoalmente e em primeiro plano no filme, na cena metalinguística do rádio-teatro, já denota que Scorsese tem plena consciência de que jamais poderia recontar a história dos osages desconsiderando seu lugar de homem branco e ‘herdeiro’ da opressão. Numa época em que se entende que os lugares de fala são a primeira e principal autoridade num processo de criação artística, Scorsese contorna o politicamente correto e defende, a seu modo, o direito de contar a história dos osages: assumindo seu personalismo e examinando-o sem condescendência”. Para Hessel o filme tem boas atuações mas “não honra a memória dos osages”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou com 4 estrelas, ou seja, ótimo. Ele elogiou os figurinos, a música, as interpretações e a fotografia e concluiu dizendo que “’Assassinos da Lua das Flores’ é um drama muito maduro no que entrega, mas que não aproveitou por completo aquilo que tinha para aproveitar, culminando numa sensação de falta (no bloco do relacionamento de Mollie e Ernest), e num final com duas rupturas de continuidade que podem ter inúmeros significados interessantes, mas que trazem efeitos problemáticos de unidade fílmica. Em nenhum desses momentos, porém, derruba-se a imponência do épico trágico do diretor, que mesmo não precisando provar nada para ninguém, ensina a todo mundo, mais uma vez, o que é um bom Cinema”.
O que eu achei: O filme é muito bom. Apesar da temática pesada que gira em torno dos assassinatos dos índios Osage nos EUA dos anos 1920, o filme em si flui leve e as 3h26m até passam sem grande cansaço. De qualquer forma acredito que o filme poderia ser mais curto. Todas as indicações ao Oscar que o filme recebeu - para Filme, Direção, Atriz (Lily Gladstone), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Trilha Sonora, Canção, Design de Produção, Fotografia, Figurino e Edição (poderia ser mais curto como disse anteriormente) - têm seu merecimento. Colocaria na lista também a atuação do Leonardo Di Caprio que está incrível no papel de um homem fraco, quase abobalhado, e por isso mesmo extremamente perigoso por ser facilmente manipulado. Porém conhecer essa história, mesmo que contada por um branco que não tem lugar de fala, é o ponto forte. Uma verdadeira aula de história.