21.1.24

“A Fera do Mar” - Chris Williams (EUA, 2022)

Sinopse:
Uma menina entra escondida no navio de um grande caçador de monstros marinhos. Juntos, eles iniciam uma jornada épica por águas desconhecidas.
Comentário: Segundo Charlise Morais do Estadão, “o filme conta a história da pequena Maisie Brumble, uma jovem ambiciosa e corajosa que foge do orfanato em que vive para embarcar clandestinamente em um navio de caçadores de monstros, onde conhece os heróis que lia nas histórias de seus livros. Entre eles, estão o Capitão Corvo e Jacob Holland, que foi encontrado em alto mar pelo líder da embarcação quando era apenas uma criança. Ao lado do resto da tripulação, eles passam seus dias caçando as grandes feras do mar. Depois de um evento inesperado na procura pela Bravata Vermelha, o monstro mais temido de todos, Jacob e Maise precisam se unir em uma aventura por águas desconhecidas.
O longa é dirigido por Chris Williams, responsável por produções de sucesso da Disney, como ‘Moana’, ‘Bolt - Supercão’ e ‘Operação Big Hero’ (...). Quem dá voz aos personagens na versão original são os atores Karl Urban (Jacob), Jared Harris (Capitão Corvo) e Zaris-Angel Hator, que rouba a cena como Maisie. (...) ‘A Fera do Mar’ pode ser visto por toda a família. Apesar de ser uma animação com foco no público infantil, a história sustenta o interesse do espectador de todas as idades, algo que pode ser creditado pelo balanço entre um personagem adulto e uma criança”.
Com relação à parte técnica, Amanda Capuano da Revista Veja nos conta que “a animação foi colocada de pé por um grupo de 665 pessoas, entre artistas e equipe de produção, que se dedicaram, entre outras coisas, a um elemento primordial do filme: a água. No total, são quase 800 cenas que se passam no mar, 719 delas no navio principal. ‘Isso significa que tudo está em movimento por boa parte do tempo: a água, o navio, os personagens e até a câmera’, descreveu com exclusividade à Veja R. Stirling Duguid, supervisor de efeitos visuais da produção. Para comandar a equipe numerosa, Duguid contou com uma bagagem curiosa, e bem rara na indústria: quando criança, morou com os pais em um navio por dois anos e meio. ‘Por causa dessa experiência, eu certamente tenho uma afinidade grande com o mar e com tudo relacionado à navegação’, conta ele. Mesmo assim, o trabalho exigiu muita pesquisa – foi assim que eles descobriram a Escala de Beaufort, usada por marinheiros há mais de 200 anos para categorizar os ventos que enfrentam no mar. Dividida em doze níveis, a métrica é aplicada para determinar a velocidade do vento no oceano, mas também a altura e a velocidade das ondas. Foi ela que serviu de base para as cenas marítimas da animação. Já os personagens e objetos dos cenários foram todos desenhados em duas versões, uma seca e uma molhada. A equipe também passou algum tempo estudando como seria a aparência dos céus e das nuvens em pintura fosca. Nas tentativas para definir uma identidade visual para o desenho, chegaram até a experimentar alguns estilos pictóricos, mas acabaram decidindo por uma imagem mais fotográfica, que colabora para a ideia de imersão defendida pelos diretores”.
O filme concorreu ao Oscar, perdendo para “Pinóquio”, de Guillermo Del Toro.
O que disse a crítica: Caio Coletti do site Omelete avaliou como bom. Escreveu: “Você já viu ‘A Fera do Mar’ antes - provavelmente, quando ele ainda se chamava ‘Como Treinar o Seu Dragão’. É impossível afastar a sensação de déjà vu aqui, porque o roteiro de Chris Williams (...) e Nell Benjamin (...) faz pouco mais do que transportar a história da franquia criada por Dean DeBlois dos céus para os mares (...)”. E conclui dizendo: “Da forma como foi estruturado, ‘A Fera do Mar’ é quase uma história episódica. A cada virada de ato, ele se transforma em um filme diferente, em muitos sentidos um questionamento do filme que veio antes (...)”.
Fábio Rossini do site Cinema com Rapadura achou excelente. Disse: Em “A Fera do Mar”, “os monstros são vistos como grandes ameaças, porém, entra aquele mesmo código de honra conhecido por quem já jogou ‘Shadow of the Colossus’: os monstros simplesmente estão lá e o homem vai matá-los em busca da conquista do objetivo. A justificativa na obra é que existiam lendas de que os monstros invadiam os litorais e devoravam os banhistas. O arco da história perde alguns pontos por essa falta de originalidade, sendo que é fácil prever completamente o terceiro ato. Nada que afete o material, que é relativamente parecido com o arco de ‘Como Treinar o Seu Dragão’. A semelhança também vai de encontro com a aparência dos monstros, com grande inspiração na mitologia nórdica, na mesma pegada que a animação da DreamWorks. Com uma bonita mensagem que critica o julgamento por aparências, ‘A Fera do Mar’ é uma animação criativa, muito bem executada e, acima de tudo, uma aventura divertida para assistir em família. Trata-se de mais um material feito com esmero, com potencial para desbravar muitas águas desconhecidas em possíveis sequências”.
O que eu achei: A crítica especializada, de uma maneira geral, achou “A Fera do Mar” extremamente parecida com “Como Treinar Seu Dragão”. Segundo ela o que fizeram foi basicamente transportar uma história que se passava no céu para uma que se passa no mar. Como eu nunca assisti “Como Treinar Seu Dragão”, essa sensação de déjà vu não me abateu, mas fatalmente abaterá quem viu. Outra questão negativa é a duração excessiva: 2hs de filme numa produção voltada para o público infantil. De bom temos a pluralidade dos tipos físicos: a menina protagonista é negra, na tripulação há homens, mulheres, figuras andróginas e pessoas com deficiência física. Uma questão interessante que o filme discute é que as histórias sempre foram escritas e publicadas por quem está no poder não representando necessariamente a verdade dos fatos. Com isso levantam-se questões: quem colocou na cabeça da população que as feras do mar são animais perigosos que atacam as comunidades e que devemos matá-los? No mundo real poderíamos nos perguntar quem escreveu os livros de história consumidos nas escolas? Perdedores e massacrados escrevem livros mostrando seu ponto de vista? Como começam as guerras? Ao final o que temos é uma boa animação, tecnicamente bem feita, que adultos e crianças vão curtir. Não é a última bolacha do pacote, mas vale pelas reflexões que traz.