18.12.23

“O Último Portal” - Roman Polanski (França/Espanha/EUA, 1999)

Sinopse:
Em busca de um livro raro, um livreiro inescrupuloso (Johnny Depp), especializado em rastreamento de volumes raros e exóticos para colecionadores, embarca em um mundo de assassinatos, mentiras e satanismo.
Comentário: Roman Polanski é um diretor, produtor, roteirista e ator polonês nascido na França. Assisti até o momento 15 filmes dele. São dele os ótimos “O Bebê de Rosemary” (1968), "MacBeth" (1971), "Chinatown" (1974), "O Inquilino" (1976), "O Pianista" (2002), "O Escritor Fantasma" (2010), "Deus da Carnificina" (2011) e "A Pele de Vênus" (2013) dentre outros.
Thomas Boeira do site Papo de Cinema nos conta que “Baseado no livro ‘O Clube Dumas’, de Arturo Pérez-Reverte, o roteiro escrito por Polanski em parceria com John Brownjohn e Enrique Urbizu acompanha Dean Corso (Depp), homem que trabalha com livros raros, interessado no dinheiro que eles podem render. Ao ser contatado pelo colecionador Boris Balkan (Frank Langella), Corso descobre que o sujeito adquiriu uma cópia de ‘Os Nove Portais’, obra que supostamente adapta o texto escrito pelo próprio Demônio. Assim, ele recebe a tarefa de comparar o livro com outras duas edições existentes para atestar qual delas é a autêntica. No caminho, ele tem que lidar com Liana Telfer (Lena Olin), esposa do homem que vendeu a cópia a Balkan, e que a quer de volta mesmo com o marido tendo se matado”.
O que disse a crítica: André Barcinski da Folha de SP não gostou. Escreveu: “Sabe-se que é possível um cineasta melhorar com o tempo. São muitos os casos de artistas que aprenderam, se aperfeiçoaram e fizeram filmes cada vez melhores. Será possível um cineasta desaprender com a idade? Se analisarmos o caso de Roman Polanski, parece que sim. Este, afinal, é o cineasta que surgiu na Polônia nos anos 60 e que fez filmes como ‘A Faca na Água’, ‘Repulsa ao Sexo’ e ‘Chinatown’. Nos últimos anos, no entanto, o trabalho de Polanski vem caindo de qualidade como um balão que se apagou no ar: ‘Lua de Fel’ não era grande coisa; ‘A Morte e a Donzela’ era bem fraco, e agora chega este ‘O Último Portal’, que é constrangedor”.
Thomas Boeira também achou fraco. Disse: “Em 1968, o grande diretor Roman Polanski lançou o excepcional ‘O Bebê de Rosemary’, filme que envolvia misteriosos rituais satânicos, e que é reconhecido como um de seus melhores trabalhos. Não à toa, se tornou um clássico do cinema desde então. Trinta anos mais tarde, Polanski fez uma obra tematicamente semelhante em ‘O Último Portal’, que contou com Johnny Depp no papel principal. No entanto, o filme foi uma escorregada na carreira do cineasta, com o resultado ficando muito aquém daquele que havia conseguido anteriormente. (...) Mesmo com um terceiro ato particularmente bagunçado, ‘O Último Portal’ tinha potencial, mas infelizmente acabou decepcionando”.
O que eu achei: Com certeza “O Último Portal” não é o melhor trabalho do Polanski. O ator principal Johnny Depp faz o papel de um livreiro especializado em livros raros que vai precisar localizar dois volumes – um em Portugal e um na França – envolvendo-se em uma teia de mentiras e assassinatos e correndo risco de vida. Seu personagem se parece muito com o que ele mesmo faz no filme “A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça”, do mesmo ano. Ele até se sai bem com seu tipo inocente e engraçado, mas dá uma sensação de déjà-vu. A esposa do Polanski - Emmanuelle Seigner – é outro problema. No filme “Lua de Fel” (1992) ela já havia apresentado uma atuação irregular que tendia para os exageros. Neste ela se apresenta inexpressiva, num roteiro que mal se dá ao trabalho de explicar quem ela é. Contando com uma boa fotografia e com todo o mistério envolvido na história, você até consegue se manter atento acompanhando a trama com interesse mas, quando chega o desfecho, não espere grandes explicações pois você não as terá. Concluindo, o filme fica ali entre o mediano e o bom, mas longe daqueles trabalhos magníficos desse mesmo diretor.