
Comentário: Adirley Queirós é um cineasta brasileiro nascido em Goiás. O site Wikipédia nos conta que “ele é o terceiro dos seis filhos de um casal de migrantes de Minas Gerais que ao final dos anos 1960 se instalou no interior de Goiás, de onde foi expulso por um latifundiário, rumando para Brasília no início dos anos 1970, época em que a nova capital era tida como um Eldorado de oportunidades. Quando a família chegou ao Distrito Federal, Adirley Queirós tinha apenas três anos, a mesma idade da recém-criada cidade-satélite de Ceilândia, para onde o casal e seus filhos se mudaram definitivamente ao serem sorteados para adquirir um lote a custos módicos. Adirley Queirós se tornou jogador de futebol ainda em sua adolescência, tendo atuado em clubes de segunda e terceira divisão do Distrito Federal por pouco mais de dez anos, quando uma contusão o obrigou a deixar o esporte precocemente. Desempregado e sem formação universitária, passou a dar aulas de reforço de matemática, física e química, o que o ajudou tanto a tornar-se funcionário público em um hospital quanto a ser admitido, aos 28 anos, no curso de Comunicação (com ênfase em Cinema) da Universidade de Brasília. Seu primeiro curta-metragem, ‘Rap, o Canto da Ceilândia’, pelo qual recebeu diversos prêmios, foi seu trabalho de conclusão de curso. Seus longas-metragens ‘A cidade é uma só?’ (2011) e ‘Branco Sai, Preto Fica’ (2014) também foram premiados em importantes festivais”.
O filme é um docudrama - mescla de ficção com documentário - e conta a história de um grupo de jovens da periferia de Brasília que têm suas vidas marcadas após um acontecimento trágico. A história do filme parte de um acontecimento real de repressão policial ocorrido em 1986, durante um baile na região administrativa de Ceilândia, em Brasília. Na ocasião a polícia invadiu o baile com tiros, rendeu pessoas e deixou, entre feridos, dois homens marcados, um com uma perna amputada e outro paralisado da cintura abaixo. Ninguém foi responsabilizado. No filme, vem do futuro um detetive para investigar o que acontecera e determinar o culpado.
O roteiro e a produção também são de Adirley Queirós e a direção de fotografia ficou a cargo de Leonardo Feliciano. No elenco estão Marquim da Tropa, Dilmar Durães, Gleide Firmino, Dj Jamaika e Shockito.
O que disse a crítica: Diego Benevides do site Cinema com Rapadura avaliou como ótimo. Escreveu: “Entre os longas exibidos em Brasília, ‘Branco Sai, Preto Fica’ foi o melhor representante do hibridismo entre ficção e documentário, que foi recorrente na mostra competitiva. A liberdade de criar um filme que reflete sobre a fragilidade da vida, independente da cor da pele, traz momentos preciosos. Também é possível se sentir incomodado não apenas com a brutalidade da polícia dentro da periferia, mas por ser doloroso ver aqueles rapazes danificados pela injustiça, mas que não se deixam frustrar pela nova realidade que enfrentam. Existe um problema no longa que é comum quando se tenta recortar ou esticar demais as metáforas. Em certo momento, o ritmo fica prejudicado pelas constantes revisitações dos conflitos. Uma trama um pouco mais enxuta ajudaria o longa a entrar na lista das produções impecáveis. Ainda assim, é preciso coragem para realizar uma obra desta magnitude narrativa, principalmente pela identificação com que o público, não só brasiliense, sente com os personagens. É impossível ficar indiferente com aquelas histórias, que ainda trazem momentos delicadíssimos de emoção e humor pelas sátiras políticas estabelecidas pelo cineasta”.
Marcelo Hessel do site Omelete avaliou como ótimo. Disse: “Nessa procura por uma fabulação que represente a gente sem corpo e sem voz, por mais amadora e inconsequente que seja, como num bom exemplar de cinema marginal, ‘Branco Sai, Preto Fica’ encontra uma forma absolutamente brasileira de expurgar rancores e convocar ao movimento”.
O que eu achei: O título do filme se refere à uma frase dita por um policial durante a invasão de um baile popular nos anos 1980 na Ceilândia, no Distrito Federal: “os brancos devem deixar o salão e os pretos devem ficar e apanhar”. É nessa abordagem que Marquim e Sartana se acidentaram, o primeiro ficando paralisado da cintura para baixo e, portanto, dependente de cadeira de rodas para se locomover e, o segundo, teve que ter uma das pernas amputada e hoje usa uma prótese. Esses personagens-reais são filmados em suas atividades cotidianas, enquanto um terceiro personagem, desta vez fictício, chamado Cravalanças, vem do futuro numa espécie de container buscar provas da responsabilidade do Estado brasileiro nos eventos do baile que vitimou os rapazes negros. O docudrama – mistura de documentário com ficção – resulta lento, repetitivo e chocante, porém seus recursos audiovisuais provocam reflexões importantes sobre os indivíduos negros e periféricos e sobre o direito à cidade.
O filme é um docudrama - mescla de ficção com documentário - e conta a história de um grupo de jovens da periferia de Brasília que têm suas vidas marcadas após um acontecimento trágico. A história do filme parte de um acontecimento real de repressão policial ocorrido em 1986, durante um baile na região administrativa de Ceilândia, em Brasília. Na ocasião a polícia invadiu o baile com tiros, rendeu pessoas e deixou, entre feridos, dois homens marcados, um com uma perna amputada e outro paralisado da cintura abaixo. Ninguém foi responsabilizado. No filme, vem do futuro um detetive para investigar o que acontecera e determinar o culpado.
O roteiro e a produção também são de Adirley Queirós e a direção de fotografia ficou a cargo de Leonardo Feliciano. No elenco estão Marquim da Tropa, Dilmar Durães, Gleide Firmino, Dj Jamaika e Shockito.
O que disse a crítica: Diego Benevides do site Cinema com Rapadura avaliou como ótimo. Escreveu: “Entre os longas exibidos em Brasília, ‘Branco Sai, Preto Fica’ foi o melhor representante do hibridismo entre ficção e documentário, que foi recorrente na mostra competitiva. A liberdade de criar um filme que reflete sobre a fragilidade da vida, independente da cor da pele, traz momentos preciosos. Também é possível se sentir incomodado não apenas com a brutalidade da polícia dentro da periferia, mas por ser doloroso ver aqueles rapazes danificados pela injustiça, mas que não se deixam frustrar pela nova realidade que enfrentam. Existe um problema no longa que é comum quando se tenta recortar ou esticar demais as metáforas. Em certo momento, o ritmo fica prejudicado pelas constantes revisitações dos conflitos. Uma trama um pouco mais enxuta ajudaria o longa a entrar na lista das produções impecáveis. Ainda assim, é preciso coragem para realizar uma obra desta magnitude narrativa, principalmente pela identificação com que o público, não só brasiliense, sente com os personagens. É impossível ficar indiferente com aquelas histórias, que ainda trazem momentos delicadíssimos de emoção e humor pelas sátiras políticas estabelecidas pelo cineasta”.
Marcelo Hessel do site Omelete avaliou como ótimo. Disse: “Nessa procura por uma fabulação que represente a gente sem corpo e sem voz, por mais amadora e inconsequente que seja, como num bom exemplar de cinema marginal, ‘Branco Sai, Preto Fica’ encontra uma forma absolutamente brasileira de expurgar rancores e convocar ao movimento”.
O que eu achei: O título do filme se refere à uma frase dita por um policial durante a invasão de um baile popular nos anos 1980 na Ceilândia, no Distrito Federal: “os brancos devem deixar o salão e os pretos devem ficar e apanhar”. É nessa abordagem que Marquim e Sartana se acidentaram, o primeiro ficando paralisado da cintura para baixo e, portanto, dependente de cadeira de rodas para se locomover e, o segundo, teve que ter uma das pernas amputada e hoje usa uma prótese. Esses personagens-reais são filmados em suas atividades cotidianas, enquanto um terceiro personagem, desta vez fictício, chamado Cravalanças, vem do futuro numa espécie de container buscar provas da responsabilidade do Estado brasileiro nos eventos do baile que vitimou os rapazes negros. O docudrama – mistura de documentário com ficção – resulta lento, repetitivo e chocante, porém seus recursos audiovisuais provocam reflexões importantes sobre os indivíduos negros e periféricos e sobre o direito à cidade.