5.11.23

“O Valor de Um Homem” - Stéphane Brizé (França, 2015)

Sinopse:
Thierry (Vincent Lindon) tem 51 anos e está desempregado. Entre diplomas sem futuro e repetidas humilhações, os tempos são duros. Ele tenta preservar o apartamento e a educação do filho com necessidades especiais. É quando, finalmente, ele acaba achando um emprego como agente de segurança de um supermercado.
Comentário: Stéphane Brizé é um cineasta francês. São dele os filmes “Dançar - Despertar de Um Desejo” (2004), “Mademoiselle Chambon” (2009), “Uma Primavera com Minha Mãe” (2012), “A Vida de uma Mulher” (2016) e “Em Guerra” (2018), dentre outros. “O Valor de Um Homem” é o primeiro filme que assisto dele.
Adriano Garrett do site Cine Festivais nos conta que “Vincent Lindon é daqueles atores que o cinéfilo brasileiro pode até não se lembrar do nome, mas que provoca reconhecimento imediato quando aparece em tela. (...) Em ‘O Valor de Um Homem’ (...) seu personagem se vê marginalizado dentro do sistema. Casado e pai de um filho com necessidades especiais, Thierry (Lindon) está desempregado há meses e precisa com urgência de um novo posto para conseguir pagar a escola do garoto e as parcelas da casa própria, entre outras obrigações. Um diálogo logo nos primeiros minutos ilustra toda uma tendência de filmes recentes com viés humanista e críticos às distorções do sistema capitalista - além dos trabalhos de Philippe Lioret, é possível incluir na lista obras como ‘As Neves do Kilimanjaro’, de Robert Guédiguian, e ‘Dois Dias, Uma Noite’, dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Em conversa com companheiros desempregados, o protagonista rejeita a ideia de levar adiante uma batalha judicial coletiva contra os seus ex-patrões; com a falência institucional e afetiva dos laços de classe, a resistência possível, na visão desses títulos cinematográficos, está centrada no indivíduo”.
O que disse a crítica: Marcelo Müller do site Papo de Cinema avaliou o filme como bom. Escreveu: “Mesmo se ressentindo de uma aridez eventualmente contraproducente, ‘O Valor de Um Homem’ transpõe suas inconstâncias, vistas especialmente na frágil construção do plano emocional, âmbito nem sempre privilegiado em meio ao desenho da coletividade, para expor um ponto de vista fortemente opositor ao vigente, desiludido pela constatação da realidade, mas crente na representatividade das ações pessoais. A realização de Brizé acaba postulando que as atitudes dignificam o homem, não o trabalho”.
Bruno Carmelo do site Adoro Cinema avaliou como obra-prima. Disse: “Stéphane Brizé sempre foi um diretor focado em relações humanas e histórias de amor. Talvez por isso sua abordagem poética tenha funcionado tão bem com o conteúdo político. ‘O Valor de um Homem’ é uma obra revoltada, mas melancólica, belíssima em sua empatia com cada personagem em cena. É notável que, após conseguir um emprego, a profundidade de campo se reduza, como se Thierry não enxergasse mais os outros ao redor. O homem se torna menor, mais fraco, através da gradação microscópica e certeira de Vincent Lindon. A cena final deixa um grito na garganta, uma revolta triste. É excepcional ver a política se tornar poesia, e descobrir um roteiro capaz de enxergar o funcionamento de um sistema com distanciamento, sem atribuir a culpa a indivíduos específicos. Qualquer pessoa que algum dia já se sentiu explorada ou pouco reconhecida em seu emprego vai se identificar com este filme dolorosamente contemporâneo”.
O que eu achei: Procurar um emprego após os 50 anos a gente sabe que não é fácil. O filme mostra, com uma pegada documental, todos os passos de Thierry (Vincent Lindon) até ele conseguir emprego como segurança de um supermercado. Quem já procurou emprego na vida vai se identificar com algumas situações. Apesar da necessidade de ter um salário regular, algo que a colocação lhe dá, não será fácil pra ele lidar com as desventuras dos outros, sejam eles clientes ou funcionários, que para não passar fome tiveram que furtar uma ou outra coisa ou mesmo se valer de um emprego de caixa para acumular pontos num cartão fidelidade. O filme é bom, apesar da pegada um pouco arrastada, mas Lindon é um baita ator que fez por merecido o prêmio que recebeu em Cannes. É um filme realista, crítico que, como disse Marcos Aurélio Ruy no Portal CTB, “mostra a vida como ela é, mas insinua como ela poderia - ou deveria ser” se todos fôssemos mais humanos. Vale ver.