7.11.23

“Decisão de Partir” - Park Chan-wook (Coreia do Sul, 2022)

Sinopse:
Hae-joon (Park Hae-il) é o mais jovem inspetor do departamento de polícia de Busan. Sua vida começa a se complicar quando o corpo de um alpinista é encontrado na base de uma montanha rochosa íngreme. As investigações indicam que a principal suspeita é a viúva do homem, Seo-rae (Tang Wei), uma bela imigrante chinesa que não parece nem um pouco chateada com a morte do marido.
Comentário: Park Chan-wook é um cineasta sul-coreano considerado um dos nomes mais importantes da geração de cineastas sul-coreanos nascidos nos anos 60. Assisti dele o ótimo "Três... Extremos" (2004) que era composto por três histórias de terror dirigidas por três diretores diferentes, mas ele ficou famoso mundo afora com sua Trilogia da Vingança, que teve na obra “Oldboy” (2003) seu ponto alto. Outro filme muito aclamado dele é “A Criada” (2016).
Marcelo Janot do site Críticos nos conta que “Se ‘A Criada’, adaptado de um romance britânico, já era diferente de seus filmes que tinham como tema central a vingança, no novo ‘Decisão de Partir’, bastante aplaudido e elogiado pela crítica na competição de Cannes, ele incorpora à trama policial elementos clássicos do cinema noir e um certo ar hitchcockiano que remete a ‘Um Corpo Que Cai’. Hae-joon (Park Hae-il) é o policial de Busan encarregado de investigar a morte de um homem que caiu do alto de um penhasco em circunstâncias misteriosas. A principal pessoa que pode ajudá-lo é a viúva da vítima, Seo-rae (Tang Wei). Ela é uma imigrante chinesa que fala coreano com dificuldade, e sua frieza ao tratar da morte do marido (que a espancava) causa certo estranhamento no policial. Ao mesmo tempo em que as investigações prosseguem e elementos vão deixando-a sob suspeita, Hae-joon se sente seduzido por ela e começa a colocar em risco seu próprio casamento. Não é difícil para o espectador entender como, apesar de ser um policial dedicado ao cumprimento do seu dever, Hae-joon é carregado por essa tormenta. A atriz chinesa Tang Wei, que já tinha demonstrado seu sex appeal de maneira intensa em ‘Desejo e Perigo’ (1997), de Ang Lee, aqui atinge o ápice de sua maturidade artística como essa irresistível femme fatale, numa interpretação delicada e cheia de nuances como pede um filme com tantas reviravoltas e surpresas”.
O longa foi um dos principais destaques do Festival de Cannes de 2022, com um troféu de Melhor Direção para Chan-wook.
O que disse a crítica 1: Jorge Pereira Rosa do site C7nema não gostou. Escreveu: “no arranjo de procedimentos e formas (...) e no atafulhar [encher, abarrotar] de elementos (visuais e sonoros) em função da atmosfera, Chan-wook perde espontaneidade e clareza, transformando “Decisão de Partir” num objeto mais acadêmico e teórico (bonito no papel, ou isoladamente), que prático e envolvente (no seu todo). A direção de Chan-wook, sempre tentada em mostrar excelência poética e técnica em cada momento, sufoca e oblitera todo o resto, percebendo-se por que saiu de Cannes com o prêmio de melhor realização, mas vazio de qualquer outra distinção em termos do filme per se. E é uma pena porque os ingredientes estão todos lá e de forma alguma o cineasta perdeu a habilidade em contar uma história. Aqui apenas tropeça em si mesmo, saindo por cima o seu olhar e não realmente aquilo que o espectador pode daí retirar”.
O que disse a crítica 2: Aline Pereira do site Adoro Cinema gostou muito. Disse: “A habilidade de Park Chan-wook para criar viradas em suas histórias coloca o diretor sul-coreano em um lugar especial do cinema porque seus mecanismos para causar surpresa vêm sempre carregados de elementos complexos. Os dois protagonistas estão o tempo todo numa corda bamba, prestes a tombar para um dos dois lados: inimigos ou aliados? E o ponto alto aqui é que, assistindo, fica difícil termos noção de quais seriam as consequências, tanto para um desfecho, quanto para o outro”.
O que eu achei: Apesar do filme ter até uma beleza plástica e uma edição interessantes, eu tive muita dificuldade para acompanhar os acontecimentos. Os pensamentos dos personagens são materializados em imagens dentro do filme, ocorrendo um entrelaçamento entre as cenas pertencentes à história em si - que não é uma história simples - com aquelas que são apenas reflexões, portanto toda a atenção é necessária. Entretanto, mesmo assistindo disposta e atenta, a sensação que ficou - como disse Jorge Pereira Rosa do C7nema - é a de que faltou clareza ao diretor. Então não sei se o problema está em mim ou no filme. Some-se a isso o azar de pegar uma legenda mal feita com inúmeros erros na tradução do coreano para o português, e o resultado foi finalizar tendo que fazer uma pesquisa na internet para entender o que houve. Tinha tudo para ser um bom filme, só que terminou sendo muito frustrante. Veja e tire suas próprias conclusões.