
Comentário: Dennis Hopper (1936-2010) foi um ator e diretor norte-americano. Como ator ele participou de inúmeros filmes importantes como "Juventude Transviada" (1955), "Assim Caminha a Humanidade" (1956), “Apocalypse Now" (1979) e "Veludo Azul" (1986), dentre outros. Como diretor ele trabalhou em oito títulos, dentre eles "As Cores da Violência" (1988), "Atraída pelo Fogo" (1990) e "Homeless" (2000). O único que eu assisti com ele na direção foi a obra-prima “Sem Destino” (1969), que marcou uma geração.
Ronald Perrone do site Vício Frenético nos conta que “Após o sucesso do clássico ‘Sem Destino’, Hollywood estava em polvorosa com o Hopper e Peter Fonda, estava de lua-de-mel com uma turma de diretores cheios de novas ideias e com possibilidades de encher os bolsos dos grandes estúdios de dinheiro, mas que davam total liberdade para diretores como Francis Ford Coppola, Hal Ashby, Robert Altman, Bill Friedkin e muitos outros. A chamada ‘Nova Hollywood’, aparentemente, era um sucesso. E Hopper, então, era um dos mais cotados pelos estúdios a estourar como o grande nome dessa geração. Executivos brigavam para contratá-lo, não importa o projeto que o sujeito tivesse em mente, porque tinham certeza que iria fazer dinheiro, tendo em vista o que havia sido seu filme de estreia. Mas já em “Sem Destino’, Hopper havia demonstrado o tipo de artista difícil de lidar que era. As histórias de bastidores deste icônico filme são tão incríveis quanto as de ‘O Último Filme’. O fato é que os rumores sobre a falta de confiabilidade de Hopper, sem contar o seu apetite excessivo por drogas e álcool, se espalharam pelos quatro cantos de Hollywood, e o sujeito, cuja carreira estava em tão alta cota, de repente viu os estúdios retirarem suas ofertas. Mas foi nessa que a Universal resolveu fazer uma jogada arriscadíssima, apostando em Hopper, mesmo sabendo que estavam se metendo numa enrascada, dando a ele carta branca e um milhão de dólares para fazer ‘O Último Filme’”.
Ronald Perrone do site Vício Frenético nos conta que “Após o sucesso do clássico ‘Sem Destino’, Hollywood estava em polvorosa com o Hopper e Peter Fonda, estava de lua-de-mel com uma turma de diretores cheios de novas ideias e com possibilidades de encher os bolsos dos grandes estúdios de dinheiro, mas que davam total liberdade para diretores como Francis Ford Coppola, Hal Ashby, Robert Altman, Bill Friedkin e muitos outros. A chamada ‘Nova Hollywood’, aparentemente, era um sucesso. E Hopper, então, era um dos mais cotados pelos estúdios a estourar como o grande nome dessa geração. Executivos brigavam para contratá-lo, não importa o projeto que o sujeito tivesse em mente, porque tinham certeza que iria fazer dinheiro, tendo em vista o que havia sido seu filme de estreia. Mas já em “Sem Destino’, Hopper havia demonstrado o tipo de artista difícil de lidar que era. As histórias de bastidores deste icônico filme são tão incríveis quanto as de ‘O Último Filme’. O fato é que os rumores sobre a falta de confiabilidade de Hopper, sem contar o seu apetite excessivo por drogas e álcool, se espalharam pelos quatro cantos de Hollywood, e o sujeito, cuja carreira estava em tão alta cota, de repente viu os estúdios retirarem suas ofertas. Mas foi nessa que a Universal resolveu fazer uma jogada arriscadíssima, apostando em Hopper, mesmo sabendo que estavam se metendo numa enrascada, dando a ele carta branca e um milhão de dólares para fazer ‘O Último Filme’”.
Perrone nos conta que o primeiro problema era ter que deslocar Hopper e sua equipe para os Andes Peruanos. Havia o problema da logística e o problema com a cocaína, que era fácil de comprar no local. Durante a produção ocorreram festas homéricas, além de problemas com o governo do Peru e com a igreja católica que queriam expulsar esse “hippie revolucionário” do local. Mas ele conseguiu concluir as filmagens a tempo com o orçamento de que dispunha.
Para editar o filme, Hopper se mudou para o Novo México, porém ele havia filmado tanta coisa que o ritmo da edição – regada a drogas e álcool - estava lento demais. Então ele resolveu chamar o diretor Alejandro Jodorowsky para que ele realizasse o trabalho. Jodorowsky tinha feito um sucesso recente com seu cult surreal “O Topo", mas no fim Hopper rejeitou a montagem dele e criou sua própria versão final. O resultado foi que no Festival de Veneza ‘O Último Filme’ até ganhou algum prêmio, mas no circuito comercial o filme fracassou de todas as formas possíveis e acabou com a carreira de Hopper como diretor por quase uma década.
O filme foi exibido na Mostra de São Paulo em 1984, quando Dennis Hopper veio pessoalmente ao Brasil acompanhar a exibição.
O que disse a crítica: O famoso crítico Roger Ebert não gostou. Disse: o filme “é um deserto de destroços cinematográficos. Há todo tipo de coisas que você pode dizer, usando palavras críticas fáceis para descrevê-lo como indisciplinado, incoerente, uma bagunça estrutural. Mas principalmente é apenas lamentável. Hopper nem mesmo conseguiu encobrir seus rastros; o fracasso de suas intenções é claramente óbvio”.
Peter Bradshaw do site The Guardian avaliou o filme como excelente. Escreveu: “É um filme desafiador, que na época foi pioneiro no maneirismo do reflexo da lente: os glóbulos de luz que entravam na imagem quando a câmera era voltada para o sol. Antes considerado um erro a ser removido, agora era um floreio deliberado. Hopper inventou o equivalente da nova onda americana ao corte de salto Godardiano. Existem outras peculiaridades, como a introdução de cartões de ‘cena perdida’ na edição. ‘O Último Filme’ segue bem montado em quase sua totalidade: o que não tem é um final. O óbvio, aquele que você espera, não se concretiza. O filme desaparece, mas não antes de nos dar uma aventura brilhante e emocionante de ideias”.
O que eu achei: A história do filme é a seguinte: uma equipe de cinema americana, da qual o personagem Kansas (Dennis Hopper) faz parte, está no Peru capturando as imagens de um western numa cidade cenográfica. Quando essa filmagem termina e a equipe volta para seu país de origem, os nativos locais encantados com aquele mundo de faz de conta, resolvem, por brincadeira, construir câmeras e equipamentos de iluminação falsos (aparentemente feitos de algum tipo de palha ou bambu) e começam a brincar de fazer um filme. Kansas, apaixonado que está por uma peruana, resolve permanecer no Peru. Temos então três blocos de ideias entrelaçadas cuja montagem resume-se a uma colagem de cenas filmadas aleatoriamente, sem linearidade, num aparente caos narrativo. O curioso é que, apesar da bagunça, o filme prende a atenção até o fim. Há as belas paisagens peruanas, o folclore local com suas particularidades e o desfile de tipos dos anos 70 - dentre eles figuras conhecidas como o ator Peter Fonda (parceiro de Hooper no filme “Sem Destino”), o cantor Kris Kristofferson, o diretor de cinema Samuel Fuller e a cantora Michelle Phillips do grupo The Mamas & The Papas, dentre outros - que formam um retrato do período. Teria tudo para ser um péssimo filme, como foi inclusive considerado à época, mas ao longo do tempo transformou-se num clássico cult que vale ser visto pelo conjunto de ideias que ele reúne. Li que existe um documentário sobre o Hooper chamado “The American Dreamer” (1971) que foi filmado justamente nesse período em que ele estava editando “O Último Filme”. Parece ser uma boa pedida para quem quiser se aprofundar mais.
Para editar o filme, Hopper se mudou para o Novo México, porém ele havia filmado tanta coisa que o ritmo da edição – regada a drogas e álcool - estava lento demais. Então ele resolveu chamar o diretor Alejandro Jodorowsky para que ele realizasse o trabalho. Jodorowsky tinha feito um sucesso recente com seu cult surreal “O Topo", mas no fim Hopper rejeitou a montagem dele e criou sua própria versão final. O resultado foi que no Festival de Veneza ‘O Último Filme’ até ganhou algum prêmio, mas no circuito comercial o filme fracassou de todas as formas possíveis e acabou com a carreira de Hopper como diretor por quase uma década.
O filme foi exibido na Mostra de São Paulo em 1984, quando Dennis Hopper veio pessoalmente ao Brasil acompanhar a exibição.
O que disse a crítica: O famoso crítico Roger Ebert não gostou. Disse: o filme “é um deserto de destroços cinematográficos. Há todo tipo de coisas que você pode dizer, usando palavras críticas fáceis para descrevê-lo como indisciplinado, incoerente, uma bagunça estrutural. Mas principalmente é apenas lamentável. Hopper nem mesmo conseguiu encobrir seus rastros; o fracasso de suas intenções é claramente óbvio”.
Peter Bradshaw do site The Guardian avaliou o filme como excelente. Escreveu: “É um filme desafiador, que na época foi pioneiro no maneirismo do reflexo da lente: os glóbulos de luz que entravam na imagem quando a câmera era voltada para o sol. Antes considerado um erro a ser removido, agora era um floreio deliberado. Hopper inventou o equivalente da nova onda americana ao corte de salto Godardiano. Existem outras peculiaridades, como a introdução de cartões de ‘cena perdida’ na edição. ‘O Último Filme’ segue bem montado em quase sua totalidade: o que não tem é um final. O óbvio, aquele que você espera, não se concretiza. O filme desaparece, mas não antes de nos dar uma aventura brilhante e emocionante de ideias”.
O que eu achei: A história do filme é a seguinte: uma equipe de cinema americana, da qual o personagem Kansas (Dennis Hopper) faz parte, está no Peru capturando as imagens de um western numa cidade cenográfica. Quando essa filmagem termina e a equipe volta para seu país de origem, os nativos locais encantados com aquele mundo de faz de conta, resolvem, por brincadeira, construir câmeras e equipamentos de iluminação falsos (aparentemente feitos de algum tipo de palha ou bambu) e começam a brincar de fazer um filme. Kansas, apaixonado que está por uma peruana, resolve permanecer no Peru. Temos então três blocos de ideias entrelaçadas cuja montagem resume-se a uma colagem de cenas filmadas aleatoriamente, sem linearidade, num aparente caos narrativo. O curioso é que, apesar da bagunça, o filme prende a atenção até o fim. Há as belas paisagens peruanas, o folclore local com suas particularidades e o desfile de tipos dos anos 70 - dentre eles figuras conhecidas como o ator Peter Fonda (parceiro de Hooper no filme “Sem Destino”), o cantor Kris Kristofferson, o diretor de cinema Samuel Fuller e a cantora Michelle Phillips do grupo The Mamas & The Papas, dentre outros - que formam um retrato do período. Teria tudo para ser um péssimo filme, como foi inclusive considerado à época, mas ao longo do tempo transformou-se num clássico cult que vale ser visto pelo conjunto de ideias que ele reúne. Li que existe um documentário sobre o Hooper chamado “The American Dreamer” (1971) que foi filmado justamente nesse período em que ele estava editando “O Último Filme”. Parece ser uma boa pedida para quem quiser se aprofundar mais.