23.9.23

“Um Marido Fiel” - Barbara Rothenborg (Dinamarca, 2022)

Sinopse:
 
Christian (Dar Salim) vive um casamento infeliz com sua esposa Leonora (Sonja Richter). Para compensar isso, recorre a um relacionamento extraconjugal com Xenia (Sus Wilkins), uma bela arquiteta da firma de Christian. As coisas se complicam quando segredos são revelados.
Comentário: Trata-se do quinto longa da diretora dinamarquesa Barbara Rothenborg. Este é o primeiro que assisto dela. O roteiro foi adaptado do livro “Loving Adults” de Anna Ekberg e conta a seguinte história: Christian (Dar Salim) e Leonora (Sonja Richter) vivem a vida perfeita com seu filho - especialmente porque fica claro que esse menino, que anteriormente sofria de uma doença grave, agora está saudável. Por conta de um telefonema que ele recebe na madrugada, Leonora resolve stalkear o marido e percebe que pode haver algo entre ele e Xenia, a arquiteta da empresa dele. Ela está determinada a não se tornar uma mulher abandonada pelo marido, custe o que custar... Christian logo confessa seu caso extraconjugal, mas ela ameaça expor uma fraude que ele havia feito anos atrás para a polícia. Em seu esforço para conseguir algum podre de Leonora, ele procura uma velha amiga dela que o informa sobre os rumores de uma suspeita de que Leonora assassinou um antigo amante que a traiu.
O que disse a crítica: Marcelo Müller do site Papo de Cinema achou o filme bem fraco. Escreveu: “Para Barbara Topsøe-Rothenborg tudo é um bolo uniforme. Não há diferenças, nuances, gradações, ou seja, o filme é um prato raso pelo qual transbordam os problemas de conceito, discurso e execução. A cena de Leonora sendo confrontada pelo olhar debochado da amante durante o sexo faria corar as bochechas dos cineastas da saga Emmanuelle. Não pelo conteúdo erótico, mas por conta da grosseria de um gesto de provocação que não encontra respaldo no comportamento de Xenia. É como se a amante fosse possuída por um espírito zombeteiro na hora. Christian continua entendido necessariamente como um homem acuado, haja vista a quantidade de atenção que a realizadora investe na sua sensação de estar encurralado. Enquanto isso, Leonora gradativamente recebe mais contornos monstruosos, sendo servida ao espectador na mesma bandeja que ele se serve de histórias de assassinos em série e/ou de outros personagens que são a mais pura encarnação do mal. Voltando ao narrador. O fato de ele ser um homem poderia explicar as tintas de vítima para Christian e de algoz para Leonora? Sem dúvida. Mas, para isso acontecer a cineasta precisaria enxergá-lo como um personagem dotado de subjetividade e não apenas como aquele que detém os subsídios para satisfazer a curiosidade alheia. Enfim, um original Netflix daqueles frágeis, insossos e bastante sonolentos”.
Eduardo Kaneco do site Leitura Fílmica achou razoável. Disse: “O suspense dinamarquês ‘Um Marido Fiel’ reúne alguns elementos hitchcockianos, mas é frio demais para provocar emoções”. Segundo ele, “a diretora Barbara Topsøe-Rothenborg se deixa influenciar por Alfred Hitchcock. (...) [Porém há] a ausência de uma trilha musical mais impactante, como aquelas que Bernard Herrmann compunha para Hitchcock. O tom da música sobe em um ou outro momento de susto, mas está insuficiente na construção do clima sinistro. Não é apenas esse elemento que prejudica o suspense, tem também a própria direção na construção do tom ideal, incluindo aí a iluminação, os cortes, os planos adequados etc. Acima de tudo, Topsøe-Rothenborg não explora o suspense no acompanhamento da execução do segundo crime, oportunidade na qual ela poderia colocar o espectador lado a lado com o suspeito, criando a angústia da dúvida se tudo sairá como planejado. Mesmo assim, ‘Um Marido Fiel’ ainda merece menção como um eficiente suspense policial, principalmente por conta do seu roteiro. Não consegue ser um Hitchcock, mas está no caminho”.
O que eu achei: Meu interesse por esse filme surgiu por conta de uma indicação feita numa rede social por uma pessoa muito culta, mas que já percebi, pouco entende de cinema. Foi uma grande frustração. O filme lembra bastante episódios do programa televisivo Linha Direta, onde um narrador conta a história – aqui um policial que investigou o caso a conta para sua filha – enquanto as ocorrências vão sendo encenadas reconstituindo a tal história. A fotografia é fria, os cenários também, a trilha também e os atores também. É muito pouca informação e aprofundamento no roteiro para crermos em algo praticamente inverossímil. Até a reviravolta que parece que vai dar um up no filme, não passa de algo estapafúrdio que mostra o quanto a diretora não acredita na inteligência de seus espectadores. Eu particularmente não gostei, mas quem gostar de um tom novelesco pontuado por momentos piegas pode curtir, pois não chega a ser um desastre completo, mas é quase.