
Comentário: Bahman Ghobadi nasceu em Bané, Irã, em 1969. Trabalhou como assistente do diretor Abbas Kiarostami nas filmagens de “O Vento Nos Levará” (1999). Dirigiu diversos filmes, dentre eles “Tempo de Cavalos Bêbados” (2000), “Exílio No Iraque” (2002), “Tartarugas Podem Voar” (2004), “Antes da Lua Cheia” (2006) e “Ninguém Sabe dos Gatos Persas” (2009). Assisti dele apenas o bom “Tartarugas Podem Voar” (2004). “Exílio no Iraque” é seu segundo longa.
Luiz Santiago do site Plano Crítico nos conta que “’Exílio no Iraque’ (2002), seguiu-se ao penoso ‘Tempo de Cavalos Bêbados’ (2000) e, assim como o seu predecessor, aborda a difícil vida do povo curdo na fronteira entre Irã e Iraque durante os ataques empreendidos por Saddam Hussein, um ano antes da invasão dos Estados Unidos à região. Embora aborde a problemática vida do 3º maior grupo étnico do mundo sem um Estado próprio (os dois primeiros são os Tâmeis e os Sindis, também na Ásia), o filme não se fecha apenas no ‘problema curdo’. A perseguição, as péssimas condições de vida e a tentativa de fixar raízes em uma terra ou exercer uma identidade cultural são ações postas de tal forma que podem ser expressões de qualquer nação sem Estado, qualquer povo forçado a se deslocar constantemente para não morrer em bombardeios, qualquer povo explorado ou oprimido por ser, no lugar onde estão, uma minoria (e só para constar, os Palestinos são o 7º lugar dessa lista). Diferente de ‘Tempo de Cavalos Bêbados’ ou de ‘Tartarugas Podem Voar’, ‘Exílio no Iraque’ é um tipo de história de amor em meio à guerra, uma forma menos agressiva e mais passional de abordar a questão. Talvez impulsionado pela recepção positiva (embora polêmica) de seu primeiro longa, Ghobadi tenha colocado um número bem maior de elementos culturais de seu povo no filme, denunciando e analisando através da música, da guerra e da histeria dos indivíduos uma realidade geopolítica de nosso tempo. Aqui fica clara a influência de Emir Kusturica sobre o diretor, também seria percebida em ‘Antes da Lua Cheia’ (2006) e ‘Ninguém Sabe dos Gatos Persas’ (2009)”.
O que disse a crítica: Cléber Eduardo do site Contracampo não gostou. Escreveu: “Neste seu segundo filme, aparentemente, [o diretor] persegue duas metas: introduzir elementos de apelo popular para flertar com um naco mais polpudo do mercado – interno e externo – e manter-se no filão do circuito de arte com a reprodução de características familiares. A soma resulta esquizofrênica. Uma vela para dois santos às vezes dá no escuro”. E finaliza dizendo: “Conforme o desfecho se aproxima, a comicidade cede espaço a um registro dramático, que nos leva a lembrar, para além do cenário, que estamos em um estereótipo de cinema do Irã, aquele cultuadinho pelo público bem informado no mundo das imagens. Realiza-se a esperada utilização de uma jornada individual, enfrentando dificuldades diversas, para na verdade se falar da saga de todo um povo. Estamos em uma história de ‘busca’. Não apenas de alguém por outra pessoa, mas de um grupo por um rumo em seu zanzar. Uma busca empreendida, sem sucesso, pelo próprio filme”.
Santiago gostou bastante, avaliou como excelente. Disse: “Há quem veja nessa abordagem cultural paralela à guerra algo negativo, apenas uma forma do cineasta encantar os desavisados com exotismo e se fazer bem-visto pela camada crítica, cultivando o status de um diretor relevante no cenário mundial. Mas vale a pergunta: onde está o mal disso? O exotismo que temos aqui não é vazio, ele faz parte de um cenário bem construído e jamais abandonado para dar espaço a outra coisa. Os protagonistas são músicos e, por um motivo especial, estão buscando uma mulher que abandonou o Irã para poder cantar, pois, com a chegada dos fundamentalistas e a República Islâmica em 1979, isso foi proibido. Tudo no filme gira em torno dessa relação entre guerra e identidade cultural, daí a minha estranheza ao perceber que a exploração (neurótica, histérica, semi-surreal, não importa) desses aspectos seja motivo de incômodo para alguns espectadores”.
O que eu achei: Eu achei o filme curioso. Enquanto o pai e seus dois filhos, todos músicos, seguem percorrendo lugares em busca da cantora Hanareh, vamos entrando em contato com as belas paisagens do Irã e do Iraque, ao mesmo tempo em que vamos observando a opressão sofrida pelo povo curdo, com acampamentos de mulheres viúvas, crianças que perderam seus pais em ataques e homens caminhando a esmo por terem perdido suas casas, ilustrando os danos que Saddam Hussein causou nas aldeias curdas. A trilha sonora é bem tradicional e os atores, em sua maioria, são amadores. É mais uma daquelas obras que funcionam como uma aula para quem, assim como eu, conhece pouco ou nada sobre a realidade desses dois países.
O que disse a crítica: Cléber Eduardo do site Contracampo não gostou. Escreveu: “Neste seu segundo filme, aparentemente, [o diretor] persegue duas metas: introduzir elementos de apelo popular para flertar com um naco mais polpudo do mercado – interno e externo – e manter-se no filão do circuito de arte com a reprodução de características familiares. A soma resulta esquizofrênica. Uma vela para dois santos às vezes dá no escuro”. E finaliza dizendo: “Conforme o desfecho se aproxima, a comicidade cede espaço a um registro dramático, que nos leva a lembrar, para além do cenário, que estamos em um estereótipo de cinema do Irã, aquele cultuadinho pelo público bem informado no mundo das imagens. Realiza-se a esperada utilização de uma jornada individual, enfrentando dificuldades diversas, para na verdade se falar da saga de todo um povo. Estamos em uma história de ‘busca’. Não apenas de alguém por outra pessoa, mas de um grupo por um rumo em seu zanzar. Uma busca empreendida, sem sucesso, pelo próprio filme”.
Santiago gostou bastante, avaliou como excelente. Disse: “Há quem veja nessa abordagem cultural paralela à guerra algo negativo, apenas uma forma do cineasta encantar os desavisados com exotismo e se fazer bem-visto pela camada crítica, cultivando o status de um diretor relevante no cenário mundial. Mas vale a pergunta: onde está o mal disso? O exotismo que temos aqui não é vazio, ele faz parte de um cenário bem construído e jamais abandonado para dar espaço a outra coisa. Os protagonistas são músicos e, por um motivo especial, estão buscando uma mulher que abandonou o Irã para poder cantar, pois, com a chegada dos fundamentalistas e a República Islâmica em 1979, isso foi proibido. Tudo no filme gira em torno dessa relação entre guerra e identidade cultural, daí a minha estranheza ao perceber que a exploração (neurótica, histérica, semi-surreal, não importa) desses aspectos seja motivo de incômodo para alguns espectadores”.
O que eu achei: Eu achei o filme curioso. Enquanto o pai e seus dois filhos, todos músicos, seguem percorrendo lugares em busca da cantora Hanareh, vamos entrando em contato com as belas paisagens do Irã e do Iraque, ao mesmo tempo em que vamos observando a opressão sofrida pelo povo curdo, com acampamentos de mulheres viúvas, crianças que perderam seus pais em ataques e homens caminhando a esmo por terem perdido suas casas, ilustrando os danos que Saddam Hussein causou nas aldeias curdas. A trilha sonora é bem tradicional e os atores, em sua maioria, são amadores. É mais uma daquelas obras que funcionam como uma aula para quem, assim como eu, conhece pouco ou nada sobre a realidade desses dois países.