
Comentário: Ingmar Bergman (1919-2007) é um diretor de cinema sueco famoso pela abordagem psicológica que ele dá a seus filmes. Sua produção engloba em torno de uns 60 filmes. Assisti dele 15 filmes, dentre eles as obras-primas "O Sétimo Selo" (1957), "Morangos Silvestres" (1957), "Persona" (1966), "O Ovo da Serpente" (1977) e "Sonata de Outono" (1978). Desta vez vou conferir “A Fonte da Donzela” (1960).
Natasha Moura do site Cineset nos conta que “Incluído no rol dos maiores clássicos de Ingmar Bergman, ‘A Fonte da Donzela’ é um dos filmes esquecidos e desprezados pelo diretor.
O drama que foi seu primeiro Oscar, ele que viria a receber quatro ao longo da carreira, caiu na insatisfação do seu realizador. Inspirado pelo mestre Victor Sjöström no uso das paisagens naturais, bem como no cinema japonês, em particular o trabalho de Akira Kurosawa, Bergman retorna à temática religiosa com roteiro adaptado de responsabilidade da escritora Ulla Isaksson – roteirista anteriormente de ‘No Limiar da Vida’.
O texto, baseado em um canto folclórico pelo qual o cineasta se interessou na juventude, aborda a dualidade cristã, a relação indissociável entre luz e trevas, em um belo recorte da Suécia medieval”.
A história é a seguinte: estamos na Suécia no século XIV, época em que a população oscilava entre o cristianismo e o paganismo. Herr Töre (Max von Sydow) e Märeta Töre (Birgitta Valberg) formam um casal que tem uma propriedade rural. Eles são cristãos fervorosos e incumbiram Karin Töre (Birgitta Pettersson), sua filha, uma adolescente de quinze anos, de levar velas para a igreja da região e acendê-las para a Virgem Maria. Karin sonha em só se entregar para um homem quando estiver casada. No caminho da igreja Karin é estuprada e assassinada por dois pastores de cabras. Quando a noite chega, ironicamente, os criminosos vão pedir comida e abrigo para os pais de Karin. São recebidos cordialmente e Herr Töre lhes promete trabalho. Märeta está nervosa, pois a filha não retornou, mas o marido tenta tranquilizá-la dizendo que em outras ocasiões Karin dormiu na cidade. Porém o temor da mãe se concretiza quando um dos pastores, sem imaginar, quer vender uma peça de roupa de Karin para sua mãe.
Moura diz: “‘A Fonte da Donzela’ embarca no modelo moral responsável por difundir a ordem cristã na época. Ulla Isaksson reelabora a Lenda de Töre, um homem que tem as três filhas assassinadas pelos próprios filhos bastardos, após matar os assassinos, promete construir uma igreja como arrependimento. Assim como no folclore, ainda que com algumas alterações – no filme Karin é filha única e os criminosos não têm relação com a família – o roteiro de Ulla preserva os temas abordados: a perda dos valores cristãos diante da crueldade, o desejo de vingança e principalmente o sentimento de culpa, permeiam os principais personagens. Ainda compreendido como um estudo de estupro e vingança, esses elementos são meio para seu fim, a redenção espiritual do homem. (...) Esse é um filme sobre espiritualidade. Mesmo desenvolvido na redução humana os seus impulsos naturais, é o entendimento dos personagens enquanto falhos por natureza, a misericórdia divina como única forma de libertação do homem da sua condição, a mensagem do longa. A aceitação daquilo que não se pode compreender para a busca constante de purificação”.
O longa recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Figurino: Preto & Branco.
O que disse a crítica 1: Matheus Bonez do site Papo de Cinema avaliou o filme como ótimo. Escreveu: “As provações da fé, a alma corrupta do ser humano e a perda da inocência, temáticas tão caras ao cineasta sueco que permeiam boa parte de sua filmografia, estão mais do que presentes em ‘A Fonte da Donzela’, que ainda utiliza do artifício de um milagre, em mais uma de suas simbologias, para representar a renovação que segue após a morte. Bergman pode não ter realizado aqui um de seus filmes mais memoráveis, mas deixa sua marca com um aprofundado estudo da mente humana, seus medos e culpas, e de como eles se refletem perante uma tragédia”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou como obra-prima. Disse: “A direção de Bergman equilibra momentos e detalhes com cenas de contexto do espaço e criação de suspense, principalmente no segundo ato. O filme carrega ingredientes de mitologia nórdica, cristianismo e violências de diversos tipos, todos fotografados com precioso uso de luz natural por Sven Nykvist, que entrou no projeto após grandes desentendimentos entre Bergman e Gunnar Fischer, seu fotógrafo por 12 anos (...). Bergman faz questão de trabalhar a dualidade do comportamento entre as pessoas e como o Universo responde a isso”.
O que eu achei: O filme trata de assuntos como a religião, a inocência, a moralidade e o pecado. Perante o ocorrido, resta ao pai da menina - religioso ao extremo - decidir se ele se vinga dos homens que abusaram e mataram sua filha ou se os perdoa. A fotografia de Sven Nykvist é belíssima, pena eu ter assistido uma cópia que não estava tão bem conservada. Foi o primeiro filme em que ele trabalhou como fotógrafo do Bergman, vindo a se tornar o diretor de fotografia de longa data do diretor, grande responsável por moldar a estética visual de seus trabalhos posteriores. As cenas que mostram a menina sendo estuprada e morta são bastante perturbadoras. É mais um bom filme dentro da cinegrafia do diretor.
A história é a seguinte: estamos na Suécia no século XIV, época em que a população oscilava entre o cristianismo e o paganismo. Herr Töre (Max von Sydow) e Märeta Töre (Birgitta Valberg) formam um casal que tem uma propriedade rural. Eles são cristãos fervorosos e incumbiram Karin Töre (Birgitta Pettersson), sua filha, uma adolescente de quinze anos, de levar velas para a igreja da região e acendê-las para a Virgem Maria. Karin sonha em só se entregar para um homem quando estiver casada. No caminho da igreja Karin é estuprada e assassinada por dois pastores de cabras. Quando a noite chega, ironicamente, os criminosos vão pedir comida e abrigo para os pais de Karin. São recebidos cordialmente e Herr Töre lhes promete trabalho. Märeta está nervosa, pois a filha não retornou, mas o marido tenta tranquilizá-la dizendo que em outras ocasiões Karin dormiu na cidade. Porém o temor da mãe se concretiza quando um dos pastores, sem imaginar, quer vender uma peça de roupa de Karin para sua mãe.
Moura diz: “‘A Fonte da Donzela’ embarca no modelo moral responsável por difundir a ordem cristã na época. Ulla Isaksson reelabora a Lenda de Töre, um homem que tem as três filhas assassinadas pelos próprios filhos bastardos, após matar os assassinos, promete construir uma igreja como arrependimento. Assim como no folclore, ainda que com algumas alterações – no filme Karin é filha única e os criminosos não têm relação com a família – o roteiro de Ulla preserva os temas abordados: a perda dos valores cristãos diante da crueldade, o desejo de vingança e principalmente o sentimento de culpa, permeiam os principais personagens. Ainda compreendido como um estudo de estupro e vingança, esses elementos são meio para seu fim, a redenção espiritual do homem. (...) Esse é um filme sobre espiritualidade. Mesmo desenvolvido na redução humana os seus impulsos naturais, é o entendimento dos personagens enquanto falhos por natureza, a misericórdia divina como única forma de libertação do homem da sua condição, a mensagem do longa. A aceitação daquilo que não se pode compreender para a busca constante de purificação”.
O longa recebeu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Figurino: Preto & Branco.
O que disse a crítica 1: Matheus Bonez do site Papo de Cinema avaliou o filme como ótimo. Escreveu: “As provações da fé, a alma corrupta do ser humano e a perda da inocência, temáticas tão caras ao cineasta sueco que permeiam boa parte de sua filmografia, estão mais do que presentes em ‘A Fonte da Donzela’, que ainda utiliza do artifício de um milagre, em mais uma de suas simbologias, para representar a renovação que segue após a morte. Bergman pode não ter realizado aqui um de seus filmes mais memoráveis, mas deixa sua marca com um aprofundado estudo da mente humana, seus medos e culpas, e de como eles se refletem perante uma tragédia”.
O que disse a crítica 2: Luiz Santiago do site Plano Crítico avaliou como obra-prima. Disse: “A direção de Bergman equilibra momentos e detalhes com cenas de contexto do espaço e criação de suspense, principalmente no segundo ato. O filme carrega ingredientes de mitologia nórdica, cristianismo e violências de diversos tipos, todos fotografados com precioso uso de luz natural por Sven Nykvist, que entrou no projeto após grandes desentendimentos entre Bergman e Gunnar Fischer, seu fotógrafo por 12 anos (...). Bergman faz questão de trabalhar a dualidade do comportamento entre as pessoas e como o Universo responde a isso”.
O que eu achei: O filme trata de assuntos como a religião, a inocência, a moralidade e o pecado. Perante o ocorrido, resta ao pai da menina - religioso ao extremo - decidir se ele se vinga dos homens que abusaram e mataram sua filha ou se os perdoa. A fotografia de Sven Nykvist é belíssima, pena eu ter assistido uma cópia que não estava tão bem conservada. Foi o primeiro filme em que ele trabalhou como fotógrafo do Bergman, vindo a se tornar o diretor de fotografia de longa data do diretor, grande responsável por moldar a estética visual de seus trabalhos posteriores. As cenas que mostram a menina sendo estuprada e morta são bastante perturbadoras. É mais um bom filme dentro da cinegrafia do diretor.