
Comentário: Trata-se de uma animação feita em stop-motion do diretor estreante Dean Fleischer Camp. O roteiro é baseado em uma série de curtas de mesmo nome escritos por Fleischer Camp em parceria com Jenny Slate, que também empresta sua voz para o personagem principal Marcel, uma concha antropomórfica que vive com sua avó Connie. As demais vozes são feitas pelo próprio diretor e pelos atores Rosa Salazar, Thomas Mann, Lesley Stahl e Isabella Rossellini, dentre outros. A história é a seguinte: uma adorável concha, chamada Marcel, leva sua vida com sua avó Connie e seu fiapo de estimação, Alan. Agora sozinhos por serem os únicos sobreviventes de uma tragédia que levou sua família embora. Porém, quando um documentarista aluga essa casa ele os descobre. O curta-metragem que ele publica online traz a Marcel milhões de fãs apaixonados, bem como perigos sem precedentes e uma nova esperança de encontrar sua família há muito tempo perdida. Diego Souza Carlos do site Adoro Cinema nos conta que “Quando a lista de indicados ao Oscar 2023 pipocou nas telas daqueles que ‘adoram cinema’, houve quem cravou os vencedores da edição sem pestanejar. Entre tantos nomes e sonhos concretizados ali, naquela seleção gigantesca onde artistas calejados de Hollywood e estreantes até então desconhecidos se encontravam, estava ‘Marcel, a Concha de Sapatos’. Um dos destaques da categoria de Melhor Animação do ano, com concorrentes igualmente cativantes – ‘Gato de Botas 2’, ‘Pinóquio’ de Guillermo del Toro, ‘A Fera do Mar’ e ‘Red: Crescer é uma Fera’ -, o longa passou despercebido principalmente pelo público brasileiro, que só recebeu o filme em abril de 2023, por aluguel ou compra digital. (...) O fato de ser um falso documentário, ou mocumentário, (...) colabora para que a audiência se conecte com o protagonista através de seus comentários curiosos sobre a vida. (...) A história de Marcel não começa exatamente em 2021, mas cerca de uma década antes, quando o curta-metragem que apresentou o personagem foi lançado pelo diretor. Fazendo jus à proposta do formato, o registro com pouco mais de três minutos apresenta Marcel e a premissa do que viria a se tornar o seu filme. Conhecemos esse universo através da interação metalinguística de Dean Fleischer Camp: ali ele é um personagem que faz um documentário, mas ao mesmo tempo, como diretor do filme real, faz o mesmo uso da linguagem que apresenta a história de Marcel. O realizador, inclusive, é responsável não só por atuar, mas também está por trás da produção, do roteiro e da direção do projeto. Em breve, os fãs da Disney poderão ver seu mais novo projeto, o live-action de ‘Lilo & Stitch’. A pessoa responsável pela construção do fofo e curioso Marcel também tem grande responsabilidade no restante do projeto. Trata-se de Jenny Slate, atriz com um extenso trabalho de dublagem. (...) Com créditos em produções como o hit da Netflix ‘Big Mouth’ e o desenho queridinho da Cartoon Network, ‘Hora de Aventura’, ela também pode ser vista em algumas produções live-actions. Seus últimos grandes papéis fora dos estúdios de dublagem encontram o vencedor do Oscar ‘Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo’ e ‘Venom’”.
O que disse a crítica: Alistair Ryder do site We Love Cinema não gostou. Escreveu: “No primeiro minuto de ‘Marcel, a Concha de Sapatos’, meu parceiro se inclinou para me dizer que queria ‘pisar naquela concha irritante’. Esta é de longe uma opinião minoritária, visto que o A24 produziu o mocumentário que encantou o público em todo o Atlântico no ano passado, começando a correr como um dos principais candidatos na corrida ao Oscar de Melhor Animação. Mas eu acho que esse comentário irreverente oferece uma janela para o motivo pelo qual o recurso caprichoso de Dean Fleischer Camp pode não ser tão facilmente adotado, sentimentalizando excessivamente uma fórmula não totalmente diferente de ‘Creature Comforts’ de Aardman, mas substituindo a comédia observacional inexpressiva por uma melancolia autoritária e uma fofura insuportável”.
Bruno Passos do site Cinema com Rapadura achou excelente. Disse: “esse aparentemente leve conto sobre a vida de uma concha monocular que usa sapatos e tem um visual absurdamente adorável começa a fazer o espectador ponderar sobre a própria vida; sobre suas lutas, problemas, dores, saudades e esperanças. O que parecia uma obra alegre para toda a família se torna uma análise sobre a importância do senso de comunidade, de se sentir pertencente a um grupo, no caso, a família de Marcel. Mas a doçura nunca é perdida, a começar pelo design do próprio Marcel. (...) Acrescente-se a isso a voz de Jenny Slate (também corroteirista) no protagonista, com a atriz usando e abusando de seu talento para fazer a voz fofa de um personagem que se maravilha com novidades do mundo ter camadas feridas de alguém que passou por enorme perda. Ainda que seja um filme o qual crianças podem acompanhar sem dificuldade, são os adultos que sairão das sessões inesperadamente introspectivos. Mas é impossível não ser cativado por um personagem tão amável. ‘Marcel, a Concha de Sapatos’ é um banho de inocência, humanidade e esperança, debatendo questões rotineiras e profundas de forma madura e honesta”.
O que eu achei: Apesar da animação ter sido um grande sucesso de crítica a ponto de ter sido indicada ao Oscar, eu particularmente não gostei. Já havia lido que não seria um filme para todos já que não mostra grandes efeitos especiais, explosões ou batalhas espaciais. É daqueles filmes mais brandos, singelos, com passagens pausadas e contemplativas que eu poderia jurar que iria curtir. Mas a conchinha, com sua voz melancólica e monótona, é sentimentalista em excesso transformando a experiência em algo um tanto desagradável. Eu não cheguei a ver o curta-metragem que antecedeu o longa e que viralizou, mas fico imaginando que ver três minutos de “Marcel” seja o suficiente para gostar da animação sem se enjoar. Fazer o longa por conta do sucesso do curta, foi uma péssima ideia. Como disse Alistair Ryder do site We Love Cinema, “’Marcel, a Concha de Sapatos’ é mais uma prova de que personagens que fazem sucesso no YouTube raramente se traduzem em bons longas-metragens”. Não perca seu tempo.
O que disse a crítica: Alistair Ryder do site We Love Cinema não gostou. Escreveu: “No primeiro minuto de ‘Marcel, a Concha de Sapatos’, meu parceiro se inclinou para me dizer que queria ‘pisar naquela concha irritante’. Esta é de longe uma opinião minoritária, visto que o A24 produziu o mocumentário que encantou o público em todo o Atlântico no ano passado, começando a correr como um dos principais candidatos na corrida ao Oscar de Melhor Animação. Mas eu acho que esse comentário irreverente oferece uma janela para o motivo pelo qual o recurso caprichoso de Dean Fleischer Camp pode não ser tão facilmente adotado, sentimentalizando excessivamente uma fórmula não totalmente diferente de ‘Creature Comforts’ de Aardman, mas substituindo a comédia observacional inexpressiva por uma melancolia autoritária e uma fofura insuportável”.
Bruno Passos do site Cinema com Rapadura achou excelente. Disse: “esse aparentemente leve conto sobre a vida de uma concha monocular que usa sapatos e tem um visual absurdamente adorável começa a fazer o espectador ponderar sobre a própria vida; sobre suas lutas, problemas, dores, saudades e esperanças. O que parecia uma obra alegre para toda a família se torna uma análise sobre a importância do senso de comunidade, de se sentir pertencente a um grupo, no caso, a família de Marcel. Mas a doçura nunca é perdida, a começar pelo design do próprio Marcel. (...) Acrescente-se a isso a voz de Jenny Slate (também corroteirista) no protagonista, com a atriz usando e abusando de seu talento para fazer a voz fofa de um personagem que se maravilha com novidades do mundo ter camadas feridas de alguém que passou por enorme perda. Ainda que seja um filme o qual crianças podem acompanhar sem dificuldade, são os adultos que sairão das sessões inesperadamente introspectivos. Mas é impossível não ser cativado por um personagem tão amável. ‘Marcel, a Concha de Sapatos’ é um banho de inocência, humanidade e esperança, debatendo questões rotineiras e profundas de forma madura e honesta”.
O que eu achei: Apesar da animação ter sido um grande sucesso de crítica a ponto de ter sido indicada ao Oscar, eu particularmente não gostei. Já havia lido que não seria um filme para todos já que não mostra grandes efeitos especiais, explosões ou batalhas espaciais. É daqueles filmes mais brandos, singelos, com passagens pausadas e contemplativas que eu poderia jurar que iria curtir. Mas a conchinha, com sua voz melancólica e monótona, é sentimentalista em excesso transformando a experiência em algo um tanto desagradável. Eu não cheguei a ver o curta-metragem que antecedeu o longa e que viralizou, mas fico imaginando que ver três minutos de “Marcel” seja o suficiente para gostar da animação sem se enjoar. Fazer o longa por conta do sucesso do curta, foi uma péssima ideia. Como disse Alistair Ryder do site We Love Cinema, “’Marcel, a Concha de Sapatos’ é mais uma prova de que personagens que fazem sucesso no YouTube raramente se traduzem em bons longas-metragens”. Não perca seu tempo.