
Comentário: Hector Babenco (1946-2016) é um cineasta argentino naturalizado brasileiro de ascendência judaico-ucraniana. Ele dirigiu filmes importantes como “Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia” (1977), “Pixote, a Lei do Mais Fraco” (1980), “O Beijo da Mulher Aranha” (1984) e “Carandiru” (2003), dentre outros. “Brincando nos Campos do Senhor” (1991) é sua sexta produção. José Geraldo Couto da Folha de SP nos conta que esse filme é “um dos preferidos do livreiro Pedro Corrêa do Lago, é um bom exemplo de filme que, mal recebido quando exibido nos cinemas, mereceu uma revisão em vídeo que lhe foi amplamente favorável. Não apenas o público procurou em peso a fita, garantindo sua permanência por várias semanas nas listas dos mais alugados, como a própria crítica, antes reticente (ou perplexa?), acabou dando o braço a torcer. A explicação para esse efeito retardado talvez seja esta: o filme trata dos problemas da Amazônia de modo muito mais sensível a sua intrincada complexidade que as usuais produções exóticas e/ou militantes a respeito do tema. Em vez de encenar os conflitos amazônicos como um simples bangue-bangue entre bons selvagens e maus civilizados, ou entre ecologistas puros e exploradores canalhas, Babenco preferiu mostrar de modo mais sutil e matizado a fragilidade do indivíduo frente aos mecanismos da história e aos imperativos do sangue. Para isso, foi buscar material no extraordinário romance de Peter Matthiessen, que ele adaptou em parceria com o experiente Jean-Claude Carrière. Em seu painel amazônico, há dois casais de missionários protestantes (Aidan Quinn/Kathy Bates e John Lithgow/Daryl Hannah), um mestiço mercenário contratado para exterminar índios (Tom Berenger), um militar corrupto (José Dumont) e um sem-número de pobres diabos vivendo na corda bamba entre a natureza e a cultura. Nada está dado para sempre nesse caldeirão de interesses e conflitos - os indivíduos se transformam, ora se chocando com seu destino (caso do casal novato de missionários), ora buscando-o febrilmente (caso do mestiço). Assustados ou embriagados, todos se movem num território movediço, hostil e ameaçador, fotografado de modo preciso por Lauro Escorel. Não há nada de idílico na Amazônia de Babenco. Assentada a poeira das críticas apressadas, que só souberam apontar o dedo para o pretenso gigantismo da produção (que teria custado quase US$ 40 milhões) e para a preponderância ianque no elenco, foi possível rever o filme com olhos menos preconceituosos. O resultado, se não foi uma consagração, foi pelo menos a reparação de uma injustiça. E a descoberta de um grande filme. Os massacres de índios e as polêmicas amazônicas que aconteceram nos últimos anos só tornaram mais atual o apocalipse de Hector Babenco, que encena um dos mais terríveis genocídios que o cinema já mostrou. Afinal, complexidades sociais, morais e políticas à parte, todo mundo sabe que, quando os campos do senhor se conflagram, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco - o do índio”.
O que disse a crítica: Robledo Milani do site Papo de Cinema achou o filme mediano. Disse: “Se a direção de Babenco é bastante problemática – ele parece não saber o que fazer com os planos abertos da floresta, ao mesmo tempo em que permite que cada ator atue em um registro muito particular (...) – talvez o mais complicado mesmo seja o roteiro – escrito em parceria com o grande Jean-Claude Carrière, o mesmo de ‘A Bela da Tarde’ (1967) e ‘A Insustentável Leveza do Ser’ (1988). Há muitos textos paralelos, intervenções sem sentido (...) e o argumento do homem branco contaminando e destruindo o indivíduo puro já era clichê na época, que dirá agora. Ainda que tenha inspirado James Cameron a realizar ‘Avatar’ (2009), ‘Brincando nos Campos do Senhor’ é uma promessa que não se cumpre em nenhum dos seus aspectos. E basta assisti-lo uma única vez para entender como foi capaz de soterrar a carreira deste cineasta nos Estados Unidos, obrigando-o a retornar à sua terra natal após esse retumbante fracasso de público e de crítica”.
Márcio Ferrari do site UOL gostou muito. Escreveu que o filme possui uma “densidade dramática”. Em comparação com "Avatar" (2009), ele diz que “ambos partem de um conflito semelhante, mas vão em direções opostas. Enquanto ‘Avatar’ adota um tom poético e alegórico, ‘Brincando nos Campos do Senhor’ retém as características múltiplas de um romance”.
O que eu achei: Que odisseia deve ter sido fazer esse filme! Todo rodado na Amazônia – os créditos não especificam se eles estão o tempo todo no Brasil ou não – pode-se imaginar o quão complicado deve ter sido lidar com a floresta e com o clima local. Os personagens transitam entre a cidade fictícia de Mãe de Deus e a aldeia, também fictícia, dos índios niarunas. No elenco estão Aidan Quinn e Kathy Bates – ambos impecáveis – mas tem também John Lithgow, Daryl Hannah e Tom Berenger, além dos brasileiros José Dumont, Nelson Xavier e Stênio Garcia, dentre outros. O tema é a malfadada ideia de que índios precisam ser catequizados, tudo isso em meio a uma disputa de terras. Eu gostei demais do resultado, apesar das mais de 3hs de duração. A trilha sonora é de Zbigniew Preisner e Marlui Miranda. Atenção à presença do músico Tom Waits no papel de Wolf. Muito bom, vale a pena encarar.
O que disse a crítica: Robledo Milani do site Papo de Cinema achou o filme mediano. Disse: “Se a direção de Babenco é bastante problemática – ele parece não saber o que fazer com os planos abertos da floresta, ao mesmo tempo em que permite que cada ator atue em um registro muito particular (...) – talvez o mais complicado mesmo seja o roteiro – escrito em parceria com o grande Jean-Claude Carrière, o mesmo de ‘A Bela da Tarde’ (1967) e ‘A Insustentável Leveza do Ser’ (1988). Há muitos textos paralelos, intervenções sem sentido (...) e o argumento do homem branco contaminando e destruindo o indivíduo puro já era clichê na época, que dirá agora. Ainda que tenha inspirado James Cameron a realizar ‘Avatar’ (2009), ‘Brincando nos Campos do Senhor’ é uma promessa que não se cumpre em nenhum dos seus aspectos. E basta assisti-lo uma única vez para entender como foi capaz de soterrar a carreira deste cineasta nos Estados Unidos, obrigando-o a retornar à sua terra natal após esse retumbante fracasso de público e de crítica”.
Márcio Ferrari do site UOL gostou muito. Escreveu que o filme possui uma “densidade dramática”. Em comparação com "Avatar" (2009), ele diz que “ambos partem de um conflito semelhante, mas vão em direções opostas. Enquanto ‘Avatar’ adota um tom poético e alegórico, ‘Brincando nos Campos do Senhor’ retém as características múltiplas de um romance”.
O que eu achei: Que odisseia deve ter sido fazer esse filme! Todo rodado na Amazônia – os créditos não especificam se eles estão o tempo todo no Brasil ou não – pode-se imaginar o quão complicado deve ter sido lidar com a floresta e com o clima local. Os personagens transitam entre a cidade fictícia de Mãe de Deus e a aldeia, também fictícia, dos índios niarunas. No elenco estão Aidan Quinn e Kathy Bates – ambos impecáveis – mas tem também John Lithgow, Daryl Hannah e Tom Berenger, além dos brasileiros José Dumont, Nelson Xavier e Stênio Garcia, dentre outros. O tema é a malfadada ideia de que índios precisam ser catequizados, tudo isso em meio a uma disputa de terras. Eu gostei demais do resultado, apesar das mais de 3hs de duração. A trilha sonora é de Zbigniew Preisner e Marlui Miranda. Atenção à presença do músico Tom Waits no papel de Wolf. Muito bom, vale a pena encarar.