
Comentário: Maryam Touzani é roteirista, diretora, jornalista e atriz. Nascida em 1980, no Marrocos, ela realizou os curtas-metragens “Quand Ils Dorment” (2012), “Aya Wal Bahr” (2015) e o longa “Adam” (2019). Ela também escreveu, junto com Nabil Ayouch, o filme “Primavera em Casablanca” (2017), no qual interpreta uma das protagonistas. “Túnica Turquesa” (2022) conta a história de Halim. Ele é casado com Mina, com quem administra uma tradicional loja de caftans (túnicas) na cidade de Salé, no Marrocos. O casal sempre conviveu com a homossexualidade de Halim, que ele aprendeu a manter em segredo, mas uma doença de Mina e a chegada de um dedicado jovem aprendiz, podem alterar essa rotina. Kaouthar Oudrhiri no site Folha de Pernambuco nos conta que o filme foi “pré-indicado ao Oscar 2023 (...) ‘podendo contribuir na criação de um debate saudável e necessário sobre a homossexualidade’, como declara sua diretora, Maryam Touzani, em entrevista à AFP”. Mandar o filme para concorrer à uma vaga no Oscar “foi uma escolha ousada em um país conservador, onde a homossexualidade é um tema tabu que divide a opinião pública e continua sendo punida com três anos de prisão. ‘Me machuca e me dói ver as pessoas (LGBTQIA+) viverem escondidas, com medo, e que a expressão de seu amor seja sufocada, negada e julgada’ lamenta a cineasta de 42 anos. (...) ‘Muitas vezes tendemos a rotular histórias de amor, mas meu desejo mais profundo era contá-la sem julgá-la’, explicou Touzani, que ganhou o prêmio da crítica internacional com este filme no Festival de Cinema de Cannes. Tanto nos contos de fadas como na amarga realidade, a diretora considera que ‘as mentalidades precisam mudar’. Embora relativamente menos reprimida que em outros países da região, a homossexualidade em Marrocos ainda recebe punição, mesmo que a perseguição não seja sistemática. ‘A liberdade de amar nos pertence’, destacou a diretora à AFP em novembro durante o Festival de Marrakech, onde ‘Túnica Turquesa’ recebeu o prêmio do júri. O longa também valoriza a confecção artesanal do caftan, peça tradicionalmente usada em ocasiões especiais em Marrocos. ‘O filme também explora o amor por uma profissão, a de maalem (mestre alfaiate, em árabe marroquino), que tende a desaparecer. A evolução da história ocorre paralelamente à confecção do caftan’, examinou Touzani”.
O que disse a crítica: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema gostou. Disse: “Um dos três protagonistas de ‘Túnica Turquesa’ é um alfaiate. Logo, um homem que precisa trabalhar com a precisão das mãos o tempo todo. É nesse contexto que as imagens do filme se tornam tão poderosas, como um convite a adentrar àquela delicadeza. As mãos de Halim estão em ação a todo tempo, cortando tecidos, costurando fios bordados às túnicas, e aos poucos essa lógica vai percorrendo os outros dois personagens, e o que temos é uma produção dedicada à suavidade do toque. (...) Touzani não faz alarde sobre sua narrativa, e a desenvolve com um ritmo muito próprio, estendido, que permite às cenas um respiro para conceber certas emoções. A impressão que fica é a de que 'Túnica Turquesa' compreende o tempo real das descobertas, que não é o tempo cinematográfico. Aqui, ficamos a par de emoções que não estão sendo ofertadas gratuitamente, por isso o tempo delas é tão particular. Esses toques mútuos, as mãos que procuram uns pelos outros de cada um dos três, é construído para uma lógica interna que conduz o conceito da produção. Fica a beleza do cuidado que une essas três pessoas, que passam por estágios cada vez mais surpreendentes da aceitação de seus sentimentos, e da lógica que falta muitas vezes em amar alguém”.
Cadu Moura do site Hybrido também gostou bastante. Escreveu: “O filme explora todas as belezas possíveis em torno da história, desde a textura, contato e uso das cores nos tecidos abordados com delicadeza, rispidez ou tato pelo protagonista e seu jovem aprendiz, como na narrativa silenciosa que se dá ao longo do filme, onde a saúde de Mina se torna a ampulheta dramática das decisões difíceis, silenciosas e individuais que Halim precisa ir tomando, e que aos poucos os atos de amor e carinho de Mina e Youssef o faz compartilhar gradativamente, seja no campo profissional ou de relações humanas”.
O que eu achei: O filme é de uma delicadeza irretocável. “Adam” (2019), da mesma diretora, tem a temática completamente diferente, mas, nesse sentido, é igual. Delicadeza parece ser o forte da cineasta. Desta vez o assunto é a homossexualidade masculina, como já dito anteriormente, uma questão bastante reprimida em países da região. No Marrocos, onde o filme se passa, um pouco menos do que no entorno, mas ainda punida com três anos de prisão apesar da perseguição não ser tão sistemática. É um filme lento, com poucas falas e poucos acontecimentos, que vai agradar àqueles que gostam de um cinema mais imersivo. Silencioso, ele trata dos sentimentos dos personagens, que parecem estar em permanente estado de graça. Fala de ternura, de aceitação, de amor no que de mais puro essa palavra puder significar. Há algo de sublime flutuando no ar ao longo de toda a projeção. Muito bom.
O que disse a crítica: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema gostou. Disse: “Um dos três protagonistas de ‘Túnica Turquesa’ é um alfaiate. Logo, um homem que precisa trabalhar com a precisão das mãos o tempo todo. É nesse contexto que as imagens do filme se tornam tão poderosas, como um convite a adentrar àquela delicadeza. As mãos de Halim estão em ação a todo tempo, cortando tecidos, costurando fios bordados às túnicas, e aos poucos essa lógica vai percorrendo os outros dois personagens, e o que temos é uma produção dedicada à suavidade do toque. (...) Touzani não faz alarde sobre sua narrativa, e a desenvolve com um ritmo muito próprio, estendido, que permite às cenas um respiro para conceber certas emoções. A impressão que fica é a de que 'Túnica Turquesa' compreende o tempo real das descobertas, que não é o tempo cinematográfico. Aqui, ficamos a par de emoções que não estão sendo ofertadas gratuitamente, por isso o tempo delas é tão particular. Esses toques mútuos, as mãos que procuram uns pelos outros de cada um dos três, é construído para uma lógica interna que conduz o conceito da produção. Fica a beleza do cuidado que une essas três pessoas, que passam por estágios cada vez mais surpreendentes da aceitação de seus sentimentos, e da lógica que falta muitas vezes em amar alguém”.
Cadu Moura do site Hybrido também gostou bastante. Escreveu: “O filme explora todas as belezas possíveis em torno da história, desde a textura, contato e uso das cores nos tecidos abordados com delicadeza, rispidez ou tato pelo protagonista e seu jovem aprendiz, como na narrativa silenciosa que se dá ao longo do filme, onde a saúde de Mina se torna a ampulheta dramática das decisões difíceis, silenciosas e individuais que Halim precisa ir tomando, e que aos poucos os atos de amor e carinho de Mina e Youssef o faz compartilhar gradativamente, seja no campo profissional ou de relações humanas”.
O que eu achei: O filme é de uma delicadeza irretocável. “Adam” (2019), da mesma diretora, tem a temática completamente diferente, mas, nesse sentido, é igual. Delicadeza parece ser o forte da cineasta. Desta vez o assunto é a homossexualidade masculina, como já dito anteriormente, uma questão bastante reprimida em países da região. No Marrocos, onde o filme se passa, um pouco menos do que no entorno, mas ainda punida com três anos de prisão apesar da perseguição não ser tão sistemática. É um filme lento, com poucas falas e poucos acontecimentos, que vai agradar àqueles que gostam de um cinema mais imersivo. Silencioso, ele trata dos sentimentos dos personagens, que parecem estar em permanente estado de graça. Fala de ternura, de aceitação, de amor no que de mais puro essa palavra puder significar. Há algo de sublime flutuando no ar ao longo de toda a projeção. Muito bom.