13.8.23

“Poderosa Afrodite” - Woody Allen (EUA, 1995)

Sinopse:
Em Nova York, um casal adota um menino (Tucker Robin, Nolan Tuffey e Jimmy McQuaid). Com o tempo, o pai adotivo (Woody Allen) decide saber quem é a mãe biológica do seu filho. Ele descobre que ela é uma prostituta chamada Linda (Mira Sorvino), que em filmes pornográficos usa o nome Judy Cum e que nem sabe quem é o pai do garoto. O pai adotivo decide então aconselhá-la a abandonar este tipo de vida.
Comentário: Mais um filme do Woody Allen. Neste “Poderosa Afrodite” (1995), a história gira em torno de Lenny Weinrib (Allen) e a busca pela mãe biológica de seu filho adotivo, descobrindo que ela é uma prostituta chamada Linda Ash (Sorvino). O título diz respeito à personagem da mitologia grega Afrodite, a deusa do amor, da beleza e da sexualidade. Na Grécia antiga, sobretudo nas cidades de Esparta, Atenas e Corinto, ela foi cultuada e associada aos prazeres carnais. Por isso, era também considerada a protetora das prostitutas. Entretanto, não só do mito Afrodite vive o filme. Leonardo Campos do site Plano Crítico nos conta que “ao trazer como narração o coro de uma tragédia grega, o filme nos apresenta personagens emblemáticos da teoria do drama: há um oráculo vivido por um mendigo cego nas ruas de Nova York, além da presença de Laio (David Adgen), Cassandra (Danielle Ferland), Édipo (Jefrey Kurland), Jocasta (Olympia Dukakis), nomes importantes das tragédias de Sófocles e Eurípides, Édipo Rei e Medeia, respectivamente”. No Oscar, no Globo de Ouro e no New York Film Critics Circle Awards, Mira Sorvino - que interpreta a prostituta - venceu na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.
O que disse a crítica: Inácio Araujo da Folha SP achou bom, escreveu: “Woody Allen parece, enfim, ter superado sua ‘síndrome de Bergman’. A cada filme, ele está mais distante da fase em que transpunha para Nova York dramas existenciais (matrimoniais, em particular) à moda do diretor sueco. Agora, em ‘Poderosa Afrodite’, Woody Allen está próximo mesmo é da antiguidade grega. (...) Chegamos à Grécia, pelo seguinte viés: o amor é uma tragédia, em que o destino nos conduz, em que a catástrofe é tão previsível quanto inevitável. Para dizer isso com mais clareza, Allen introduziu um coro grego, comentando a ação. É, de longe, o ponto fraco. Como se, à falta de Bergman, Woody precisasse dar um lustro cultural ao trabalho. Dá um lustro, não um lastro. Tudo que o filme tem de forte vem da ação, do humor tragicômico, da presença de Sorvino, da caracterização dos protagonistas. Tudo o que vem de fraco está no arbitrário da intervenção do coro. O filme poderia passar sem essa sombra de pedantismo, sem essa rejeição da tradição americana, que no entanto é o forte de Allen”.
Matheus Bonéz do site Papo de Cinema gostou muito. Disse: “’Poderosa Afrodite’ é um dos longas mais alegres de toda a filmografia de Woody Allen, num tom longe de seu pessimismo habitual, por mais que as situações irônicas e o teatro grego possam parecer afirmar o contrário. Passados quase 20 anos de seu lançamento, ainda é uma obra que, mesmo sendo considerada menor no currículo do cineasta, merece todos os aplausos por mostrar a genialidade de seu autor. Se há dúvidas, pule para a cena final, em que a maior ironia da história acontece. Como fala a música que encerra o longa, ‘quando você sorri, o mundo todo sorri com você’. Mais apropriado, impossível”.
O que eu achei: Woody Allen acertou em cheio mais uma vez. Dei boas risadas com esta comédia de humor ácido. A fotografia assinada por Carlo Di Palma é incrível, assim como os figurinos, a direção e o roteiro. Sorvino merece todos os prêmios que recebeu. Atenção para a participação do grande ator F. Murray Abraham como o líder do coro grego.