
Comentário: Felix Van Groeningen é um diretor belga de quem já assisti ao ótimo
“Querido Menino”. Charlotte Vandermeersch, que divide a direção com ele, é
atriz e sua esposa. É a primeira vez que eles dirigem um filme em parceria. O roteiro é uma adaptação de um livro homônimo, escrito
em 2016, de autoria de Paolo Cognetti, vencedor do Prêmio Strega, o mais
prestigiado da Itália. Cognetti colaborou com a adaptação. A história gira em torno de dois garotos: Pietro e Bruno.
Pietro é um garoto da cidade que vê sua vida transformada pelo montanhismo e
por uma duradoura amizade, que nasce quando sua família aluga uma casa no vilarejo
de Grana, aos pés do Monte Rosa. Pietro se encanta pela natureza do lugar e
conhece outro garoto da sua idade, Bruno, nativo da região, com quem dá início
a temporadas de explorações e aventuras em meio a trilhas íngremes. Nesse tempo
Pietro aprende com o simplório Bruno que a montanha também guarda ensinamentos.
Esse aprendizado é o maior legado de seu pai, que, muitos anos depois, deixa como
herança uma tarefa que reaproximará Bruno e Pietro.
O que disse a crítica: A crítica ficou bem dividida, li seis resenhas e as notas variam de 2,5 (regular) a 4,5 (ótimo, excelente).
A nota mais alta ficou por conta de Robledo Milani do site Papo de Cinema. Ele disse: “Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeerch são companheiros na vida real, mas os laços que os unem vêm de muito antes. Ele fora indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pela Bélgica, por ‘Alabama Monroe’ (2012), longa que ela, também atriz, colaborou no roteiro. Em ‘As Oito Montanhas’ atuam juntos na escrita e na direção pela primeira vez, e a delicadeza de abordagem que demonstram faz paralelo com a excelência alcançada na ficção por dois atores com impressionante capacidade de troca. Marinelli e Borghi [atores que interpretam Pietro e Bruno adultos] formam duas partes de um todo, o alcance de um vai até a disposição do outro, completando-se mutuamente seja por um olhar sorrateiro, uma frase não dita, um sentimento recolhido, um abraço reconfortante”.
Jorge Pereira do site C7nema deu a nota mais baixa. Escreveu: “Eis um pedaço de cinema bonito, vistoso em termos de fotografia, com boas interpretações, mas demasiado rápido e com pouca noção de ritmo, evasivo na criação de momentos de verdadeiro arrebatamento emocional, deixando a impressão que mesmo fazendo o retrato de uma longa amizade que se estende por várias décadas, nunca chega verdadeiramente a ser um trabalho apaixonado que vá mais além das convenções”.
O que eu achei: São 147 minutos de um grande deleite visual. A amizade entre os dois rapazes se desenvolve num cenário espetacular fornecido pelas magníficas terras do Vale de Aosta, uma região do noroeste da Itália que faz fronteira com a França e a Suíça. Localizado nos Alpes Ocidentais, é mais conhecido por abrigar alguns picos cobertos de neve, como Matterhorn, Monte Branco, Monte Rosa e Gran Paradiso. Nesse ambiente você vai acompanhar três décadas de desenvolvimento desse relacionamento e o respectivo amadurecimento de cada um, mostrando como uma amizade pode transformar uma pessoa. Como disse Pereira, não espere por grandes arrebatamentos emocionais. Apesar do final trazer um acontecimento inesperado não tão alegre, todo o miolo do filme segue o mesmo compasso relativamente lento e morno, ótimo para desacelerar. Só não sei dizer se sem as belas paisagens, o filme se sustentaria. Aliás, quem gostar de trekking, pode se organizar para visitar pessoalmente as locações. A região já oferecia pacotes para quem gosta de se aventurar em caminhadas longas ou mesmo radicais, mas agora, por conta do livro e do filme, uma associação chamada Urogalli organizou, em colaboração com o próprio Paolo Cognetti, escritor do livro que mora na região, visitas guiadas para os sets de filmagem, que incluem o vilarejo de Grana (que fica a 1375 metros de altitude), os lagos Freudières, os pastos, o refúgio Mezzalama, o restaurante Lara’s e o bar Brusson, onde os protagonistas Pietro e Bruno reencontram-se na adolescência. É um filme para aqueles dias preguiçosos, para viajar sem sair do lugar.
A nota mais alta ficou por conta de Robledo Milani do site Papo de Cinema. Ele disse: “Felix van Groeningen e Charlotte Vandermeerch são companheiros na vida real, mas os laços que os unem vêm de muito antes. Ele fora indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, pela Bélgica, por ‘Alabama Monroe’ (2012), longa que ela, também atriz, colaborou no roteiro. Em ‘As Oito Montanhas’ atuam juntos na escrita e na direção pela primeira vez, e a delicadeza de abordagem que demonstram faz paralelo com a excelência alcançada na ficção por dois atores com impressionante capacidade de troca. Marinelli e Borghi [atores que interpretam Pietro e Bruno adultos] formam duas partes de um todo, o alcance de um vai até a disposição do outro, completando-se mutuamente seja por um olhar sorrateiro, uma frase não dita, um sentimento recolhido, um abraço reconfortante”.
Jorge Pereira do site C7nema deu a nota mais baixa. Escreveu: “Eis um pedaço de cinema bonito, vistoso em termos de fotografia, com boas interpretações, mas demasiado rápido e com pouca noção de ritmo, evasivo na criação de momentos de verdadeiro arrebatamento emocional, deixando a impressão que mesmo fazendo o retrato de uma longa amizade que se estende por várias décadas, nunca chega verdadeiramente a ser um trabalho apaixonado que vá mais além das convenções”.
O que eu achei: São 147 minutos de um grande deleite visual. A amizade entre os dois rapazes se desenvolve num cenário espetacular fornecido pelas magníficas terras do Vale de Aosta, uma região do noroeste da Itália que faz fronteira com a França e a Suíça. Localizado nos Alpes Ocidentais, é mais conhecido por abrigar alguns picos cobertos de neve, como Matterhorn, Monte Branco, Monte Rosa e Gran Paradiso. Nesse ambiente você vai acompanhar três décadas de desenvolvimento desse relacionamento e o respectivo amadurecimento de cada um, mostrando como uma amizade pode transformar uma pessoa. Como disse Pereira, não espere por grandes arrebatamentos emocionais. Apesar do final trazer um acontecimento inesperado não tão alegre, todo o miolo do filme segue o mesmo compasso relativamente lento e morno, ótimo para desacelerar. Só não sei dizer se sem as belas paisagens, o filme se sustentaria. Aliás, quem gostar de trekking, pode se organizar para visitar pessoalmente as locações. A região já oferecia pacotes para quem gosta de se aventurar em caminhadas longas ou mesmo radicais, mas agora, por conta do livro e do filme, uma associação chamada Urogalli organizou, em colaboração com o próprio Paolo Cognetti, escritor do livro que mora na região, visitas guiadas para os sets de filmagem, que incluem o vilarejo de Grana (que fica a 1375 metros de altitude), os lagos Freudières, os pastos, o refúgio Mezzalama, o restaurante Lara’s e o bar Brusson, onde os protagonistas Pietro e Bruno reencontram-se na adolescência. É um filme para aqueles dias preguiçosos, para viajar sem sair do lugar.