5.8.23

“Os Filhos dos Outros” - Rebecca Zlotowski (França, 2022)

Sinopse:
Rachel (Virginie Efira) é uma mulher de 40 anos, independente e apaixonada pela vida, dedicada aos seus alunos do liceu, aos amigos, à família e aos seus hobbies. Quando se apaixona por Ali (Roschdy Zem), um homem recentemente separado, Rachel forma um vínculo profundo com a pequena Leila (Callie Ferreira-Goncalves), filha dele.
Comentário: Nunca assisti nenhum filme da cineasta e roteirista francesa Rebecca Zlotowski. São dela: “Belle Épine” (2002), “Grand Central” (2013), “Além da Ilusão” (2016) e “A Prima Sofia” (2019). “Os Filhos dos Outros” é seu mais recente trabalho. O filme foi escrito e dirigido por ela. A trama gira em torno de Rachel, uma professora de 40 anos que começa a namorar Ali, pai da pequena Leila. Rachel e Leila criam um laço profundo. Com a mãe biológica da menina em cena, Rachel vê-se ultrapassada em diversas ocasiões, começando a pensar se este não é o momento de tornar-se mãe dos seus próprios filhos ou, aos 40 anos, abdicar definitivamente da maternidade e dedicar-se aos filhos dos outros. O site C7nema entrevistou a diretora. Ela disse: “Este projeto chegou até mim de forma natural já que tem um fundo muito autobiográfico, algo que é novo para mim. Este é a meu quinto longa-metragem e o meu paradigma era pegar os meus pensamentos e escritos e fazer um filme. Sou fã do Hong Sang-soo e do Philippe Garrel e por isso há muito tempo pensava que podia ser interessante fazer um filme a partir desta base. Mas comecei por uma adaptação, de um romance do Romain Gary, ‘Au-delà de cette limite votre ticket n’est plus valable’ [seria algo como ‘Além deste limite, seu bilhete não é mais válido’]. Um romance sobre a impotência de um homem, que lentamente se foi transformando na impotência de uma mulher, com a adição dos elementos biográficos”.
O que disse a crítica: Ann Hornaday do The Washington Post achou bom. Disse: “’Os Filhos dos Outros’ pode não se qualificar como uma tragédia, mas, apesar de todo o seu ritmo sem esforço e brilho superficial, transmite duas verdades duradouras - e, francamente, devastadoras - sobre amor e perda, mortalidade e as mais confusas contradições do tempo”.
Simon Abrams do site Roger Ebert não foi tão elogioso. Escreveu: “Às vezes, Zlotowski se dá mais trabalho distanciando-se de seus personagens, presumivelmente para negar o tipo de cinismo patético que poderia, a qualquer momento, fazer de Rachel um símbolo tragicamente sobrecarregado da feminilidade moderna”.
O que eu achei: A menina Leila, interpretada pela atriz mirim Callie Ferreira-Goncalves, é encantadora, mas o filme em si tem a pegada de uma novela: artificial e superficial. Trata da questão da crise dos 40 anos que passa a mulher contemporânea, dividida entre o trabalho, os relacionamentos que não engrenam e a sensação de que a possibilidade de ser mãe está escoando pelos dedos. Seria uma grande oportunidade para falar de menopausa, um assunto ainda tabu e pouco explorado, mas o resultado deixa a desejar, soa como um lamento ininterrupto. A trilha sonora também não me chamou a atenção, mas ao final foi agradável ouvir uma versão francesa da música “Águas de Março” de Tom Jobim que quase salvou o filme, só que não. Mediano.