
Comentário: Robert Eggers é um diretor americano que tenho prestado atenção. Assisti dele os excelentes “A Bruxa” (2015) e “O Farol” (2019). “O Homem do Norte” é seu terceiro longa e se baseia na obra “Gesta Danorum” (cuja tradução literal seria "Feitos dos Dinamarqueses”), composta por 16 livros, escrito pelo clérigo e historiador dinamarquês Saxo Grammaticus (1150-1220) entre os séculos XII e XIII. Junno Sena do site Legião dos Heróis nos conta que “Hamlet” de Shakespeare, “O Homem do Norte” e “O Rei Leão”, além de diversos outros filmes, séries e livros, foram inspirados em Amleth, uma figura mitológica marcante nos romances escandinavos. “É uma história muito antiga”, explicou Alexander Skarsgård, protagonista do filme, em entrevista para o Den of Geek. “Shakespeare baseou Hamlet no príncipe Amleth de Saxo Grammaticus do século XII. Mas, o Saxo Grammaticus provavelmente baseou esse personagem no príncipe Amleth de Judland, que é no qual nos baseamos para fazer o filme, em uma Islândia ainda mais antiga, entre o século IX e X”. O site diz: “Mesmo que essa história possa ser entendida como ‘baseada em fatos reais’, não se sabe ao certo quando o príncipe Amleth existiu. Não há indícios que comprovem que a lenda do príncipe foi real como aponta o ator durante a entrevista. Alguns estudiosos afirmam que, se caso existiu, isso ocorreu mais de cem anos antes do Saxo Grammaticus (...) nascer. Grammaticus foi responsável por documentar essas histórias, entre elas a de Amleth, escrita entre o século XII e XIII. Enquanto a versão de Grammaticus localiza Amleth no norte da Dinamarca, sabe-se que o nome do príncipe é derivado de “Amlóði”, apelido que aparece em Edda, um antigo texto nórdico do século XIII que se tornou a principal fonte para se compreender a mitologia nórdica. Essa descoberta dá base para a teoria de que o personagem foi príncipe de uma Islândia esquecida, datada do tempo Viking. É então que chegamos em outro nome e lenda similar, Amlodi. O historiador Thormodus Torfæus foi quem documentou essa popular história infantil durante a sua juventude”. “Saxo Grammaticus era um grande conhecedor sobre as histórias islandesas”, explicou o diretor Eggers. “E nós achamos que ele deve ter lido uma versão antiga de Amleth, passada oralmente pelas gerações e que existiu durante o tempo Viking. Também existe uma história chamada Hrólfs Saga, a sua abertura é bem similar a história de Amleth e Hamlet. Então, é uma história nórdica antiga”. “E por ter sido passada através da fala, espera-se que existam algumas inconsistências e mudanças com o passar do tempo. Os textos da Dinamarca trazem um início bem similar às abordagens atuais da história de Amleth. (...) Com uma visão mais pessimista, porém realista em certa medida, Shakespeare e Eggers desconstroem essa fábula, trazendo uma interpretação menos gratificante sobre a vingança”. O diretor - em parceria com o escritor islandês Sjón - mergulhou nos costumes vikings para desenvolver o roteiro. A trama, ambientada no século IX, acompanha a vida do príncipe Amleth (Oscar Novak na juventude e Alexander Skarsgård quando adulto), filho do Rei Aurvandil (Ethan Hawke) e da Rainha Gudrún (Nicole Kidman), que tem sua vida virada do avesso quando seu tio, Fjölnir (Claes Bang), decide dar um golpe e usurpar o trono. O jovem consegue fugir e jura se vingar da traição. É a primeira vez que Eggers se envolve com um grande estúdio de Hollywood, a Universal. Com um orçamento bem maior do que os anteriores, “Eggers não economiza no CGI, no tratamento de imagens, na escala de suas cenas de ação, na fluidez de câmera possível quando você tem um cenário completamente equipado, com dúzias de figurantes, para filmar”. Segundo Célio Silva do G1, “É bem curioso ver como Eggers faz suas cenas de ação com vigor, principalmente combates com espadas e no corpo a corpo. As imagens impactantes não poupam o público da violência gráfica. Algumas delas lembram ‘Conan, o Bárbaro’, estrelado por Arnold Schwarzenegger em 1982. Em entrevistas, o diretor confessou a inspiração. Elas entram em equilíbrio com os momentos mais contemplativos, em que fica ainda mais notório o estilo que o diretor implementa, com uma atmosfera que causa desconforto e até tensão, nem sempre deixando claro para o público o que pode vir a seguir. O longa trabalha em materializar o que o protagonista está pensando e faz o espectador ter, às vezes, a sensação de confusão que a mente dele pode ter: o desejo de se vingar acaba deixando-o sem enxergar as coisas como deveriam ser. Isso acaba gerando cenas oníricas, com divindades nórdicas como o Deus Odin, as valquírias e até Valhalla, o local para onde os nobres guerreiros vão no final de suas vidas”.
O que disse a crítica: A crítica está bem dividida. Li cinco resenhas e as notas variavam de 2,0 (fraco, regular) a 4,8 (ótimo, excelente).
A nota mais baixa ficou por conta de Caio Coletti do site Omelete que achou o filme exaustivo e convencional. Ele disse tratar-se de “um blockbuster gritado, mas aborrecido. Um filme visualmente bem resolvido, mas sem sombra dos floreios plásticos austeros das investidas anteriores de Eggers. O cineasta nunca foi um mago das cores, mas sim um habilidoso manipulador de luz e sombras, um utilizador exímio de close-ups extremos e desfoques, um observador nato de performances intensas. Em ‘O Homem do Norte’, ele tem tempo e dinheiro para ser todas essas coisas, mas não tem o material com o qual trabalhá-las de forma significativa. (...) Eggers escolheu (...) dar ao seu filme uma chance (meio distante, diga-se) de lotar multiplexes por aí, e talvez pagar o próprio investimento. Alguns diretores conseguem equilibrar esse compromisso com si mesmos e com a folha de orçamento, mas talvez seja preciso um pouco mais de maturidade, ou mais tentativa-e-erro, para Eggers chegar lá”.
A nota mais alta foi dada por Laysa Zanetti do Splash/UOL. Escreveu: “Enquanto o mercado audiovisual se divide entre filmes de streaming que são enterrados sem uma divulgação honesta e grandes blockbusters sem vida manufaturados depois de dezenas de testes de público, ‘O Homem do Norte’ mostra que o espetáculo cinematográfico e visual continua em primeiro plano, e que para isso não é necessário sacrificar a história. Dentro de uma trama tão clássica no sentido cinematográfico, que inclui lutas bárbaras, corpos sangrentos e uma jornada do herói construída como manda a cartilha, Robert Eggers consegue imprimir seus toques pessoais com uma brutalidade raramente vista nos cinemas em tempo atual. Ele vai contra tudo o que soaria comercial para uma história como essa, deixando de lado sentimentalismos e até mesmo a necessidade de escolhas dúbias e sacrifícios emocionais que fariam o espectador se conectar com o personagem principal. (...) Eggers não facilita a sua digestão para o espectador, mas transforma o resultado final em um banquete saboroso que compensa, e muito”.
O que eu achei: O filme não chega a ser ruim, mas está longe do resultado dos anteriores “A Bruxa” (2015) e “O Farol” (2019). Esses dois primeiros tinham a marca do autor, que era justamente o que fazia eles serem tão incríveis. A associação, desta vez, com um grande estúdio investindo muito e querendo, obviamente, um retorno a altura, fez deste um trabalho menos autoral e mais comercial, portanto, a meu ver, menos interessante. Eu nunca assisti “Conan, o Bárbaro” (1982), estrelado pelo Schwarzenegger, mas era bem possível imaginá-lo no lugar do protagonista, então, apesar do filme até ter alguma qualidade, você já pode imaginar o que te espera. É um filme de reis, de lutas, de homens brutos, de sangue, mas também de mitologia e de misticismo. De bom temos a fotografia, as locações - muitas cenas foram gravadas na bela Irlanda - e o elenco composto por nomes como Willem Dafoe, Nicole Kidman, Ethan Hawke e Anya Taylor-Joy, dentre outros. Atenção para a cantora islandesa Björk como a vidente Seeress, que pode ver o futuro.
O que disse a crítica: A crítica está bem dividida. Li cinco resenhas e as notas variavam de 2,0 (fraco, regular) a 4,8 (ótimo, excelente).
A nota mais baixa ficou por conta de Caio Coletti do site Omelete que achou o filme exaustivo e convencional. Ele disse tratar-se de “um blockbuster gritado, mas aborrecido. Um filme visualmente bem resolvido, mas sem sombra dos floreios plásticos austeros das investidas anteriores de Eggers. O cineasta nunca foi um mago das cores, mas sim um habilidoso manipulador de luz e sombras, um utilizador exímio de close-ups extremos e desfoques, um observador nato de performances intensas. Em ‘O Homem do Norte’, ele tem tempo e dinheiro para ser todas essas coisas, mas não tem o material com o qual trabalhá-las de forma significativa. (...) Eggers escolheu (...) dar ao seu filme uma chance (meio distante, diga-se) de lotar multiplexes por aí, e talvez pagar o próprio investimento. Alguns diretores conseguem equilibrar esse compromisso com si mesmos e com a folha de orçamento, mas talvez seja preciso um pouco mais de maturidade, ou mais tentativa-e-erro, para Eggers chegar lá”.
A nota mais alta foi dada por Laysa Zanetti do Splash/UOL. Escreveu: “Enquanto o mercado audiovisual se divide entre filmes de streaming que são enterrados sem uma divulgação honesta e grandes blockbusters sem vida manufaturados depois de dezenas de testes de público, ‘O Homem do Norte’ mostra que o espetáculo cinematográfico e visual continua em primeiro plano, e que para isso não é necessário sacrificar a história. Dentro de uma trama tão clássica no sentido cinematográfico, que inclui lutas bárbaras, corpos sangrentos e uma jornada do herói construída como manda a cartilha, Robert Eggers consegue imprimir seus toques pessoais com uma brutalidade raramente vista nos cinemas em tempo atual. Ele vai contra tudo o que soaria comercial para uma história como essa, deixando de lado sentimentalismos e até mesmo a necessidade de escolhas dúbias e sacrifícios emocionais que fariam o espectador se conectar com o personagem principal. (...) Eggers não facilita a sua digestão para o espectador, mas transforma o resultado final em um banquete saboroso que compensa, e muito”.
O que eu achei: O filme não chega a ser ruim, mas está longe do resultado dos anteriores “A Bruxa” (2015) e “O Farol” (2019). Esses dois primeiros tinham a marca do autor, que era justamente o que fazia eles serem tão incríveis. A associação, desta vez, com um grande estúdio investindo muito e querendo, obviamente, um retorno a altura, fez deste um trabalho menos autoral e mais comercial, portanto, a meu ver, menos interessante. Eu nunca assisti “Conan, o Bárbaro” (1982), estrelado pelo Schwarzenegger, mas era bem possível imaginá-lo no lugar do protagonista, então, apesar do filme até ter alguma qualidade, você já pode imaginar o que te espera. É um filme de reis, de lutas, de homens brutos, de sangue, mas também de mitologia e de misticismo. De bom temos a fotografia, as locações - muitas cenas foram gravadas na bela Irlanda - e o elenco composto por nomes como Willem Dafoe, Nicole Kidman, Ethan Hawke e Anya Taylor-Joy, dentre outros. Atenção para a cantora islandesa Björk como a vidente Seeress, que pode ver o futuro.