
Comentário: Assisti na vida cinco filmes do italiano Nanni Moretti, todos muitos bons, sendo “Caro Diário” (1993) meu preferido. Este é o 17º filme que ele dirige, incluindo-se aqui os documentários e os média-metragens. Baseado em livro do israelense Eshkol Nevo, “Tre Piani” - que em italiano quer dizer “Três Andares” - mostra o entrelaçamento das histórias de três famílias que moram em um mesmo condomínio em Roma, apresentando um panorama da burguesia italiana contemporânea. O edifício é uma espécie de metáfora das transformações ocorridas ao longo de dez anos no país, com seus moradores sofrendo grandes abalos: uns morrem, outros crescem, se transformam, e quase todos se mudam do imóvel, deixando o local por diferentes motivos. Nanni Moretti, além de dirigir o filme, interpreta um desses moradores: o influente juiz Vittorio Bardi. Sérgio Alpendre da Folha de SP nos conta que o filme concorreu em Cannes “na mesma edição (...) em que o filme vencedor foi ‘Titane’, de Julia Ducournau. Moretti então declarou, em uma rede social, que tinha subitamente envelhecido. Claro que foi entendido como despeito, afinal, o filme vencedor tem mais apelo com o público jovem. Mas ele estava, na verdade, remetendo ao próprio tema de seu belo filme: o envelhecimento, as superações e o choque com gerações mais jovens”.
O que disse a crítica: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema achou razoável. Disse: “Para além da reflexão emocional e narrativa que provoca, ‘Tre Piani’ não está no campo dos maiores acertos de Moretti, ao olhar com distanciamento. Seu roteiro conta com facilidades demais no encadeamento das ideias, seu universo não apresenta um leque de opções que prime por algo que o próprio diretor não tenha caminhado antes, suas definições são, aqui e ali, muito previsíveis e acabam por permitir um jogo mais fácil para o espectador“.
Luiz Zanin do Estadão gostou. Escreveu: “’Tre Piani’ tem, em muitos momentos, quase a estrutura de um melodrama. E daí? O estilo de Moretti (tudo está na mise-en-scène), seu controle preciso de tempos e intensidades, evita que o filme caia no emocionalismo fácil. Pelo contrário, há emoção, e esta não é chantagem sentimental ao espectador. Um certo sentido de humor ajunta certo distanciamento à trama. Podemos assisti-lo com inquietação pelo destino dos personagens, outras vezes com o coração apertado e, outras, com um certo alívio”.
Pedro Mesquita do site Vertentes do Cinema disse: “’Tre Piani’ poderá frustrar as expectativas de quem espera ver nele o Nanni Moretti de outrora. Por outro lado, quem souber assisti-lo à maneira de uma tabula rasa, sem julgamentos a priori pesando sobre a experiência da obra, poderá encontrar um belo filme”.
O que eu achei: Como disse Mesquita, não espere ver o Nanni Moretti de outrora, com sua persona em primeiro plano tratando de questões autorreferentes e algum humor. Neste ele aparece como um ator coadjuvante comum, num melodrama de estrutura linear com diversas tramas que se intercalam, muitas formadas por coincidências inverossímeis. O filme é lento, monótono, parece não atingir seu objetivo, tem diversos clichês, parece mais uma novela das nove da Globo. Agora que vi entendi a enxurrada de críticas que o filme recebeu em Cannes. Uma bola fora de Moretti.
O que disse a crítica: Francisco Carbone do site Cenas de Cinema achou razoável. Disse: “Para além da reflexão emocional e narrativa que provoca, ‘Tre Piani’ não está no campo dos maiores acertos de Moretti, ao olhar com distanciamento. Seu roteiro conta com facilidades demais no encadeamento das ideias, seu universo não apresenta um leque de opções que prime por algo que o próprio diretor não tenha caminhado antes, suas definições são, aqui e ali, muito previsíveis e acabam por permitir um jogo mais fácil para o espectador“.
Luiz Zanin do Estadão gostou. Escreveu: “’Tre Piani’ tem, em muitos momentos, quase a estrutura de um melodrama. E daí? O estilo de Moretti (tudo está na mise-en-scène), seu controle preciso de tempos e intensidades, evita que o filme caia no emocionalismo fácil. Pelo contrário, há emoção, e esta não é chantagem sentimental ao espectador. Um certo sentido de humor ajunta certo distanciamento à trama. Podemos assisti-lo com inquietação pelo destino dos personagens, outras vezes com o coração apertado e, outras, com um certo alívio”.
Pedro Mesquita do site Vertentes do Cinema disse: “’Tre Piani’ poderá frustrar as expectativas de quem espera ver nele o Nanni Moretti de outrora. Por outro lado, quem souber assisti-lo à maneira de uma tabula rasa, sem julgamentos a priori pesando sobre a experiência da obra, poderá encontrar um belo filme”.
O que eu achei: Como disse Mesquita, não espere ver o Nanni Moretti de outrora, com sua persona em primeiro plano tratando de questões autorreferentes e algum humor. Neste ele aparece como um ator coadjuvante comum, num melodrama de estrutura linear com diversas tramas que se intercalam, muitas formadas por coincidências inverossímeis. O filme é lento, monótono, parece não atingir seu objetivo, tem diversos clichês, parece mais uma novela das nove da Globo. Agora que vi entendi a enxurrada de críticas que o filme recebeu em Cannes. Uma bola fora de Moretti.