21.7.23

“Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial” – Richard Linklater (EUA, 2022)

Sinopse:
 
Um homem relembra o mágico ano de 1969 em Houston, quando tinha apenas 10 anos. Ele se recorda de sua infância alegre com seus amigos e família, de radicais mudanças políticas e até da fantástica viagem à Lua.
Comentário: Richard Linklater (1960) é um cineasta e escritor norte-americano. Seu primeiro filme a alcançar o sucesso foi "Before Sunrise" (1995), que mais tarde virou uma trilogia junto com "Before Sunset" (2004) e "Before Midnight" (2023). Assisti dele a obra-prima "Boyhood - Da Infância à Juventude" (2014) e os medianos "O Homem Duplo" (2006) e "A Melhor Escolha" (2017). Desta vez vou conferir a animação de ficção científica “Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial” (2022).
O filme se passa durante o pouso da Apollo 11 na lua em 1969 e vai explorar as fantasias das crianças na Terra sobre o evento. Kevin Rick do site Plano Crítico nos conta tratar-se de “mais um fruto cinematográfico da recente onda de filmes semiautobiográficos de cineastas, com grande foco no período, contexto histórico, espaço geográfico e modo de vida que os idealizadores cresceram, vide ‘Roma’, ‘Belfast’, ‘A Mão de Deus’ e (...) ‘The Fabelmans’, de Steven Spielberg. Independente da abordagem formal e narrativa de seus respectivos diretores, obras assim carregam em comum um olhar extremamente pessoal do artista”. Assim como em “Boyhood” a história se passa em Houston, no Texas, nos anos 60. Stan é um aluno da quarta série que é puxado para uma missão ultrassecreta da NASA, na qual o jovem de 10 anos e meio é recrutado por dois agentes do governo para se tornar um astronauta, indo à Lua antes da Apollo 11. “O tom absurdo é apenas a camada superficial de uma história que gradualmente se torna um retrato da vida americana no final dos anos 1960, com pequenas inserções políticas e uma visão ampla do fascínio (e críticas) à corrida espacial, mas especialmente uma história sobre o crescimento de Stan ao redor da cultura pop e a explosão de popularidade de shows de televisão; jogos com familiares e amigos; rotina escolar e doméstica; inovações tecnológicas; e dinâmicas sociais de uma criança neste período, que gostava de jogar fliperama e ler revistas da MAD. Tanto a distribuição do roteiro quanto a ótima montagem fazem um vai-e-vem singelo sobre experiências e percepções que moldaram Stan, e consequentemente Linklater no artista e na pessoa que é hoje”. A animação é feita com a técnica da rotoscopia, similar àquela já utilizada pelo diretor em “Waking Life” (2001) e “O Homem Duplo” (2008). A técnica implica em desenhar em cima de cenas gravadas por atores. A narração em off é do ator Jack Black.
O que disse a crítica 1: Rick achou o filme mediano. Escreveu: “’Apollo 10 e Meio: Aventura na Era Espacial’ é um filme honesto. Dá para sentir isso assistindo. Mas eu diria que em sua sinceridade, o cineasta não é necessariamente natural, criando uma obra mais verbal do que orgânica. Uma execução mais informacional do que cinematográfica, o que detrai bastante da nossa conexão emocional com a história de Stan e seu pequeno milagre espacial”. O resultado, segundo ele, é “esteticamente encantador, mas essencialmente vazio e esquecível”. 
O que disse a crítica 2: Marcos Faria do site Cineset também achou razoável. Disse: “’Apollo 10 e Meio’ não consegue conciliar muito bem suas duas faces: tudo que envolve a missão de Stan simplesmente não se mostra tão interessante quanto o registro da época (...). As imagens midiáticas que o filme resgata, filtradas pela animação, dialogam com a ludicidade de Stan em sua viagem à lua. A questão é que os segmentos sobre a missão simplesmente não se mostram tão interessantes de assistir: o espanto da imagem de uma criança pilotando uma espaçonave logo se esvai e, enquanto isso, não conseguimos deixar de pensar: ‘ok, já entendi o ponto, agora me tire do espaço e me leve de volta às texturas sessentistas de Houston’”.
O que disse a crítica 3: Caio Coletti do site Omelete gostou. Segundo ele o filme não chega ao nível de “Boyhood”. “É um Linklater menor, em todos os sentidos, mas ainda é um Linklater - e é sempre uma experiência transportadora assisti-lo”.
O que disse a crítica 4: Fábio Rossini do site Cinema com Rapadura também gostou. Para ele: “’Apollo 10 e Meio’ enfatiza a nostalgia por muito tempo, até mais do que devia. Mas não deixa de ser um tipo de documento histórico sobre como a corrida espacial influenciou a vida daquelas pessoas, mudou o cotidiano dos adultos com propagandas de progresso, e mudou a vida das crianças com novas brincadeiras, como escorregadores em formato de foguete. Grandes feitos da humanidade só nos ajudam a exaltar a pureza da vida cotidiana”.
O que eu achei: A história é bem nostálgica e vai pegar de cheio quem, assim como eu, for contemporâneo do diretor - eu nasci em 1960 e vi que ele também - então essa criança que tinha 9 anos em 1969 poderia ser eu. Me vi nos jogos, nas brincadeiras, nos programas de tv da época, nas roupas, na música, nos costumes… até uma rápida entrevista com a Janis Joplin é mostrada passando na tv. Lembro especialmente daquela madrugada em 1969 que insisti com meu pai em passar a madrugada na sala pra ver o Neil Armstrong pisar na lua, assim como a família do jovem Stan faz. Por ser um recorte de época bem específico, tenho dúvidas se pessoas mais jovens vão gostar tanto quanto eu. Atenção à maravilhosa trilha sonora com músicas de Donavan, Jeff Back, Credence, 5th Dimension, Johnny Cash, Pink Floyd e outros. Bem bacana.