
Comentário: Trata-se da terceira versão cinematográfica que vejo da peça do dramaturgo inglês William Shakespeare. Apresentada pela primeira vez em 1606, a história já teve diversas adaptações tanto para o teatro como para o cinema. A primeira que eu vi foi "MacBeth - Reinado de Sangue" (1948) do Orson Welles; a segunda foi o "MacBeth" (1971) do Polanski e agora vejo essa versão assinada pelo Joel Coen, um diretor que admiro muito. É sua primeira empreitada na direção sem o irmão Ethan Coen. Ainda que Joel assinasse sozinho a direção dos filmes da dupla até 2004, ele sempre tinha o irmão Ethan ao seu lado, não creditado, mas desta vez o voo é efetivamente solo. A história a gente já conhece: um escocês (Denzel Washington) é convencido por um trio de bruxas (as três bruxas são interpretadas pela veterana do teatro Kathryn Hunter) que se tornará o próximo rei da Escócia. Ao ser apoiado pela esposa (Frances McDormand), o casal tomará atitudes extremas pelo poder do país, resultando numa jornada à loucura. Interessante ver um casal mais maduro interpretando esses papéis: Denzel Washington e a magistral Frances McDormand dominam a cena. Ela é mulher do diretor e foi sua parceira no desenvolvimento do projeto. Roberto Sadovski do site Splash UOL levanta a questão que, eles sendo mais maduros, “o tempo não permite mais sonhar. Assim, seus atos ganham mais peso e urgência, sublinhando o desejo de deixar um legado. Essa maturidade se reflete na interação de Denzel e Frances, que evocam à perfeição duas pessoas com décadas de familiaridade um com o outro, emprestando credibilidade às suas decisões. O esfarelamento de sua posição de poder, prevista na irrefreável profecia que dispara a trama, ressalta a tragédia de quem não tem mais o tempo a seu favor para redimir-se de suas próprias decisões”. O filme teve três indicações ao Oscar: Melhor Ator (Denzel Washington), Melhor Fotografia (Bruno Delbonnel) e Melhor Design de Produção (Stefan Decbant).
O que disse a crítica: Sadovski gostou. Escreveu: “É espantoso (...) que Denzel consiga explorar ainda novas facetas neste ‘A Tragédia de Macbeth’, adaptação de Joel Coen para a peça que Shakespeare concebeu há mais de quatro séculos. Em um filme superlativo de ponta a ponta, uma das experiências mais belas do cinema contemporâneo, é seu protagonista que brilha ainda mais intenso. (...) O que ele faz como Macbeth é quase sobrenatural, e é um prazer testemunhar um ator já tão laureado buscar desafios tão complexos e superá-los com tamanha habilidade. É, também, a prova que o trabalho de William Shakesperare segue, indubitavelmente, imortal”.
Ritter Fan do Plano Crítico deu nota máxima. Disse: “A Tragédia de Macbeth é o triunfo de Joel Coen. Um filme que em momento algum se entrega a maneirismos de blockbusters modernos ou trai suas raízes shakespearianas – manutenção do texto original quase integral e da atmosfera teatral – mas que consegue, a cada fotograma, criar um espetáculo completo audiovisual que eleva a forma à substância. O bardo britânico sairia emocionado – e assustado – da experiência, tenho certeza”.
O que eu achei: Apesar de eu já conhecer a história, a forma como ela é apresentada prende a atenção nos seus enxutos 105 minutos de duração. A beleza é tanta que poderia durar mais. A fotografia é sublime. O filme é todo em preto em branco. Cada quadro é iluminado de forma arrebatadora. As nuances de cinzas encantam. Os pontos de vista das câmeras e os enquadramentos precisos também. A indicação de Bruno Delbonnel ao Oscar de Melhor Fotografia é plenamente justificada. Os cenários e figurinos também são incríveis. Mantém a pegada do teatro e um certo artificialismo, mas as coisas não são tão estáticas. O castelo é frio, tem poucos adereços e muitos ângulos retos. Também magnífica é a floresta. Dos atores não há o que dizer: Denzel Washington se supera e Frances McDormand dispensa apresentações. Os coadjuvantes também foram muito bem escolhidos e a direção precisa de Coen mantém tudo funcionando perfeitamente. Atenção especial à dramaturga greco-americana Kathryn Hunter no papel das três bruxas e de um homem velho que surge rapidamente na história. Observe o primor de sua interpretação: sua inflexão de voz, os movimentos quase impossíveis que ela faz com seu corpo, seu visual bizarro e diabólico. Imperdível.
O que disse a crítica: Sadovski gostou. Escreveu: “É espantoso (...) que Denzel consiga explorar ainda novas facetas neste ‘A Tragédia de Macbeth’, adaptação de Joel Coen para a peça que Shakespeare concebeu há mais de quatro séculos. Em um filme superlativo de ponta a ponta, uma das experiências mais belas do cinema contemporâneo, é seu protagonista que brilha ainda mais intenso. (...) O que ele faz como Macbeth é quase sobrenatural, e é um prazer testemunhar um ator já tão laureado buscar desafios tão complexos e superá-los com tamanha habilidade. É, também, a prova que o trabalho de William Shakesperare segue, indubitavelmente, imortal”.
Ritter Fan do Plano Crítico deu nota máxima. Disse: “A Tragédia de Macbeth é o triunfo de Joel Coen. Um filme que em momento algum se entrega a maneirismos de blockbusters modernos ou trai suas raízes shakespearianas – manutenção do texto original quase integral e da atmosfera teatral – mas que consegue, a cada fotograma, criar um espetáculo completo audiovisual que eleva a forma à substância. O bardo britânico sairia emocionado – e assustado – da experiência, tenho certeza”.
O que eu achei: Apesar de eu já conhecer a história, a forma como ela é apresentada prende a atenção nos seus enxutos 105 minutos de duração. A beleza é tanta que poderia durar mais. A fotografia é sublime. O filme é todo em preto em branco. Cada quadro é iluminado de forma arrebatadora. As nuances de cinzas encantam. Os pontos de vista das câmeras e os enquadramentos precisos também. A indicação de Bruno Delbonnel ao Oscar de Melhor Fotografia é plenamente justificada. Os cenários e figurinos também são incríveis. Mantém a pegada do teatro e um certo artificialismo, mas as coisas não são tão estáticas. O castelo é frio, tem poucos adereços e muitos ângulos retos. Também magnífica é a floresta. Dos atores não há o que dizer: Denzel Washington se supera e Frances McDormand dispensa apresentações. Os coadjuvantes também foram muito bem escolhidos e a direção precisa de Coen mantém tudo funcionando perfeitamente. Atenção especial à dramaturga greco-americana Kathryn Hunter no papel das três bruxas e de um homem velho que surge rapidamente na história. Observe o primor de sua interpretação: sua inflexão de voz, os movimentos quase impossíveis que ela faz com seu corpo, seu visual bizarro e diabólico. Imperdível.