
Comentário: O filme viaja para o mundo de fantasia de Kumandra, onde humanos e dragões viveram juntos há muito tempo em harmonia. Mas, quando uma força maligna ameaçou a terra, os dragões sacrificaram-se para salvar a humanidade. Agora, 500 anos depois, o mesmo mal voltou e cabe a uma guerreira solitária, Raya, localizar Sisu, o último dragão lendário, para recuperar a terra separada e o seu povo dividido. No entanto, ao longo da sua jornada, ela vai aprender que será necessário mais do que um dragão para salvar o mundo - será também necessário confiança e trabalho em equipe. O reino fictício de Kumandra foi inspirado nas culturas do sudeste asiático. Para pesquisar mais a respeito, a equipe cinematográfica viajou para países como Laos, Camboja, Tailândia, Vietnã e Indonésia. Juntamente, o estúdio contratou dois roteiristas asiáticos: Adele Lim, de descendência malaia, e o premiado dramaturgo vietnamita Qui Nguyen. Quem dá voz à Raya é a atriz americana descendente de vietnamitas Kelly Marie Tran que atuou em “Star Wars: Os Últimos Jedi” (2017). Já a personagem do dragão Sisu é dublada pela atriz, compositora e rapper norte-americana de origem chinesa e coreana Awkwafina (nome profissional de Nora Lum). Ela começou sua atividade profissional no mundo do espetáculo em 2011, mas foi em 2019 que ela despontou como estrela em ascensão ao protagonizar o filme “A Despedida”, de Lulu Wang, que lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia. Ela também foi nomeada ao BAFTA para um prêmio que a Academia Britânica entrega anualmente a talentos em ascensão.
O que disse a crítica: Barbara Demerov do site Adoro Cinema gostou muito. Escreveu: “’Raya e o Último Dragão’ (…) é uma obra realmente impressionante. O filme (…) não só entrega uma história completa dentro do gênero fantasia como também apresenta um universo nunca antes visto com bastante clareza. Além disso, a segurança dos realizadores em introduzir uma nova princesa da Disney em pleno 2021, que foge dos padrões de forma tão orgânica, é o principal elemento que faz a aventura ser ainda mais interessante de se acompanhar”.
Marta Kong Nunes do site HD Magazine também gostou. Disse: “’Raya e o Último Dragão’ destaca-se não apenas pelas magníficas paisagens mas pela mensagem. Se não confiarmos nos outros, não podemos pedir o mesmo de volta, e talvez seja esse sentimento que precise de ser enraizado para o mundo ser um local melhor. Uma mensagem que é transversal a todas as idades, e que a nova animação da Walt Disney Animation Studios transmite de forma exímia. Não é uma narrativa inovadora, mas é uma história atual, adequada a todos, e que faz bem a todos ver e ouvir”.
Mariana Canhisares do site Omelete avaliou o resultado como excelente. Ela achou interessante a história estar centrada nas tradições do Sudeste Asiático e escreveu: “Com cenas de ação épicas e muito bem coreografadas, é fácil esquecer que se está diante de uma animação, mesmo que um dragão com jeitinho de sereia esteja no centro de tudo. A razão para isso, além do notável talento da equipe por trás do filme, é o nível de comprometimento para criar uma representação tão mágica quanto fiel da cultura de países como Vietnã, Laos e Filipinas, transparente já na escalação de Kelly Marie Tran para dublar a protagonista”.
O que eu achei: O filme balanceia entretenimento com questões humanitárias, trata da questão da confiança mesmo existindo sempre um risco de decepção. A personagem Raya lembra muito Lara Croft em suas missões perigosas. É mais uma “princesa” Disney dos tempos modernos, onde não há príncipes encantados, mas sim uma menina forte, longe daquelas princesas frágeis, indefesas, fúteis ou superficiais que dependem de uma figura masculina para serem salvas. A história é relativamente fácil de acompanhar e tem como ponto positivo um belíssimo visual super detalhado. De pontos negativos há alguns tópicos dentro do roteiro que deixam a desejar, o final é relativamente previsível e a trilha sonora é exageradamente grandiosa, melosa demais para o meu gosto. O filme foi nomeado ao Oscar de Melhor Animação perdendo para “Encanto” (2021).