18.6.23

“O Banqueiro da Resistência” - Joram Lürsen (Holanda, 2018)

Sinopse:
Em Amsterdã, durante a ocupação nazista, os irmãos banqueiros Walraven van Hall (Barry Atsma) e Gijs van Hall (Jacob Derwig), insatisfeitos com a situação ditatorial do país, decidem realizar um plano ousado: fundar uma resistência holandesa e sabotar a invasão alemã através de um exército recrutado de maneira ilegal em plena Segunda Guerra Mundial.
Comentário: Joram Lürsen (1963) é um diretor holandês de cinema e televisão, roteirista e produtor. Este é o primeiro filme que vejo dele. O enredo se baseia numa história real. Kreitlon Pereira do site Correio do Estado nos conta que “em maio de 1940, a região dos Países Baixos foi invadida pelas tropas nazistas e ocupada por pouco mais de cinco anos. Durante esse período, ocorreram inúmeras revoltas, e o exército alemão reprimia rotineiramente movimentos de resistência à ocupação. Para os revoltosos, era fundamental uma entrada de dinheiro para financiar tais ações. Entretanto, não era nada fácil enganar o sistema de fiscalização do exército germânico, que não ‘largava do pé’ dos banqueiros holandeses, quase todos judeus. Boa parte desses profissionais, inclusive, teve suas fortunas confiscadas e foram forçados a cumprir pena em campos de concentração. Baseado nessa empreitada, o filme (...) detalhará a história sob o ponto de vista dos irmãos banqueiros, Walraven e Gijs van Hall, que pensaram em uma solução simples para fraudar o sistema bancário holandês e financiar a resistência sem alertar as autoridades: tirar dinheiro do Banco Central Holandês. Por mais óbvio que parecesse, o sistema era tão bem elaborado que historiadores estimam que cerca de meio bilhão de euros foram desviados nesse esquema”. Basicamente o que eles faziam era falsificar títulos do tesouro, trocando-os por títulos genuínos nos cofres do Banco Estatal Holandês. Conta-se que o cronograma de filmagem foi uma verdadeira odisseia devido ao grande número de locações. A equipe de Lürsen rodou por 18 cidades ao longo de 36 dias, filmando em toda a Holanda e em parte da Bélgica. 
O que disse a crítica: Pereira elogiou o resultado, escreveu: “A produção dirigida por Joram Lürsen relata a trama com um nível de detalhismo que permite ao espectador sentir-se praticamente um cúmplice do crime. Devido ao alto risco da operação, o filme deixa clara a constante tensão dos participantes com o esquema, visto que a qualquer momento alguém poderia desmascará-los. Assim como toda a rebelião que toma grandes proporções, o risco de alguém de dentro delatar fica cada vez maior, e é imprescindível que tudo corra perfeitamente para que os rebeldes continuem prosperando”. 
Giancarlo Galdino da Revista Bula também foi elogioso. Ele disse que o diretor Joram Lürsen foi extremamente corajoso ao expor na tela a vida desses dois banqueiros irmãos que botaram à prova a carreira e a própria vida. Ele diz: “os irmãos sofreram algumas tentativas de linchamento moral ao longo da História, como se só tivessem se envolvido na defesa dos judeus holandeses em causa própria - o que seria muito justo, aliás -, mas ficou provado que eram genuinamente europeus e poderiam ter fugido se o quisessem. O que os impediu foi a consciência cívica, fundada num raro amor pela condição humana, desinteressado, apenas por sentir que o delírio nazista já fizera estragos demais”. 
O que eu achei: Apesar da pegada televisiva da película, o filme tem boas atuações e trata de um tema sempre interessante: é sobre heróis pouco conhecidos da Segunda Guerra Mundial, com seus dramas na luta contra o nazismo, nos lembrando que os crimes dos nazistas geraram nobres e abnegadas ações na luta contra sua barbárie. Para acompanhar a história é necessário atenção, é tipo um quebra-cabeça que precisa ser montado. Felizmente tudo é apresentado em ordem cronológica o que se torna um facilitador. A fotografia sombria reforça as cenas cheias de tensão que retratam a Holanda nas garras do fascismo. A ameaça fascista está longe de desaparecer e a oposição a ela exigirá mais uma vez coragem e determinação moral. É bom que a população seja lembrada disso, então uma produção como essa continua sendo sempre bem-vinda. Uma curiosidade: o nome clandestino que o banqueiro Walraven van Hall adota é Tuyl, em alusão a um famoso pirata holandês da Era da Vela. Vale ver.