26.6.23

“O Grande Lebowski” - Joel Coen & Ethan Coen (EUA/Reino Unido, 1998)

Sinopse:
Jeff Lebowski (Jeff Bridges), mais conhecido como "The Dude" ("O Cara"), é um ávido jogador de boliche de Los Angeles. Após um grande engano, Dude é apresentado a um milionário que também se chama Jeffrey Lebowski (David Huddleston). Quando a esposa desse milionário (Tara Reid) é sequestrada, o mesmo contrata Dude para entregar o dinheiro do resgate e libertar sua mulher.
Comentário: Eu já virei fã de carteirinha dos irmãos Joel e Ethan Coen. Dos 11 filmes que assisti deles, um era uma verdadeira obra-prima: "Fargo" (1996); sete eram ótimos: "E aí, meu irmão, cadê você?" (2000), "O Homem Que Não Estava Lá" (2001), "Queime Depois de Ler" (2008), "Onde os Fracos Não Têm Vez" (2008), "Um Homem Sério" (2009), "Inside Llewyn Davis: Balada de um Homem Comum" (2013) e "The Ballad of Buster Scruggs" (2018). Os demais eram, no mínimo, bons. Então a expectativa é sempre elevada. Este, do ano de 1998, se baseia no romance policial “The Big Sleep” (“O Sono Eterno”) de Raymond Chandler. A história é a seguinte: estamos em Los Angeles, nos anos 1990. Jeff Bridges, que interpreta Jeff Lebowski, é um ávido jogador de boliche de Los Angeles conhecido como "The Dude" ("O Cara"). Após um grande engano, Dude é apresentado a um milionário que também se chama Jeffrey Lebowski. Quando a esposa desse milionário - o "Grande" Lebowski - é sequestrada, o mesmo contrata Dude para entregar o dinheiro do resgate e libertar sua mulher. O elenco de peso conta com atores como Jeff Bridges, John Goodman, Steve Buscemi, Julianne Moore, David Huddleston, Philip Seymour Hoffman e John Turturro, dentre outros. 
O que disse a crítica: A crítica especializada ficou dividida. Fátima Gigliotti da Folha SP deu nota 2 para o filme. Ela disse, “há duas maneiras de ver ‘O Grande Lebowski’, (...) como uma louca, divertida e estilizada viagem psicodélica pelos anos 70 ou como um retrato crítico e estilizado da sociedade americana dos anos 90. (...) O escorregão dos irmãos Coen foi não conseguir tornar compatíveis essas duas perspectivas (...). Quem embarca na viagem psicodélica regala-se por 40 minutos, quem reconhece a crítica, pelos outros 40 minutos, e ninguém se satisfaz. Há uma terceira possibilidade, de os Coen, como o trio de vilões niilistas de seu novo filme, não estarem nem aí, apenas se divertindo fazendo o que gostam de fazer, cinema de estilo. Você decide”.
Pablo Villaça do site Cinema em Cena achou mediano. Disse: “apesar de interessante, ‘O Grande Lebowski’ não faz jus à filmografia dos Coen. O fato é que, infelizmente, há muito personagem para pouca história, o que leva o diretor a inserir longas sequências nas quais Dude alucina depois de ser golpeado na mandíbula ou de ser dopado por um dos vilões - apesar de visualmente fascinantes, elas nada acrescentam à trama e ainda quebram o ritmo da narrativa. No final das contas, a impressão que fica é a de que este filme é como um dia típico na vida do Dude: apesar de ter a percepção de sua realidade alterada pelas viagens de ácido (ou pelos movimentos de câmera de Joel Coen), a triste verdade é que o cotidiano deste sujeito não é dos mais interessantes". 
Rodrigo de Oliveira do site Papo de Cinema, por outro lado, deu nota máxima. Escreveu: “nada é estranho o suficiente para a trama de ‘O Grande Lebowski’. E aí reside a graça desta história. Como bons suspenses que se prezem, existe o popular mcguffin (algo que os personagens procuram, mas que não tem real importância, apenas existindo para a história andar) e diversas reviravoltas que parecem não fazer sentido algum, mas que são muito bem orquestradas pelos roteiristas. No fim das contas, por mais idas e vindas que tenha a trama, ela nunca é mais interessante que os personagens que a habitam. Este é o verdadeiro mérito do filme assinado por Joel Coen (e Ethan, não creditado): o universo riquíssimo de personagens extravagantes que passeiam pela tela e divertem o espectador com suas idiossincrasias”. 
O que eu achei: O filme não é nenhuma obra-prima, mas possui o estilo inconfundível dos irmãos Coen. A produção é cuidadosa, bem-acabada, os enquadramentos são originais, os movimentos de câmera são diferentes. É um filme irreverente, a trama é cheia de reviravoltas, os personagens singulares e caricaturescos, com seus sotaques e bordões característicos. Tudo beira o absurdo. O longa, lançado em 1998, pode não ter sido um grande sucesso à época, mas ganhou um consistente status cult que é completamente justificável por suas qualidades. Atenção à trilha sonora que não deixa nada a desejar. Há canções de Creedence Clearwater Revival, Bob Dylan, Nina Simone, Mozart, The Monks, Santana e The Eagles, dentre outros. Uma curiosidade: li no site France Press que foi criada uma seita, o "Dudeism", inspirada no personagem "The Dude" (O Cara em português). A seita possui em torno de 450 mil ministros. Outra curiosidade é o evento anual Lebowski Fest que reúne todos os anos fãs do filme vestindo roupões de banho.