3.6.23

“Holy Spider” - Ali Abbasi (Dinamarca/Alemanha/Suécia/França, 2022)

Sinopse:
 
Uma jornalista (Zar Amir Ebrahimi) investiga o submundo da cidade sagrada iraniana Mashhad, em busca de um serial killer de prostitutas. Conhecido como Spider Killer (Mehdi Bajestani), o assassino acredita estar numa missão espiritual de limpar as ruas do pecado.
Comentário: Ali Abbasi (1981) é um cineasta iraniano-dinamarquês. Ele é conhecido por seu filme "Shelley" (2016), além de ter dirigido dois episódios da primeira temporada da série "The Last of Us". Assisti dele o excelente "Border" (2018). Desta vez vou conferir “Holy Spider” (2022).
O longa vai contar a história de um serial killer que de fato existiu e agia em Mashhad, no Irã, entre os anos 2000 e 2001. O assassino matava prostitutas motivado pela ideia de defender valores morais religiosos, “purificando as ruas”, como ele alegava.
O que disse a crítica 1: Bruno Ghetti da Folha de SP, escreveu “por quase uma hora e meia de filme, Abbasi parece apenas dedicado a realizar um thriller policial corriqueiro, meio mal feito, cujo interesse se restringe ao exotismo de se passar em um país tão repressor. (...) Em entrevistas, Abbasi diz que, no fundo, nunca foi lá muito fã de cinema policial, e talvez isso explique por que ele às vezes seja tão sem imaginação - e inábil - ao trabalhar com as convenções do gênero. Mas se esse tipo de thriller não interessa a ele, por que fazer um filme justamente moldado sobre alguns de seus maiores clichês? Abbasi revela que sua grande vontade com o longa era mostrar um Irã que poucas vezes foi visto no cinema, sobretudo por questões de censura”. 
O que disse a crítica 2: Wallace Andrioli do Plano Aberto achou mediano. Escreveu: “’Holy Spider’ funciona bem como thriller, ainda que os momentos dedicados [ao assassino] sejam, em geral, melhores que os protagonizados pela jornalista, cujo trabalho é acompanhado com certa morosidade por Abbasi. Resta a sensação de que, no fim das contas, o que mais interessa ao diretor e corroteirista é compreender o comportamento do assassino em sua vinculação intrínseca com os valores que embasam o regime político vigente no Irã desde a Revolução de 1979”. 
O que eu achei: Eu esperava mais. Por conta de já ter visto o exótico “Border”, estava esperando muito do “Holy Spider” que, ao final, se mostrou um filme comum. A parte boa do filme é poder conhecer mais do Irã: as prostitutas nas ruas, o comércio de ópio, a misoginia que atravessa os valores religiosos e culturais. A parte ruim é que, enquanto o assassino é mostrado em todos os seus aspectos, a jornalista que é uma figura importante na trama, acaba ficando meio de escanteio. O resultado, na média, é bom. Dá pra ver, especialmente pelo final.