
Comentário: Clint Eastwood (1930) é um cineasta e ator americano. Assisti dele a obra-prima "Os Imperdoáveis" - Clint Eastwood (EUA, 1992); os ótimos "As Pontes de Madison" (1995), "Sobre Meninos e Lobos" (2003), "Menina de Ouro" (2004), "A Conquista da Honra" (2006) e "Cartas de Iwo Jima" (2006); os bons "A Troca" (2008), "Gran Torino" (2008), "Invictus" (2009), "J. Edgar" (2011) e "O Caso Richard Jewell" (2020) e os não tão bons "Além da Vida" (2010), "Jersey Boys: Em Busca da Música" (2014), "Sniper Americano" (2015), "Sully - O Herói do Rio Hudson" (2016), "15h17 - Trem para Paris" (2018), "A Mula" - Clint Eastwood (EUA, 2018) e "Cowboys do Espaço" (2000). Desta vez vou conferir “Cry Macho: O Caminho Para Redenção” (2021).
Em 2018 Clint Eastwood, à época com 88 anos, anunciou que iria continuar a dirigir filmes, mas que iria se aposentar da telona como ator, então foi uma surpresa ele desistir da ideia e voltar a estrelar e comandar um novo filme. Mesmo com a pandemia e com a idade avançada - em 2020, quando o filme foi rodado, ele estava com 90 anos de idade - ele mostrou que continua com muita vontade de trabalhar com o que gosta.
Em 2018 Clint Eastwood, à época com 88 anos, anunciou que iria continuar a dirigir filmes, mas que iria se aposentar da telona como ator, então foi uma surpresa ele desistir da ideia e voltar a estrelar e comandar um novo filme. Mesmo com a pandemia e com a idade avançada - em 2020, quando o filme foi rodado, ele estava com 90 anos de idade - ele mostrou que continua com muita vontade de trabalhar com o que gosta.
No filme, ambientado entre o final dos anos 1970 e 1980, Eastwood interpreta Mike Milo, um ex-cowboy de rodeios que tentou se reinventar como criador de cavalos, sem sucesso. Um dia, Mike recebe o pedido de seu ex-patrão, Howard Polk (Dwight Yoakam), para ir até o México resgatar seu filho Rafael "Rafo" (Eduardo Minett) e trazê-lo para o Texas. A princípio relutante, o veterano vaqueiro acaba aceitando a missão.
O roteiro foi escrito por N. Richard Nash, baseado em livro de 1975 de sua autoria. O título faz referência ao nome do galo de briga que Rafael cria: Macho, o maior ou talvez o único amor de sua vida.
O que disse a crítica 1: A crítica especializada, em geral, gostou do resultado. Das cinco resenhas que eu li, quatro delas davam nota 4 (excelente) ao filme. Célio Silva do site G1 gostou. Escreveu: “Consagrado como um bom realizador, Eastwood não tem pudores de usar elementos de ‘Os Imperdoáveis’, ‘Gran Torino’ e ‘Um Mundo Perfeito’ para contar a sua história e torná-la a mais cativante possível, mesmo que não apresente grandes surpresas. Mesmo assim, funciona de forma satisfatória, leve e bem humorada, com seu intuito de desconstruir a imagem de homem durão, celebrada em toda a carreira do ator e diretor”. Silva salienta que a trama não oferece grandes surpresas, as situações são em geral simples, resolvidas de forma corriqueira, porém os personagens são agradáveis e boas situações de humor conseguem cativar o público e tornar a falta de peso dramático um problema a ser relevado".
O que disse a crítica 2: Marcelo Hessel do site Omelete achou o resultado ótimo. Ele disse: “O que ‘Cry Macho’ tem de melhor é justamente essa cadência lenta de nonagenário, um ritmo que faz as coisas assentarem e ganharem peso dramático: uma atenção aos pequenos gestos e não aos arroubos. (...) No fundo, o que estamos vendo é um falso filme de escapada, já que tudo nele se faz sem pressa”.
O que disse a crítica 3: Felipe Galeno do Cinematório também adorou. Escreveu: “Enquanto rejeita, em certa medida, os ideais de masculinidade bruta que sua própria feição já carregou por décadas na tela grande (‘esse papo de macho é superestimado’, afirma o protagonista), Clint Eastwood encontra na ideia da vida comum e na generosidade para com o próximo uma ideologia substituta. E, por mais que ele ainda planeje continuar trabalhando, ‘Cry Macho: O Caminho para Redenção’ oferece a sua persona cinematográfica uma rota que pode servir de um bom desfecho, um que dispõe de suficiente compaixão e tranquilidade para lhe servir de descanso”.
O que disse a crítica 4: Marcelo Müller do site Papo de Cinema também foi elogioso. Ele acha que “Clint Eastwood é um verdadeiro monumento de Hollywood, uma lenda vida que segue fiel a seus princípios. Perto do centenário, ainda nos oferece um filme bonito que reafirma o seu apreço pela lealdade e por uma vida simples, na qual é essencial negociar com os fantasmas do passado, bem como se comunicar claramente com as pessoas do presente”.
O que disse a crítica 5: Roberto Chaves do Vigília Nerd disse: “’Cry Macho’ tem um ritmo cadenciado, sem pressa… um clichêzinho aqui e alí, mas nada que comprometa o resultado final. Confesso que teve um momento que pensei que o filme iria dar uma derrapada, mas felizmente, se manteve correto. A parte técnica não tem muito destaque, a fotografia é bem simples e a direção é segura. O importante é a mensagem final”.
O que eu achei: Trata-se de um road movie cheio de reflexões. Assim como em outros filmes do próprio Eastwood, vemos um veterano levado a conviver com um calouro. É filme de troca geracional: o velho e o novo, o mestre e o aprendiz. As cenas de ação têm pouco impacto. É um daqueles filmes candidato a passar na Sessão da Tarde, cujo resultado fica ali entre o mediano e o bom, mas que arranca da crítica elogios por conta da presença do próprio Eastwood: um mito que nos ajudou a criar o arquétipo do homem americano macho e valente, a quem podemos ter nossas críticas sociais, mas que ao longo dos anos se revelou um ator e diretor de primeira grandeza e que agora vem se redimir, afinal, os tempos são outros. Então, apesar da falta de dramaticidade, tensão e profundidade da película, o filme traz aquilo que nos toca o coração: sua figura imponente na tela que sente o passar do tempo e que coloca em xeque essa persona machista construída ao longo de toda sua carreira. Com isso, embora o filme não represente um dos melhores e mais marcantes momentos de sua biografia, ele tem sua importância no histórico do ator e diretor. Atenção à beleza da fotografia, em especial à cena do deslocamento do protagonista na estrada ao ser acompanhado pelos cavalos selvagens que correm como se estivessem saudando um antigo companheiro. Atenção também à atuação da excelente Natalia Traven, que interpreta Marta, a dona do bar que vai ter um affair pelo protagonista, um dos pontos altos da película.