21.5.23

“RRR: Revolta, Rebelião, Revolução” – S. S. Rajamouli (Índia, 2022)

Sinopse:
Uma jovem menina chamada Malli (Twinkle Sharma) é raptada de um vilarejo. Enquanto o guerreiro Bheem (N.T. Rama Rao Jr.) parte para a capital da Índia - país dominado pela coroa britânica - para tentar resgatá-la, o policial Raju (Ram Charan Teja) é incumbido de proteger os interesses dos britânicos, custe o que custar.
Comentário: Caio Coletti do site Omelete nos conta que “antes de qualquer coisa, é bom esclarecer: ‘RRR: Revolta, Rebelião, Revolução’ não é um ‘filme de Bollywood’. O termo, popularizado no Ocidente por hits como ‘Salaam Bombay’ (1988) e o britânico ‘Quem Quer Ser um Milionário?’ (2008), se aplica somente aos longas gravados em hindi e produzidos pelo conglomerado de estúdios concentrados na metrópole de Mumbai. ‘RRR’ faz parte de outra tradição: a de Tollywood, uma indústria igualmente poderosa (e, em alguns anos, mais prolífica) que se concentra no estado indiano de Telangana e produz longas falados em telugu, um idioma diferente do hindi. A versão disponível tanto nos EUA quanto no Brasil pela Netflix é a dublada em hindi; em uma prática bem comum no mercado indiano, os próprios atores de ‘RRR’ regravaram suas falas por cima do áudio original em telugu, o que faz com que o filme soe um pouco desajustado aos ouvidos treinados pela tradição ocidental”. O filme conta a história de um guerreiro corajoso chamado Bhemm que sai em uma missão perigosa: a de resgatar uma menina raptada de um vilarejo pelo governo inglês. Nessa missão ele encontra um policial durão chamado Raju que serve ao exército britânico. A saga épica - com duração de 3hs - é ambientada na Índia pré-independência, um período delicado na história dos indianos que buscavam sua independência do Reino Unido. Então ao mesmo tempo que o filme é bastante fantasioso, transformando os dois protagonistas em super-heróis, ele é um musical alegre e dançante, e tem uma pegada política importante.
O que disse a crítica: O filme teve uma aceitação incrível, tanto por parte da crítica quanto por parte do público e ganhou prêmios: no Critics Choice Awards ele venceu na categoria Melhor Filme em Língua Estrangeira, ganhou também como Melhor Canção Original, tanto no Globo de Ouro quanto no Oscar, pela canção "Naatu Naatu" de Kala Bhairava, M. M. Keeravani e Rahul Siplingunj.
Sérgio Alpendre do site Leitura Fílmica, foi um dos poucos críticos que levantaram pontos negativos. Ele disse: “Em certos momentos, ele se assemelha a uma novela da Record. (...) Os animais computadorizados remetem tanto a ‘As Aventuras de Pi’ (2012) quanto ao novo e dispensável ‘O Rei Leão’ (2019) e deveriam servir para que nunca mais se fizesse isso na história do cinema (quando sabemos que acontecerá o contrário, só nos resta lamentar). Como fazer as cenas com os animais, então, caro crítico? Simples: não façam”. E prossegue dizendo: “O maniqueísmo pode até ser divertido, colocando ingleses nojentos de um lado, pobres indianos de outro, com alguns revoltados e uma minoria (uma mulher) de ‘brancos do bem’ no meio. Mas obviamente não ajuda a fazer com que o filme seja menos infantil em seu desenvolvimento, ainda que as idas e vindas no tempo lhe confira um toque de sofisticação inesperado. O que poderia ajudar é a insinuação do ‘bromance’, a forte amizade masculina que esconde uma igualmente forte atração que os dois heróis buscam reprimir, eventualmente com o interesse de um ou dos dois deles por mulheres (geralmente postiças na trama). Eles eventualmente estão lado a lado e assim deveriam estar sempre, mas têm também missões aparentemente opostas durante boa parte do filme. Também poderia ajudar o pano de fundo, a Índia de 1920, pré-independência, e a luta contra o maligno império britânico. Nas duas frentes, o filme tem um tratamento surpreendentemente tolo se comparado aos dramas históricos ou aos filmes sobre o amor entre homens feitos em Hollywood no passado (...)".
O que eu achei: Eu não posso dizer que “RRR” é meu estilo de filme favorito. Uma coisa que me incomodou foi esse uso excessivo de CGI (Computer Graphic Imagery) que gerou uma overdose de artificialismo com seus exageros visuais - balas de revólver voando em câmera lenta, pessoas sem qualidades humanas reconhecíveis, animais, cuja proporção de tamanho muda a cada minuto, fazendo movimentos impossíveis e improváveis - ultrapassando os limites de credibilidade. Claro que o cinema tem dessas coisas, já vimos isso em “O Tigre e o Dragão” (2000), “Matrix” (1999) ou em filmes da Marvel, mas isso não significa que estejam bem feitos ou que todo mundo goste deles. Os cenários e as paisagens idem, ao mesmo tempo que são belos, são artificiais e assépticos demais para te transportar para dentro da história. O filme vai avançando e o visual vai enjoando de tal forma que ao final você não sabe mais dizer se o que viu foi feito por um humano ou por algum programa de inteligência artificial. Aliás, quem quiser ficar caçando defeitos nesse quesito achará vários. Apesar de ter algumas qualidades: história boa, ter uma mensagem evidentemente anti-imperialista, ser alegre, dançante e mostrar muito da cultura indiana, o resultado é um blockbuster divertido, mas cansativo e limitado. Ao contrário da grande massa de avaliações como sendo um filme ótimo, para mim é, no máximo, mediano, não mais do que isso.