16.5.23

“Mamãe Faz 100 Anos” - Carlos Saura (Espanha/França, 1979)

Sinopse:
Durante uma reunião para comemorar o aniversário de 100 anos da matriarca (Rafaela Aparicio), parte de sua família começa a tramar o assassinato da anciã - tudo para colocar as mãos na gorda herança da inocente senhora.
Comentário: Claude Casteran da Agência FP nos conta que “Frequentemente citado entre os grandes nomes do cinema espanhol, junto com Luis Buñuel e Pedro Almodóvar, Saura dirigiu cerca de 50 filmes ao longo de sua carreira de mais de meio século, durante a qual conquistou vários prêmios. De estética sofisticada e um estilo que ia do lírico ao documental, inicialmente Saura destacou os males da sociedade e suas vítimas. Como parte de sua visão crítica, retratou, por exemplo, personagens da burguesia atormentados por seu passado ou vivendo em um sufocante ambiente conservador. Uma vez instaurada a democracia na Espanha, após a ditadura de Francisco Franco (1939-1975), este amante da música e da dança mudou de foco e começou a expressar seu amor ao tango, ao fado, ao folclore argentino e à jota, e sobretudo ao seu amado flamenco, tornando-se, um tanto a contragosto, um embaixador da cultura espanhola”. “Mamãe Faz 100 Anos” (1979) é um filme que conta a história de uma matriarca que está completando 100 anos de idade e resolve reunir a família para comemorar. Seus três filhos estão preocupados com as dívidas que a mãe está acumulando na propriedade em que vive pois o banco já avisou que tomará o bem caso elas não sejam pagas. Somente a morte da mãe resolveria esse problema, pois os filhos herdariam a propriedade que possui um terreno imenso e as dívidas cessariam. 
O que disse a crítica: Sérgio Alpendre do site Leitura Fílmica, acha o filme bom. Escreveu: “a divertida comédia ‘Mamãe Faz 100 Anos’ (1979) não pode só ser sobre uma família maluca de olho na herança da matriarca, mas precisa se tornar uma alegoria sobre a decadência da Espanha (a mãe) quando todos os seus filhos (militares, intelectuais, hippies, sonhadores e religiosos) procuram dilapidá-la. Divertida, decerto, um pouco tola em alguns momentos e com uma relação entre os sexos que em 1979 já começava a caducar”. 
Guilherme Almeida do Plano Crítico acha o filme excelente. Disse: “Ao quebrar o automatismo, Carlos Saura inventa um mundo próprio que só pode ser entendido quando remetido ao ‘mundo real’. Se suas estratégias narrativas são estranhas, deve-se vê-las como forças que escarafuncham os dados concretos históricos: a mitologia esgaravata os gargalos da Espanha franquista. ‘Mamãe faz 100 Anos’ é o enterro do Regime, mostrando, em simultâneo, sua onerosa sobrevivência post mortem”. 
O que eu achei: Eu, que já vi do diretor o ótimo “Cría Cuervos” (1976), achei interessante ver a mesma personagem Ana (Geraldine Chaplin) voltar à cena na mesma personagem e com a mesma atriz, neste filme que marca o retorno de Saura aos seus temas favoritos de memória e morte, fazendo referência às neuroses da sociedade pós-franquista. Achei interessante decifrar as metáforas criadas por ele, em especial a inclusão ao enredo do falecimento de José Ara, personagem que em “Ana e os Lobos” (1973), representava o franquismo dentro do lar, com todo o seu fetiche por indumentárias militares e controle sobre as vidas alheias. “Cría Cuervos” é melhor, mas este também é um trabalho interessante que merece ser visto. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e ao Prêmio Especial do Júri em San Sebastián.