7.5.23

"Orgulho & Preconceito" - Joe Wright (França/Reino Unido/EUA, 2005)

Sinopse:
 Inglaterra, 1797. As cinco irmãs Bennet - Elizabeth (Keira Knightley), Jane (Rosamund Pike), Lydia (Jena Malone), Mary (Talulah Riley) e Kitty (Carey Mulligan) - são criadas por uma mãe (Brenda Blethyn) com fixação em lhes encontrar maridos que garantam seus futuros. Porém Elizabeth deseja ter uma vida mais ampla, sendo apoiada pelo pai (Donald Sutherland). Quando o sr. Bingley (Simon Woods), um solteiro rico, passa a morar em uma mansão vizinha, as irmãs logo ficam agitadas. Jane logo parece que conquistará o coração do novo vizinho, enquanto Elizabeth conhece o bonito e esnobe sr. Darcy (Matthew Macfadyen).
Comentário: Trata-se de uma adaptação do livro “Pride & Prejudice” (Orgulho & Preconceito) da escritora Jane Austin. Ele foi escrito no final de 1700, sendo lançado em janeiro de 1813. A história tem como pano de fundo a burguesia inglesa do início do século XIX. Vemos no romance como as relações movidas por amor e dinheiro podem ser promíscuas e mesquinhas, encobertas pelo véu da sociedade burguesa. O clássico inglês foi levado às telas pela primeira vez em 1938. Desde então, contam-se mais de uma dezena de obras baseadas neste mesmo texto.
O que disse a crítica: Robledo Milani do site Papo de Cinema achou bom. Ele diz que a história não é mais do que uma simpática comédia romântica, entretanto “é provável que o melhor esteja na mão segura de Wright, que após alguns trabalhos na televisão chega ao cinema de forma auspiciosa (ganhou o Bafta de Melhor Realizador Estreante). Ele consegue imprimir o ritmo certo ao enredo, sem exagerar no melodrama e nem resvalar no caricatural. O cineasta evita ainda exageros comuns ao gênero, como o deslumbre pelos cenários, refletindo a época ambientada, ou floreios em demasia que situam - e aborrecem - o espectador numa condição histórica que pouco interessa àqueles preocupados apenas com o desenrolar dos acontecimentos”. 
Pablo Villaça do Cinema em Cena também gostou. Escreveu: “enriquecido pelos diálogos bem construídos (...), ‘Orgulho & Preconceito’ peca apenas por se estender um pouco mais do que o ideal, já que, como o espectador sabe como a história terminará, a aura de inevitabilidade desta conclusão torna a experiência relativamente previsível. Mas a trajetória até o desfecho é, sem dúvida alguma, repleta de charme”. 
Marcelo Forlani do site Omelete classificou como ótimo. Ele disse: “Não imagine (...) um parado drama de época. ‘Orgulho & Preconceito’ tem elementos cômicos e ótimo ritmo de narração, com os personagens sendo construídos ao longo da história. Em uma das mais belas passagens, o baile no palacete dos Bingley, a câmera passa por vários aposentos, acompanhando diversos personagens. Ótima também é a cena de dança entre Elizabeth e Darcy, quando as trocas de olhares e concentração dos dois ‘esvazia’ o salão”. 
César Barzini do Plano Crítico avaliou como excelente. Disse tratar-se de “um trabalho regado de ternura em todos os seus aspectos”. 
O que eu achei: Esse diretor - Joe Wright - é um cara que venho prestando atenção. Já assisti dele os ótimos “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “O Destino de Uma Nação” (2017) além do bom “Hanna” (2010). A maioria dessas produções têm em comum uma apresentação clássica, bem acadêmica, com começo, meio e fim. No cinema contemporâneo essa forma quadrada de contar uma história é considerada ultrapassada, mas tudo o que ele faz é tão caprichado que dá gosto assistir e usufruir do rigor com que tudo foi pensado e executado. “Orgulho & Preconceito” (2005) é seu filme de estreia, mas pude observar que ele já contém todas essas características vistas nas produções posteriores. Não à toa acabou indicado aos Oscars de Melhor Atriz (Keira Knightley), Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte, além de ter sido indicado ao Globo de Ouro em duas categorias (Melhor Filme e Melhor Atriz). É um filme leve, agradável, para passar duas horas mergulhado numa história de amor ocorrida na Inglaterra do final de 1700. É uma adaptação delicada que não decepciona.