
Comentário: Trata-se de uma adaptação do livro “Pride & Prejudice” (Orgulho & Preconceito) da escritora Jane Austin. Ele foi escrito no final de 1700, sendo lançado em janeiro de 1813. A história tem como pano de fundo a burguesia inglesa do início do século XIX. Vemos no romance como as relações movidas por amor e dinheiro podem ser promíscuas e mesquinhas, encobertas pelo véu da sociedade burguesa. O clássico inglês foi levado às telas pela primeira vez em 1938. Desde então, contam-se mais de uma dezena de obras baseadas neste mesmo texto.
O que disse a crítica: Robledo Milani do site Papo de Cinema achou bom. Ele diz que a história não é mais do que uma simpática comédia romântica, entretanto “é provável que o melhor esteja na mão segura de Wright, que após alguns trabalhos na televisão chega ao cinema de forma auspiciosa (ganhou o Bafta de Melhor Realizador Estreante). Ele consegue imprimir o ritmo certo ao enredo, sem exagerar no melodrama e nem resvalar no caricatural. O cineasta evita ainda exageros comuns ao gênero, como o deslumbre pelos cenários, refletindo a época ambientada, ou floreios em demasia que situam - e aborrecem - o espectador numa condição histórica que pouco interessa àqueles preocupados apenas com o desenrolar dos acontecimentos”.
Pablo Villaça do Cinema em Cena também gostou. Escreveu: “enriquecido pelos diálogos bem construídos (...), ‘Orgulho & Preconceito’ peca apenas por se estender um pouco mais do que o ideal, já que, como o espectador sabe como a história terminará, a aura de inevitabilidade desta conclusão torna a experiência relativamente previsível. Mas a trajetória até o desfecho é, sem dúvida alguma, repleta de charme”.
Marcelo Forlani do site Omelete classificou como ótimo. Ele disse: “Não imagine (...) um parado drama de época. ‘Orgulho & Preconceito’ tem elementos cômicos e ótimo ritmo de narração, com os personagens sendo construídos ao longo da história. Em uma das mais belas passagens, o baile no palacete dos Bingley, a câmera passa por vários aposentos, acompanhando diversos personagens. Ótima também é a cena de dança entre Elizabeth e Darcy, quando as trocas de olhares e concentração dos dois ‘esvazia’ o salão”.
César Barzini do Plano Crítico avaliou como excelente. Disse tratar-se de “um trabalho regado de ternura em todos os seus aspectos”.
O que eu achei: Esse diretor - Joe Wright - é um cara que venho prestando atenção. Já assisti dele os ótimos “Desejo e Reparação” (2007), “Anna Karenina” (2012) e “O Destino de Uma Nação” (2017) além do bom “Hanna” (2010). A maioria dessas produções têm em comum uma apresentação clássica, bem acadêmica, com começo, meio e fim. No cinema contemporâneo essa forma quadrada de contar uma história é considerada ultrapassada, mas tudo o que ele faz é tão caprichado que dá gosto assistir e usufruir do rigor com que tudo foi pensado e executado. “Orgulho & Preconceito” (2005) é seu filme de estreia, mas pude observar que ele já contém todas essas características vistas nas produções posteriores. Não à toa acabou indicado aos Oscars de Melhor Atriz (Keira Knightley), Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora e Melhor Direção de Arte, além de ter sido indicado ao Globo de Ouro em duas categorias (Melhor Filme e Melhor Atriz). É um filme leve, agradável, para passar duas horas mergulhado numa história de amor ocorrida na Inglaterra do final de 1700. É uma adaptação delicada que não decepciona.